Joaquim Varela, residente na freguesia de Cercal do Alentejo, no município de Santiago do Cacém, que celebrou 111 anos de vida, a 13 de maio, tornou-se o homem com mais idade em Portugal.
A Junta de Freguesia de Cercal assinalou a data com uma visita à casa da família, onde foram cantados os parabéns ao idoso. “É um marco raro e inspirador, que representa mais de um século de histórias, memórias, ensinamentos e exemplos de vida. Ao longo destes 111 anos, atravessou gerações, viveu momentos marcantes da nossa história e que tem um legado de sabedoria, resiliência e humanidade, como todos o que o conhecem sabem”, refere o presidente da junta de freguesia, Carlos Rodrigues.
“Tive o privilégio de o ouvir há instantes com algumas histórias desde a sua dura infância. Deixa qualquer pessoa deleitada quando fala, levando-nos a imaginar como seria há largas dezenas de anos atrás”, adianta o autarca.
Neste dia tão especial, a junta de freguesia associa-se com “profundo carinho e admiração às comemorações do seu aniversário, desejando-lhe muita saúde, serenidade e alegria, rodeado do afeto da família, dos amigos e de toda a comunidade que hoje lhe presta homenagem”. “É uma honra para a nossa freguesia contar com alguém tão especial e com uma história de vida tão notável”, conclui Carlos Rodrigues.
Já o neto, Hélder Varela, escreveu uma emocionante mensagem de homenagem ao avô.
“O meu avô Joaquim Varela celebra hoje mais um aniversário. Já são 111 primaveras, fazendo dele o homem mais velho de Portugal, constando o seu nome na lista de super centenários do Guiness Book”, disse.
Alentejano de gema, nasceu no concelho de Ourique. Muito jovem ficou órfão de pai e teve de ajudar a mãe, uma vez que era o menino mais velho, a criar os irmãos e irmãs. “Fez de tudo um pouco até que veio para o concelho de Odemira, aí é num local chamado Castelão na freguesia de São Luiz (sim o nome era com Z na altura), conheceu aquela que viria a ser sua esposa e mãe dos seus filhos, a minha avozinha Augusta Parreira”.
Juntos tiveram 8 filhos, dos quais somente 5 chegaram aos dias de hoje, trabalharam durante anos a fio uma herdade que não era sua, mas que acabou por lhes dar a todos o cognome “Vale Vistoso”, depois do 25 de abril de 1974, tudo começou a mudar, e já sem os filhos em casa mudaram-se para o Castelão.
Aí, ficou viúvo há 33 anos. Para não ficar sozinho, passou a viver com as duas filhas mulheres, dividindo o seu tempo entre São Brás de Alportel e o Cercal do Alentejo.
“Sempre bem disposto, com uma teimosia que o caracteriza e um sentido de humor muito dele vai somando os anos, agora celebrando as conquistas dos netos e bisnetos, e enquanto vê o mundo acelerar a uma velocidade que já não é a sua, comentou há dias ao meu ouvido: estou cansado, mas não quero morrer ainda! Quero ver o casamento do Diogo”.
“Infelizmente o ano passado não foi fácil para ele, caiu pela primeira vez, apanhou pneumonia, esteve uns dias internado no hospital e depois no regresso a casa, o corpo como é compreensível, não acompanhou a recuperação, perdeu a visão quase toda e a audição fez lhe companhia e a questão da não existência de passeios decentes para andar, obrigaram-no a parar as suas rotinas de correr a vila a falar com toda a gente, a saber as notícias, a socializar como ele tanto gosta”, adianta Hélder Varela.
“Mas ele não se resigna. Cada pessoa que entra em casa ele vai ver quem é, ele questiona quase em modo interrogatório e sabe (ou tenta saber de tudo) e tem a sua opinião muito própria acerca de tudo. Reclama das reformas baixas, do preço do petróleo, enfim é o mesmo de sempre”, desabafa o neto.

