Francisco Macheta, presidente da ARCOLSA – Associação Regional de Criadores de Ovinos Leiteiros da Serra da Arrábida espera 18 a 20 mil visitantes para a 30.ª edição do Festival do Queijo, Pão e Vinho que vai realizar-se em São Gonçalo, na freguesia da Quinta do Anjo, no concelho de Palmela. A novidades deste ano é a realização de sunsets com DJ’s, para “tornar o festival mais atrativo”. O certame vai contar com 50 expositores, mas não haverá o concurso de queijos devido à falta de interesse dos produtores. Francisco Macheta destaca o valor económico do certame com a venda de 4 a 5% da produção anual do Queijo de Azeitão. Para 2027, o presidente da ARCOLSA tem em mente a ampliação do parque de estacionamento dentro do recinto do festival para mil lugares.
Florindo Cardoso
Setúbal Mais – Quais as principais novidades do Festival do Queijo, Pão e Vinho deste ano?
Francisco Macheta – Os sunsets com DJ’s porque é uma preocupação tornar o festival o mais atrativo possível para quem nos procura, essa é a nossa grande aposta. Temos cerca de 50 expositores, entre os quais 39 produtores de queijo, pão, vinho, doçaria, restauração e as entidades oficiais. Em termos de visitantes a nossa expetativa é sempre de 18 a 20 mil. Não quer dizer que possa crescer. Tudo depende das boas condições atmosféricas. É importante referir o aumento do tempo de permanência das pessoas no espaço durante os dias do festival. Temos pessoas a entrar às 9h00, que vêm para o participar no trail e depois saem daqui às 22h00. É um sítio acolhedor que todos os anos tentamos melhorar. As pessoas gostaram de estar aqui e desta ruralidade. A maioria dos visitantes são da Grande Lisboa. Este ano, vamos realizar um estudo para saber a origem dos visitantes.
Setúbal Mais – De que forma o festival ajuda os produtores?
Francisco Macheta – Para a atividade económica tem sido muito importante. Estimamos que o festival represente 4 a 5% das vendas do Queijo de Azeitão. Estamos a falar de um queijo que tem uma faturação anual de 5 milhões de euros. Quem nos visita pode falar diretamente com os produtores, valorizando o seu trabalho e a componente económica do festival.
Setúbal Mais – Em termos de segurança, o que está previsto?
Francisco Macheta – Continua a ser assegurada por uma empresa privada. O comando da GNR de Setúbal entendeu que trata-se de um evento privado pelo que não poderia efetuar a segurança durante os três dias. É uma decisão que respeitamos.
Setúbal Mais – E em termos de segurança alimentar?
Francisco Macheta – Não há nenhum expositor que não tenha licenciamento para produção e aqui dentro tem que respeitar as regras sanitárias. Recebemos visitas todos os anos dos inspetores da ASAE e nunca houve problema.
Setúbal Mais – Senti alguma mágoa de não realizar-se este ano o Concurso de Queijos?
Francisco Macheta – Fico triste. Esperávamos uma maior adesão dos produtores. Lembro o tempo de Isidoro Fortuna (também produtor de queijo) que conseguia uma agregação que agora não é possível. Adorava fazer esse concurso com todas as queijarias e que não houvesse tanta relutância em entrar no concurso que é uma mais valia para o festival. Os produtores não interpretam da mesma forma e nós respeitamos.
Setúbal Mais – Como foi o ano de 2025 em termos de produção do Queijo de Azeitão?
Francisco Macheta – Em termos de consumo do Queijo de Azeitão foi na mesma ordem dos anos anteriores. Na produção, registou-se uma redução quase residual, porque houve receio dos produtores de produzirem mais com medo de diminuição no consumo, e tivemos uma quebra de stock na altura do Natal. Não se vendeu mais porque não havia matéria-prima para tanta procura. É um reconhecimento do trabalho feito pelas queijarias. São eles os grandes responsáveis por o Queijo de Azeitão ter ganho o terceiro lugar no concurso dos melhores queijos do mundo. A ARCOLSA é uma mera gestora e entidade certificadora, que garante o cumprimento de regras.
Setúbal Mais – Em relação aos custos de produção, havia uma preocupação dos produtores?
Francisco Macheta – Em 2024, houve um grande acréscimo dos custos de produção que se refletiu nos preços do leite e do queijo. Isso não levou a qualquer tipo de quebra em termos de vendas. Há o reconhecimento de um produto de excelência.
Setúbal Mais – Disse que a construção de um parque de estacionamento em 2027 nos terrenos da ARCOLSA é um dos grandes objetivos para 2027?
