Direção do Vitória dá explicações sobre negócios polémicos: “Projeto imobiliário é essencial para a sobrevivência do Vitória”

A direção do Vitória Futebol Clube (VFC), presidida por Francisco Alves Rito, explica os negócios polémicos sobre os terrenos do clube, nomeadamente a relação com sociedade Importantaltura Lda e o projeto imobiliário previsto para o estádio do Bonfim.

O VFC esclarece que “não tem qualquer contrato ou negócio pendente com a sociedade Importantaltura Lda”, adiantando que “o contrato anteriormente existente com a referida sociedade, de compra e venda de ações da Vitória FC Sociedade Anónima (SAD), foi resolvido há mais de um ano, muito antes da entrada em funções dos atuais órgãos sociais (em março de 2025)” e a relação que existiu vinculava “somente a SAD e os valores reclamados pela Importantaltura não foram reconhecidos no âmbito da insolvência e liquidação da SAD pelo que a referida sociedade nada tem a receber da massa falida da SAD e ou do Vitória Futebol Clube”.

A direção garante que tem “uma declaração, assinada pela gerência da Importantaltura, em que a sociedade expressamente renuncia a todo e qualquer direito sobre o Vitória Futebol Clube”, sublinhando que os factos publicados pelo jornal Público são relativos “a negócios antigos”, embora alguns aspetos sejam “novidades, que os atuais órgãos sociais do clube também desconheciam, como sejam as relações pessoais entre alguns intervenientes nos processos em que o Vitória FC tem sido parte”.

“O único contrato em vigor é o Contrato Promessa de Compra e Venda de Bem Futuro, relativo ao projeto imobiliário para o Bonfim que a anterior direção do clube assinou com a sociedade Mirante Sideral, Lda”, assegura o VFC.

Para a direção do emblema sadino, “o projeto imobiliário é essencial para a sobrevivência do Vitória Futebol Clube por ser nesta alienação dos topos do lote do atual estádio que assenta o Plano de Insolvência e Recuperação de Empresa (PIRE), que foi homologado pelo Tribunal do Comércio de Setúbal”, Aliás, acrescenta que “é através deste projeto imobiliário que o clube pretende obter a receita necessária para o bom cumprimento do PIRE, cujas obrigações ascendem a cerca de 9,3 milhões de euros”.

“A boa execução deste projeto não apenas assegurará o saneamento financeiro do Vitória FC como deixará o clube em condições de iniciar um ciclo de sustentabilidade, a partir de divida zero, pouco comum no Futebol em Portugal”, frisa a direção, salientando que “o contrato entre o Vitória FC e a sociedade Mirante Sideral abrange apenas e exclusivamente os dois lotes correspondentes aos topos do atual Estádio do Bonfim, sendo, por isso, geradora de confusão”, já que a notícia do Público, na parte em que refere que os terrenos de “Vale do Cobro e Bonfim foram ligados a projetos urbanísticos prometidos pela Importantaltura que nunca avançaram”. Em rigor, “os terrenos de Vale do Cobro não estão incluídos em qualquer contrato ou negócio em vigor e os terrenos do Bonfim não têm qualquer relação com a Importantaltura. O projeto imobiliário é com a sociedade Mirante Sideral e apenas para o Bonfim”.

No âmbito do contrato em vigor, a Mirante Sideral assumiu “o pagamento das dívidas do Vitória Futebol Clube, estando, desde que o PIRE foi homologado, no último trimestre do ano passado, a cumprir rigorosa e pontualmente o pagamento das prestações do plano. A direção do Vitória FC espera que esta sociedade cumpra também com o pagamento à Autoridade Tributária (AT) logo que este seja exigível ou ainda antes”, refere o comunicado, revelando que a 15 de dezembro, a direção do Vitória FC instou o gerente da Mirante Sideral, Lda, Carlos Guimarães Pinto, “a comprovar a vontade e a capacidade da sociedade para cumprir as suas obrigações no contrato”.

“A direção instou a Mirante Sideral a avançar com o pagamento à Autoridade Tributária e com o adiantamento da última tranche do sinal do negócio, como forma de tranquilizar todos os agentes interessados e dar confiança ao Vitória FC e seus associados, assim como à Câmara Municipal de Setúbal”, afirma, sublinhando que “ogerente da Mirante Sideral comprometeu-se a analisar este pedido do Vitória FC e reiterou que a sociedade e o seu gerente, Carlos Guimarães Pinto, nada têm a ver com a sociedade Importantaltura”.

 A ligação do Município de Setúbal a este único contrato em vigor, entre o Vitória FC e a Mirante Sideral, é “apenas enquanto entidade pública licenciadora do projeto imobiliário, designadamente, por enquanto, na apreciação e decisão sobre o Pedido de Informação Prévia (PIP), que começou no anterior mandato e se encontra ainda pendente, embora em fase de conclusão”.

A direção do Vitória FC reitera o seu “empenho na concretização do projeto imobiliário para o Bonfim, como condição para a salvação do clube, e reforça o seu compromisso total com o cumprimento do PIRE e de todas as obrigações com todos os parceiros, públicos e privados, continuando a assumir as suas responsabilidades com rigor e transparência, como tem feito desde o início do mandato”.