A Lisnave fechou 2025 com um resultado líquido de 6,3 milhões de euros, mantendo a linha dos resultados do ano anterior. O volume de negócios atingiu os 127,4 milhões de euros, superior aos 120,8 milhões apurados em 2024.
A empresa quer continuar a explorar os estaleiros da Mitrena, no concelho de Setúbal, após ter sido recusada a prorrogação do contrato de concessão que termina em 2027, considera que a política de investimentos e renovação de infraestruturas para a melhoria da operação dos estaleiros em Setúbal está “condicionada pela renovação da concessão”.
Recorde-se que o governo já anunciou o lançamento em 2026 de um concurso para a exploração dos estaleiros navais da Mitrena, havendo já interessados como a Martifer, dona dos estaleiros de Viana do Castelo e de Mário Ferreira, proprietário da Douro Azul que é que acabou de comprar os estaleiros de Aveiro.
No relatório de gestão e contas de 2025, que será discutido na assembleia geral anual marcada para dia 1 de abril, a Lisnave refere que em 2025 efetuou “investimento, quer em novos meios, quer em reforço, quer em upgrade de infraestruturas e equipamentos existentes, tendo aplicado, no exercício em análise, cerca de 8,77 milhões de euros”.
A empresa destaca a continuidade “da sua política de investimentos e renovação de infraestruturas para garantir a manutenção e melhoria contínua das condições de operacionalidade do estaleiro” está “condicionada com a renovação da concessão”.
A empresa de reparação naval, que tem como principal acionista a Navivessel, com 72,89%, seguindo-se a Thyssenkrupp com 20%, a Parpública com 2,97% e 4,14% do capital a outros acionistas, lembra que “os montantes acumulados de investimentos efetuados desde 2000, ano em que foi comprada por 1 dólar ao grupo José de Mello por dois gestores, ascendem, em valores nominais, a cerca de 52,41 milhões de euros”.
A Lisnave explica que os resultados operacionais foram “influenciados favoravelmente pelo aumento das vendas e das margens brutas dos projetos”, mas em sentido contrário “pelo acréscimo das depreciações, decorrente do elevado volume de investimentos concluídos em 2025, cujo período de depreciação está associado ao prazo da concessão do estaleiro”.
O conselho de administração propõe atribuir uma gratificação de balanço à generalidade dos trabalhadores de 850 mil euros e a distribuição de 6.280 milhões em dividendos aos acionistas.
A empresa salienta que “os desafios colocados pelas perturbações no golfo de Adem e no mar Vermelho, e a redução da atividade no canal do Panamá”, provocada pela seca na região, “contribuíram para a ‘nova estabilidade’ no mercado do ‘shipping’ ao nível mundial”, agravada pela “instabilidade gerada pela incerteza acerca das tarifas” da administração norte-americana de Donald Trump. Esta “nova estabilidade da economia mundial”, que não prevê que se altere a curto prazo, “fez com que a procura de reparação naval para a Lisnave em número de consultas tenha crescido cerca de 5% face a 2024”. “Este crescimento da procura de reparação naval pela Lisnave, com exceção do segmento de mercado de carga contentorizada que reduziu cerca de 8%, verificou-se em todos os outros segmentos de mercado”, refere no relatório, explicando que as negociações destas consultas geraram 86 encomendas, mais 4% do que no ano anterior.
A taxa de sucesso comercial atingiu 14%, influenciada pelas “obras de reabilitação do estaleiro, oficinas, cais e equipamentos”, já que “um elevado número de projetos, ainda mais elevado do que em 2024,não pôde ser aceite por indisponibilidade de alguns ativos do estaleiro em manutenção”.
A atividade manteve uma forte componente internacional. Dos 83 navios reparados em 2025, apenas dois foram para o mercado nacional, com os restantes a provirem de 24 países, destacando-se Noruega, Singapura e Grécia.

