Álvaro Beijinha que cumpre o terceiro e último mandato como presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém apresentou as principais linhas da 37.ª edição da Santiagro – Feira Agropecuária e do Cavalo que decorrerá de 29 de maio a 1 de junho no Parque de Feiras e Exposições. O objetivo é atingir ou ultrapassar o número de 60 mil pessoas que visitaram o evento em 2024. O autarca fala ainda do forte investimento público nos últimos 12 anos, desde a regeneração urbana à construção e requalificação de equipamentos culturais e desportivos. O presidente da autarquia criticou o governo e a Infraestruturas de Portugal por não resolver o problema dos caminhos paralelos à A26, que encontram-se bastante degradados.
Florindo Cardoso
Setúbal Mais – Quais as expetativas para a edição deste ano da Santiagro?
Álvaro Beijinha – São claramente otimistas. Fizemos um caminho ao longo dos últimos anos, com um crescimento anual de visitantes e a expetativa é que conseguir crescer ainda mais, embora já estejamos num patamar muito elevado. O objetivo é atingir ou ultrapassar os números de 60 mil pessoas nos quatro dias.
Setúbal Mais – Mantêm-se o preço das entradas na feira?
Álvaro Beijinha – Sim, mantemos. Dois euros por dia e se comprar o bilhete para os quatro dias custará seis euros. Temos ainda as senhas do comércio local, que fizeram compras na campanha de Natal, poderão entrar gratuitamente. Recordo que o ano passado, mais de 12 mil pessoas usaram essas senhas para entrar na feira. É uma boa forma de ajudar o comércio local e entrar na feira de forma gratuita.
Setúbal Mais – Há também uma aposta no cartaz musical?
Álvaro Beijinha – Temos um cartaz pensado para os mais novos. Estes trazem os mais velhos atrás, nomeadamente os pais, e essa tem sido a identidade da Santiagro nos últimos anos, pelo menos na última década.
Setúbal Mais – Que balanço é que faz destes 12 anos da Santiagro como presidente do município?
Álvaro Beijinha – O balanço é positivo. Partimos há 12 anos com um terço do número de entradas na Santiagro. É certo que desde 2016 passámos de três para quatro dias, mas conseguimos triplicar o número de visitantes. Fizemos investimentos no recinto do Parque de Feiras e Exposições. Temos orgulho de haver uma lista de espera de expositores. Temos mais de 200 expositores, mas não podemos aumentar por razões de segurança. É um trabalho de uma equipa fantástica que fomos construindo ao longo dos anos em que o rosto mais visível é do presidente da câmara. Há uma situação que conseguimos criar e que para mim é a mais importante de todas, é de que as pessoas do concelho identificarem-se como a sua feira, que era uma coisa que não existia como por exemplo acontece em Grândola. Atualmente há um sentimento de pertença, de que a Santiagro é a sua feira, como por exemplo os jovens que saem mais cedo da faculdade para estar logo na quinta-feira, dia de abertura, ou pessoas que metem férias naqueles dias para usufruir todo o tempo da feira. Essa conquista conseguiu-se muito através de uma faixa etária que começou a frequentar a feira quando era nova e identificam-se agora mais com um cartaz musical e com as atividades desenvolvidas como provas de vinhos ou ações para as crianças. As pessoas sentem a feira como delas, acarinham muito e sente-se isso nas redes sociais com o elevado número de visualizações do cartaz do certame. A feira tem o futuro assegurado. Os jovens de hoje são os adultos de amanhã.
Setúbal Mais – Qual o peso da Santiagro para a economia local?
Álvaro Beijinha – A câmara municipal investe este ano mais de 400 mil euros mas tem um retorno como a imagem transmitida do município junto das pessoas e um impacto na economia local, como a agricultura, a pecuária e a floresta. Há pessoas que vêm de fora e ficam cá um fim-de-semana alargado. Este investimento municipal duplica ou quadrícula seguramente.
Setúbal Mais – Em termos de turismo, como está atual situação, tendo em conta que cresceu muito nos últimos anos?
Álvaro Beijinha – Em dez anos quadruplicámos o número de dormidas turísticas. Não tenho ainda os dados exatos de 2024, mas há a perceção de que o crescimento foi muito idêntico ao da região do Alentejo. Crescemos sempre mais que a região Alentejo, e este ano devemos manter os valores de 3 a 4 por cento. Temos mantido o crescimento e para isso contribuiu as novas ofertas, os investidores acreditam e investem no concelho, há mais camas turísticas. Duplicámos praticamente a oferta em 10 anos.
Setúbal Mais – Nota-se ainda uma procura dos investidores no concelho?
Álvaro Beijinha – Só neste mandato que termina em outubro deste ano, registámos mais de 100 novas unidades, entre alojamento local e turismo em espaço rural. Um aumento brutal. Ainda há espaço para mais porque somos um concelho, com 30 mil habitantes, com 1.060 quilómetros quadrados, sem pressão junto ao mar porque a Lagoa de Santo André é uma área protegida. Temos muita margem para crescer no interior do concelho porque estamos muito perto da costa. Temos aqui um eixo estruturante como o IC1 e autoestrada. Não há sobrecarga nenhuma no concelho a nível turístico.
Setúbal Mais – O seu mandato ficou marcado por um forte investimento. Orgulha-se desse trabalho de atração de investimento para o concelho?
Álvaro Beijinha – Naturalmente que sim. Sinto orgulho nesse trabalho e da equipa que me acompanhou. Fizemos ao longo destes últimos 12 anos um investimento brutal. No quadro do Portugal 2020, fomos o município com maior taxa de execução da região do Alentejo e dos 11 municípios do Ribatejo e recebemos 2 milhões por isso. Tivemos uma grande capacidade de execução em investimento público como na regeneração urbana, a requalificação do parque escolar, novos equipamentos culturais como antigo cinema de Alvalade, o Cine-Teatro de Ermeidas, o Museu de Arqueologia de Alvalade e desportivos como quatro campos de futebol 11 com relava sintética, dois de futebol de 5, campos de padel, comprámos o pavilhão do JAC – Juventude Atlético Clube que estava para ser adquirido pelos privados. Investimos muito em todas as áreas.
Setúbal Mais – Em relação à degradação dos acessos, nomeadamente à A26 que tem motivado protestos das populações a agentes económicos, como está atualmente?
Álvaro Beijinha – Infelizmente estão péssimos. Temos várias questões colocadas à Infraestruturas de Portugal (IP). Os caminhos paralelos à A26, que está num estado vergonhoso. O secretário de Estado das Obras Públicas e Desenvolvimento disse que a IP estava a tomar conta do assunto, mais nada. A IP não informou nada. Depois teríamos uma via alternativa, que é a Estrada Nacional 120, nomeadamente no troço que liga a Cruz de João Mendes e Santiago do Cacém utilizada, impendentemente deste problema, está com buracos enormes, que não está a ser intervencionada. É um desleixo total de quem não olha para fora da Grande Lisboa e do Porto, deixando as pessoas abandonadas. São estradas nacionais e não há uma palavra para as autarquia e população.

