Cadita apresenta novo álbum em concerto na União Setubalense: “É o trabalho mais bem conseguido e que tenho mais orgulho”

Luís Soares, compositor e intérprete de origem angolana, nascido em Setúbal com o nome artístico de Cadita vai apresentar ao público o seu próximo trabalho discográfico, no próximo dia 30 de maio, pelas 21h30, na União Setubalense. O nome é uma adaptação do seu segundo nome, Ricardo, e traduz a herança cultural portuguesa e africana que define a sua música: pop portuguesa com batida quente, percussão africana e letras que exploram os limites e a superação da condição humana. Para já, o single “Dança Impossível” está disponível nas plataformas digitais. É uma homenagem a Sara Tavares com que o músico sonhava fazer um dueto. O tema abre caminho ao álbum previsto para o último trimestre do ano, “Meta: Voo”. O trabalho foi produzido por Sérgio Mendes, produtor de referência na música portuguesa, responsável por trabalhos de João Pedro Pais ou A Garota Não, entre muitos outros.  

Florindo Cardoso

Setúbal Mais – Como vai ser o concerto na União Setubalense?

Cadita – Este é um concerto de apresentação do projeto, da forma como ele está montado, para esta segunda fase, porque é o segundo álbum que estou a lançar com o nome Cadita. É um álbum com outra projeção e preparação, que vamos apresentar as músicas pela primeira vez ao vivo, que será lançado em todas as plataformas a partir de setembro, mas estará exclusivamente em pré-venda no dia do concerto. As pessoas vão ver o concerto e no final, se gostarem das músicas, podem comprar o CD com as músicas que ouviram.

Setúbal Mais – Em relação ao single “Dança Impossível” tem uma história bonita do encontro com Sara Tavares. Pode explicar esse tema?

Cadita – Sim. O tema surge a partir de uma memória do encontro que tive, há muitos anos, com a Sara Tavares. Na altura, surgiu a oportunidade de assistir a um concerto dela no Redondo, com um amigo que fazia parte da equipa produção, e no final conversei com a Sara Tavares e ofereci-lhe um CD e tenha a secreta esperança de que ouvisse, gostar e até fazer um dueto ou criar uma música. Nunca se concretizou, e quando ela faleceu, essa memória surgiu novamente e como não iria acontecer, e como a tristeza de ela ter desaparecido, e quando comecei a compor para este álbum, pensei fazer música em sua homenagem e por isso o nome de “Dança Impossível”. Uma dança que não acontece na realidade, mas através da música, cria-se a magia de estarmos juntos, na memória.

Setúbal Mais – Este é single faz parte do 2.º álbum “Meta:Vol” que é produzido por Sérgio Mendes. Para si, é importante porque é um produtor de referência?

Cadita – Sim. Neste momento é um produtor de grande referência. Já o conheço há muito tempo e tocar com ele em concertos ao vivo e considero um bom amigo. Já queria trabalhar com ele há algum tempo. Fez um ótimo trabalho com a matéria prima que lhe apresentei.

Setúbal Mais – Em termos gerais, gosto do resultado final?

Cadita – Penso que é o meu melhor trabalho. Já faço isto há algum tempo com muito amor e honestamente é o trabalho mais bem conseguido e que tenho mais orgulho. A forma como construi todo o processo, de forma mais metódica, organizada e critério acabou por resultar num produto mais coeso, tem variedade, criatividade e uma linha condutora.

Setúbal Mais – O nome artístico de Cadita como surgiu?

Cadita – No meu crescimento era tratado como Cadita pela minha mãe. Em vez de Luís Ricardo que são os dois nomes próprios que tenho, acabou por arredondar para Cadita. Na primeira classe, quando a professora perguntou o meu nome respondi naturalmente Cadita e não Luís. Era o meu nome familiar. Para mim, Cadita é o nome que traduz mais a música que faço e que conflui as duas heranças que tenho, a parte angolana da minha mãe e a parte portuguesa.

Setúbal Mais – Qual a mensagem que quer deixar para quem quer ver o seu concerto?

Cadita – O que quero deixar e passar para as pessoas é um momento de muita alegria, boa energia, intenso e com emoções. Para quem gostar pode dançar e divertir-se.

Uma carreira com mais de 20 anos

A paixão pela música

Cadita é o nome artístico de Luís Soares, compositor, guitarrista e intérprete de origem angolana, que nasceu em Setúbal. O nome é uma adaptação do seu segundo nome, Ricardo, e traduz a herança cultural portuguesa e africana que define a sua música: pop portuguesa com batida quente, percussão africana e letras que exploram os limites e a superação da condição humana.

Membro da Sociedade Portuguesa de Autores desde 2006, Luís Soares tem uma carreira que atravessa mais de duas décadas. Começou sob o nome Louie Djimé, destacando-se no Concurso de Música Moderna de Setúbal entre 2005 e 2007, com a banda premiada como melhor do concelho em várias edições. Em 2010 lançou o álbum Djimi – Novo Dia, com dois temas em rotação permanente na série Morangos com Açúcar, e participou em programas de televisão como Portugal no Coração, Curto Circuito, Canal Q e Porto Canal, além de concertos nas Fnac de todo o país e no Cinema São Jorge, em Lisboa.

Em 2015 lançou o EP Walking Lights e em 2021 o projeto Cadita – Movimento, com concertos online e participações nas comemorações do 25 de Abril em Setúbal.

Meta: Voo é o seu álbum mais ambicioso. Dez temas originais produzidos por Sérgio Mendes, com a participação de Luís Gaspar (bateria), João Telha (baixo), Yuri Oliveira (percussão) e Mafalda Louro. Um disco sobre o que parece impossível — e sobre o que a música consegue fazer acontecer.

O single “Dança Impossível”, que está disponível em todas as plataformas digitais, abre caminho ao álbum previsto para o último trimestre do ano, “Meta: Voo”. “Dança Impossível” nasce de uma memória guardada há anos. Numa noite num concerto no Redondo, Luís Soares encontrou Sara Tavares nos bastidores, ofereceu-lhe um CD e imaginou um dueto que nunca chegou a acontecer. O que ficou foi a vontade, a admiração, e a curiosidade de descobrir que o sotaque africano que Sara projetava em palco contrastava com o sotaque lisboeta da conversa que tiveram. Dessa memória nasceu uma canção.

A letra imagina uma dança a dois com alguém que já não está — um encontro impossível que, por breves instantes, através da música, chega a acontecer. É um tema de perda, mas também de celebração: de uma voz, de uma herança, de um momento que ficou guardado para sempre. Em linha com o conceito central do álbum — voar como metáfora do que parece inalcançável, mas que a música torna emocionalmente possível — “Dança Impossível” é ao mesmo tempo, íntimo e festivo, pessoal e universal.

O videoclipe do tema, realizado por Berenice Cruz, foi filmado numa casa senhorial da baixa de Setúbal, construída no final do século XIX. O espaço serve de cenário a uma narrativa visual onde Cadita e a personagem que representa Sara Tavares habitam os mesmos espaços — casa de banho, cozinha, corredor, sala — mas em momentos diferentes, nunca partilhando o mesmo tempo. Só quando a banda toca e o público dança é que os dois mundos se encontram, num único espaço e num único instante.