É com enorme satisfação que assumo este espaço mensal de opinião, exclusivo no Setúbal Mais. Acolher o confronto de ideias e ouvir todas as visões é a verdadeira essência da democracia. Felicito o diretor Florindo Cardoso pela coragem de manter este canal de debate verdadeiramente livre.
Passado um ano e quatro dias deste mandato, sejamos frontais: o que mudou em Setúbal? A resposta é simples e desconfortável: pouco ou nada.
Há mais de duas décadas que a habitação no nosso concelho está estagnada. Não se constrói, não se inova e perpetua-se uma política assistencialista ultrapassada, focada em subsidiar e priorizar quem nada produz nem contribui para a nossa economia. Enquanto isso, quem trabalha é punido. No tarifário da água e na gestão dos resíduos, a fatura dos sucessivos aumentos continua a ser descarregada sem piedade sobre os ombros da classe média.
Paralelamente, a atração de investimento e empresas foi completamente ignorada. Enfrentamos uma dívida municipal astronómica, fruto direto de anos de uma gestão danosa e irresponsável por parte do executivo da CDU. Este novo executivo tenta agora remediar o caos financeiro herdado, mas o ritmo é insuficiente para a urgência que se exige.
Nem tudo foi um erro total: a aprovação da Polícia Municipal e o aumento da fiscalização nas habitações sociais foram decisões corretas e necessárias. Mas é preciso muito mais.
A nossa posição será de vigilância implacável. Não daremos tréguas nem faremos cedências. Todas as nossas decisões servem os interesses dos munícipes, sem nunca hipotecar a nossa matriz ideológica nem ceder a facilitismos.
Há quem pareça sofrer de amnésia política, mas farei questão de repetir a mensagem as vezes que forem precisas: apoiar Maria das Dores Meira nunca orgulharia o nosso partido. Dores Meira e Isaltino Morais encarnam a pior face da política portuguesa — o populismo, o desrespeito pelas instituições e a falta de ética. É lamentável constatar que ainda há quem ignore as diretrizes da liderança, desconheça a doutrina do próprio partido ou demonstre uma total ignorância sobre o funcionamento básico de uma Sessão de Câmara ou Assembleia Municipal.
Não viemos para agradar nem para fazer figura de corpo presente. Viemos para exigir contas e defender Setúbal.
Seguiremos firmes, intransigentes e sem medo. Bem-haja a todos!
Luís Maurício, autarca na Câmara Municipal de Setúbal, fundador do partido Chega e militante n.º 18