Francisco Macheta – O parque tem uma área de 65 mil metros quadrados, dos quais 20 mil de área coberta. É um terreno muito grande que só necessita de limpeza e criar uma infraestrutura básica para que posse ser utilizado para estacionamento. Precisamos da ajuda da Câmara Municipal de Palmela, em termos de logística, porque há detritos muito grandes que necessitam de ser removidos para permitir a circulação das viaturas. O estacionamento é uma preocupação muito grande para nós. Acredito que podemos triplicar o número de lugares de estacionamento, conseguindo mais de mil. Este ano, foram instaladas passadeiras, dando segurança às pessoas que circulam pela ciclovia que foi construída recentemente, permitindo atravessar a estrada para entrar no evento que recebe milhares de visitantes. A fábrica da Coca Cola continua a ceder um espaço para estacionamento nos dias do festival, o que uma mais valia.
De 27 e 29 de março, em São Gonçalo, na Quinta do Anjo
Festival do Queijo, Pão e Vinho espera 18 a 20 mil visitantes
A 30.ª edição do Festival do Queijo, Pão e Vinho que vai realizar-se entre os dias 27 e 29 de março de 2026, em São Gonçalo, na Quinta do Anjo, concelho de Palmela espera 18 a 20 mil visitantes. Esta é a expetativa do presidente da ARCOLSA – Associação Regional de Criadores de Ovinos Leiteiros da Serra da Arrábida, Francisco Macheta, revelada na conferência de imprensa que contou ainda com a presença da presidente da Câmara Municipal de Palmela, Ana Teresa Vicente, o vereador do Turismo, Pedro Taleço, e do presidente da Junta de Freguesia da Quinta do Anjo, Nuno Valente.
O evento que contará com cerca de 50 expositores, a maioria dos quais dedicados a produtos tradicionais da região como seis queijarias, três delas de Queijo de Azeitão, pão, vinhos, doçaria, e stands institucionais, tem o apoio da junta de Freguesia da Quinta do Anjo e da Câmara de Palmela.
O presidente da ARCOLSA disse que prevê, assim as condições meteorológicas o permitam, a participação de 18 a 20 mil pessoas nesta edição do Festival do Queijo, Pão e Vinho, um número superior aos 18 mil registados em 2025, destacando o apoio financeiro de 7.500 euros da Câmara Municipal de Palmela que cresceu 50% em 2026, complementado por um apoio logístico fornecido pelas autarquias, avaliado em 18 mil euros. O orçamento total da iniciativa é de 50 mil euros.
Francisco Macheta disse ainda que “este ano temos a novidade dos Sunsets, com DJ’s, porque é preocupação nossa que o festival seja atrativo e irmos de encontro a quem nos procura”, sublinhando ainda as melhorias no espaço infantil existente no recinto, que terá mais divertimentos, a realização de showcookings pelo Chef Pedro Ascensão, o Trail “Queijo, Pão e Vinho”, pela Limited Edition Team, e os passeios de bicicleta de estrada e BTT, promovidos em parceria com a Associação desportiva Bike Nutrition.
O presidente da ARCOLSA recordou o sucesso que constitui a corrida de ovelhas, iniciada em 2006, ponto alto do festival que atrai bastante público, e as demonstrações de tosquia manual e mecânica.
Segundo Francisco Macheta, o festival já representa entre 4% e 5% da faturação anual do queijo de Azeitão. “Estamos a falar de um Queijo de Azeitão que tem uma faturação de 5 milhões de euros e 4 a 5% desse valor depende do festival”, disse o responsável, que também destacou a “elevada taxa de permanência dos visitantes”, muitos dos quais permanecem no recinto o dia inteiro.
A presidente da Câmara de Palmela salientou a afirmação progressiva do festival ao longo dos anos e destacou a visão da autarquia e, sobretudo, dos pioneiros da iniciativa. “Creio que a Câmara Municipal de Palmela e os produtores tiveram visão quando perceberam que tínhamos aqui um produto de excelência e que devíamos valorizá-lo e trazê-lo para a ribalta neste contexto da nossa região”, disse a edil.
A autarca lembrou que “os queijos têm ganho prémios internacionais, nomeadamente há um terceiro lugar recentemente num festival internacional, num certame de grande qualidade e de grande exigência”, convicta de que o festival “tem contribuído para o reconhecimento e para a valorização do produto”.
A autarca de Palmela salientou ainda que o festival também tem sido importante para a valorização das queijarias da região, que nada têm a ver com as que existiam há 30 anos na freguesia.
Já o presidente da Junta de Freguesia de Quinta do Anjo valorizou o facto de este evento ter “cada vez mais expressão nacional, e até internacional”. Nuno Valente disse ainda que a autarquia “apoiará sempre esta iniciativa”.
O certame é organizado pela ARCOLSA e pela Câmara Municipal de Palmela, com o apoio da Caixa de crédito Agrícola, da AMARSUL, da Rota dos Vinhos da Península de Setúbal e da Junta de Freguesia da Quinta do Anjo.
O Festival do Queijo Pão e Vinho é um EcoEvento. Os copos utilizados no evento são reutilizáveis e são vendidos a um euro, os de plástico, e a dois euros os de vidro, para o vinho. Os visitantes podem levar de casa o seu próprio copo. A entrada custa 2 euros.

