APS e Repsol destacam Sines como polo estratégico na transição energética

O auditório da Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS) recebeu, a 14 de janeiro, o evento “Rumo ao net zero: Sines e os caminhos para a descarbonização da indústria”, promovido pela Fundação Repsol. Neste evento, promovido pela Fundação Repsol, especialistas, líderes empresariais e decisores debateram soluções concretas para acelerar a transição energética e a descarbonização da indústria.

O encontro contou com a presença do ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, o presidente da Repsol, Antonio Brufau, os presidentes da Câmara Municipal de Sines, Álvaro Beijinha e de Santiago do Cacém, Bruno Pereira, bem como diversas entidades e especialistas que debateram a importância da transição energética, descarbonização e inovação no setor petroquímico.

Numa conversa prévia ao evento, o conselho de administração da APS liderado por Pedro do Ó Ramos recebeu o presidente da Repsol, Antonio Brufau, acompanhado pela respetiva comitiva. Este encontro permitiu “alinhar a parceria estratégica entre a APS e a REPSOL, fundamental, tendo em conta o papel do polo industrial de Sines para a transição energética ibérica e europeia”, refere a APS.

Foi sublinhado “o contributo dos projetos em curso, quer do lado do Porto de Sines, quer da Repsol, face ao cumprimento das metas de neutralidade carbónica estabelecidas pela União Europeia, salientando-se ainda o papel da Repsol enquanto concessionária do Terminal Petroquímico de Sines, fator que consolida a posição do porto como plataforma de referência na descarbonização da indústria”, adianta.

Sines afirma-se, assim, como motor da descarbonização industrial, com uma capacidade portuária de excelência e uma plataforma industrial diversificada com uma visão estratégica orientada para a sustentabilidade e competitividade no contexto da transição energética europeia.

Presidente das Câmara de Sines, Álvaro Beijinha: Transição energética “não pode ser à conta da população local”

O presidente da Câmara Municipal de Sines, Álvaro Beijinha, defende que “a administração central e as empresas têm de assumir mais responsabilidades nas áreas da habitação, da educação, da saúde e das acessibilidades, necessárias para que o concelho de Sines esteja preparado para receber os investimentos industriais previstos”.

“Os investimentos privados previstos para Sines são de 20 mil milhões de euros. O orçamento da Câmara para investimentos em 2026, em todas as áreas, é de 12 milhões. A Câmara não foge às suas responsabilidades, mas tem o orçamento que tem. Se queremos que Sines seja o paradigma da transição energética do País e da Europa não pode ser à conta da população local”, disse o autarca.

Álvaro Beijinha chamou a atenção para a necessidade de acompanhar esse processo com investimentos em equipamentos, infraestruturas e serviços públicos.

“O que podia ser uma coisa boa – investimento, criação de emprego, de riqueza – começa a ter a população local contra: pagam habitação muito mais cara, tudo é mais caro, têm um sentimento de insegurança, e por isso tem de haver muito investimento público. E depois temos também a responsabilidade social das empresas. São investimentos privados de muitos milhões. Estas empresas deviam ter mais consciência do ponto de vista social para contribuir também para a resposta que é necessária”, destacou o edil

Após o evento na APS, a comitiva visitou o complexo industrial da Repsol, onde pôde conhecer a evolução do projeto Alba, o maior investimento industrial em Portugal na última década, e visitar as infraestruturas de energia renovável, incluindo o local do futuro eletrolisador para produção de hidrogénio.