O projeto CoastNet 2030 instalou uma infraestrutura, numa boia no estuário do Sado, que visa a monitorização da vida animal desta área marinha protegida, recolhendo de informação para permitir o seu estudo e caracterização, sendo financiado pelo Programa Operacional MAR2030 no âmbito do aviso para “Apoio à Proteção e Restauração da Biodiversidade e dos Ecossistemas Marinhos”, e envolve o Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e a Universidade de Évora.
Coordenado pela investigadora Ana Brito, do MARE, centro que dedica-se à investigação científica, desenvolvimento tecnológico e inovação, o projeto tem um orçamento global de 1,1 milhões de euros com uma vigência de dois anos tem como objetivo de avaliar e promover o bom estado ambiental do meio marinho, monitorizar e proteger os ecossistemas, e prevê a atualização, melhoramento e expansão da rede de monitorização CoastNet, bem como o desenvolvimento de novas aplicações de observações por satélite da zona costeira.
“A manutenção, substituição, tudo o que tem a ver com manter o equipamento que está exposto a todas as intempéries, é um grande desafio”, disse Ana Brito, salientando que o projeto contempla também a instalação de hidrofones nas boias instaladas nos estuários dos rios Mondego, Tejo e Sado, que vão permitir “escutar os sistemas costeiros”.
Segundo Ana Brito, que falava na apresentação do projeto no auditório do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a 25 de junho, em Setúbal, os hidrofones vão ajudar a perceber melhor o impacto do ruído das embarcações nas referidas zonas estuarinas, ajudando a definir respostas adequadas.
Já Isabel Moura Ramos, da APSS (Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra) disse que “há um compromisso muito claro por parte da APSS em defesa do estuário do Sado, ainda que sabemos que a nossa atividade tem impacto, mas é com estas medidas que conseguimos monitorizar, atuar preventivamente para que esta desenvolva-se em comunidade, com a vida marinha” e contribuir para “a sustentabilidade do estuário do Sado e dos portos de Setúbal e Sesimbra, ao monitorizar e ter acesso aos dados”
Helena Adão, professora da Universidade de Évora e representante do MARE, sublinhou que trata-se de “um projeto bandeira” e de “grande relevância para o país a nível de estuários, um caso raro mesmo a nível internacional”, com o qual “temos uma forte ligação desde o início, mesmo nos momentos em que ficámos sem financiamento para a manutenção da boias, não permitindo a sua destruição, mantendo a sua assistência”, realçando “a ligação da ciência à sociedade, enquanto fundamento para as boas decisões públicas”.
Margarida Reis, vice-presidente da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, disse que “estas infraestruturas são uma questão crítica para o país, porque muitas delas estão paradas porque deixaram de ter financiamento e sobrevivem à conta de projetos paralelos”, acrescentando que “o acesso livre aos dados é uma questão crucial para a ciência”.
José Luís Costa, coordenador do CoastNet (infraestrutura de investigação do MARE, que resultou de uma parceria entre a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e a Universidade de Évora), e professor da mesma universidade, afirma que os objetivos são “realizar na costa portuguesa observações e medições, quer de forma remota, quer no terreno, predominantemente de modo contínuo, integrar e permitir a visualização dos dados obtidos, permitir o livre acesso e em tempo quase real aos dados recolhidos, bem como os dados históricos compilados, desenvolver um conjunto de produtos e indicadores para a zona costeira”.

