José Carlos de Sousa, candidato do PS à presidência da Câmara Municipal de Palmela, nas eleições autárquicas deste ano, sublinha que aceitou esta candidatura com “a forte convicção de que posso ser útil” ao concelho. Professor com uma larga carreira autárquica e ligada ao associativismo, sendo atualmente presidente da Assembleia Municipal de Palmela, o primeiro em 50 anos fora da CDU, que apresenta-se com o lema “É hora de acreditar”, afirma que “estamos cá para trabalhar, projetar e realizar”. O candidato, de 59 anos, independente, defende “uma governança aberta, transparente e acessível”. Propõe um plano para a mobilidade sustentável e acessível, criando uma rede de transportes gratuitos e planos de ciclovias interligando as freguesias, o apoio ao empreendedorismo local, a melhoria das infraestruturas de saúde e a valorização do património e cultura, entre outras medidas.
Florindo Cardoso
Setúbal Mais – Quais as razões que o levaram a avançar para uma candidatura à presidência da Câmara de Palmela?
José Carlos de Sousa – É preciso uma certa coragem. Aceitei-o com a forte convicção de que posso ser útil, em função do tudo aquilo que já conheço e domino do município, de todo o trabalho que tenho realizado por aqui e de toda a ligação que tenho à terra.
Estou cá desde sempre. Fui membro da Assembleia de Freguesia de Pinhal Novo, membro da Assembleia Municipal, vereador sem pelouros oito anos. Hoje sou o presidente da Assembleia Municipal de Palmela. O primeiro em 50 anos que não é da CDU.
Tinha e continuo a ter uma noção muito clara das necessidades, dos anseios, das características do concelho. Trabalhando fora tenho a vantagem de percorrer o país e de perceber as diferentes dinâmicas existentes, independentemente dos partidos que governam as diferentes autarquias. Pode-se fazer muito mais e de forma diferente. Há que agir e ter uma visão abrangente.
Ser candidato a presidente de câmara além de ser um orgulho, confere-me a perspetiva de poder ajudar a fazer a diferença num concelho que, como sempre disse, de há muitos anos a esta parte, tem muitas fragilidades a vários níveis. Estamos cá para trabalhar, projetar e realizar.
Setúbal Mais – Em termos gerais, quais as ideias e projetos que defende para o concelho?
José Carlos de Sousa – No meu projeto para o concelho de Palmela, a minha principal prioridade é garantir uma governança aberta, transparente e acessível. A participação cidadã será um pilar fundamental, com nova metodologia onde os munícipes se revejam e onde existam decisões efetivas permitindo que os cidadãos decidam, de forma ativa, sobre o futuro da nossa terra. Propomos também um plano para a mobilidade sustentável e acessível, criando uma rede de transportes gratuitos e planos de ciclovias interligando as freguesias. Para a sustentabilidade ambiental, temos a proposta de um Sistema de Gestão Ambiental e o incentivo ao uso de energias renováveis. Outras áreas de destaque incluem o desenvolvimento económico, com apoio ao empreendedorismo local, a melhoria das infraestruturas de saúde e a valorização do nosso património e cultura. Há necessidade de criar condições de bem estar para os trabalhadores do município. Há relevância na implementação de programas de apoio ao estudo, programas de ocupação de tempos livres nas férias escolares (em especial no mês de agosto), educação ambiental e cidadania, além de um Plano denominado “Palmela Cresce Saudável”, que responda aos desafios de uma população jovem, ativa e participativa.
Setúbal Mais – Tem um longo percurso ligado à vida autárquica do concelho, e ao ensino, sendo agora presidente da Assembleia Municipal. Considera isso importante para quebrar o ciclo político da CDU que lidera a câmara desde as primeiras eleições autárquicas democráticas?
José Carlos de Sousa – Sim, acredito que o meu percurso tanto na vida autárquica, como no ensino e no movimento associativo me dá uma visão abrangente das necessidades e desafios do concelho. A experiência adquirida como presidente da Assembleia Municipal, além dos meus oito anos como vereador, permitem-me conhecer em profundidade a realidade de Palmela e os processos de gestão pública. Esta experiência e vivência é crucial para promover uma mudança política eficaz, que vá além da continuidade de um ciclo de gestão desgastado, prolongado e enfraquecido pelo tempo. Defendo uma mudança suportada na ação que traga uma nova visão, mais inclusiva e participativa, respeitando as tradições do concelho, mas também impulsionando a inovação e o desenvolvimento.
Setúbal Mais – Como avalia os últimos anos de gestão da CDU?
José Carlos de Sousa – A gestão da CDU tem sido marcada por algumas realizações, mas também por desafios significativos que não foram devidamente enfrentados. A falta de um verdadeiro envolvimento da população nas decisões, a demora na resolução de problemas de infraestrutura e mobilidade, e a falta de um plano estratégico claro para o futuro de Palmela são alguns dos pontos críticos. Sente-se a estagnação, a falta de ação e de envolvimento. Acredito que a gestão pode ser mais ágil por parte dos nossos serviços, focada na inovação, como a implementação de um novo e verdadeiro Balcão Único Digital, bem como a melhoria da qualidade de vida dos munícipes, principalmente naquilo que diz respeito a áreas fundamentais como a habitação, a educação e a mobilidade.
Setúbal Mais – Como encara a CDU apostar numa antiga presidente como candidata a exemplo do que está a fazer noutros concelhos do distrito? Pensa que isso revela falta de pessoas novas?
José Carlos de Sousa – É uma pergunta para a CDU claramente. Todavia há aspectos que são irrefutáveis. A aposta em figuras do passado, como a antiga presidente da câmara, pode ser vista por alguns como uma busca pela estabilidade, mas também reflete a falta de renovação e de novas ideias no seio da CDU. Eu acredito que é fundamental promover o aparecimento de novas lideranças, que tragam novas soluções para os problemas atuais do concelho. A política precisa de renovação e de alternância, de ideias novas, e de uma visão mais atualizada das necessidades da população. Isso não quer dizer que se deva ignorar a experiência. Em contraponto, a minha candidatura defende justamente essa aproximação com o novo – trazendo ideias disruptivas, plataformas digitais e mecanismos de participação cidadã – mostrando que o futuro passa por uma gestão que valorize as experiências passadas e, simultaneamente, se reinvente para responder aos desafios atuais e futuros do concelho.
Setúbal Mais – Qual a mensagem que deixa aos munícipes para votarem no seu projeto nas próximas eleições autárquicas?
José Carlos de Sousa – A minha mensagem é clara: queremos um futuro mais justo, inclusivo e sustentável para Palmela. Há que não perder a esperança! Não podemos resignar-nos! Um concelho onde todos têm voz e onde as decisões são tomadas com a participação ativa de todos os cidadãos. O meu compromisso é com uma gestão transparente e com um foco na melhoria das condições de vida de todos os munícipes, principalmente nas áreas da habitação, educação, limpeza do espaço público, mobilidade e fomento da economia local. Com o apoio de todos, podemos construir uma Palmela mais moderna, mais inclusiva e mais preparada para os desafios do futuro. Vamos, juntos, dar um novo rumo ao concelho com mais ação e mais visão!




