Obra será apresentada em Setúbal em outubro
Vera Nobre lança conto “O marechal melómano” sobre Luísa Todi
O conto é baseado num episódio histórico verídico que ocorreu na cidade do Porto, em 1809, tendo como protagonista a famosa cantora lírica Luísa Todi, natural de Setúbal. A história põe em relevo as qualidades extraordinárias desta mulher, uma artista corajosa e patriota. “O marechal melómano” foi lançado no Festival Literário Correntes d’Escritas 2025 que decorreu na Póvoa de Varzim, incluído na apresentação da 8.ª edição da revista literária Palavrar, onde foi publicado. Luísa Todi podia ter perdido a vida no desastre da Ponte das Barcas. Morreram ali centenas de pessoas por altura da Invasão Francesa do Porto, em 1809. Ela acabou por ser salva graças à sua carreira como cantora lírica internacional, sendo como tal reconhecida pelo Marechal Soult, comandante das tropas do exército francês. Ele era grande amante de música e por essa razão a protegeu e o desenlace da história demonstra a força e resiliência desta grande mulher. A autora estará na Biblioteca de Setúbal, a 18 de outubro, para apresentar a obra.
Setúbal Mais – Como surgiu a ideia de escrever este conto sobre Luísa Todi?
Vera Nobre – Sou historiadora de arte e encontrava-me a certa altura, para o meu trabalho, a estudar o baixo-relevo intitulado “As Alminhas da Ponte”, do escultor Teixeira Lopes. Esta obra recorda o desastre da Ponte das Barcas, ocorrido em 1809, no Porto, quando a população tentava escapar das tropas do Marechal Soult, durante as invasões francesas. Essa ponte de madeira, que ligava as duas margens, cedeu sob o peso da multidão que fugia em pânico. Ali morreram centenas de pessoas. Fiquei a saber que Luísa Todi (que morava no Porto nessa altura) se encontrava entre os fugitivos, portanto ela podia ter morrido nessa ocasião trágica. Tenho grande admiração por Luísa Todi e resolvi contar este episódio da sua vida onde demonstra toda a sua força e resiliência enquanto mulher e artista.
Setúbal Mais – Esse facto levou a investigar mais esta história?
Vera Nobre – Fiquei curiosa sobre as circunstâncias da sua fuga e, investigando, fiquei a saber que Luísa Todi acabou por ser salva graças à sua carreira musical. Ela tornara-se conhecida como cantora lírica internacional, sendo como tal reconhecida pelo marechal Soult, comandante das tropas do exército francês. Ele era grande amante de música e por essa razão a protegeu. No entanto, Luísa Todi optou pelo caminho da liberdade, o que acabou por a levar à precariedade no final da sua vida. Luísa Todi fez uma escolha difícil e corajosa, a de preferir não pactuar com os franceses e foi esse seu gesto nobre e feminista avant la lettre que eu pretendi desenvolver no conto. O desenlace da história é surpreendente e comovente.
Setúbal Mais – Como tem sido a adesão do público a este conto?
Vera Nobre – O conto “O Marechal melómano” foi publicado na 8.ª edição da Revista Literária Palavrar, tendo sido lançado no Festival Literário Correntes d’Escritas 2025 que decorreu na Póvoa de Varzim. Tenho recebido comentários muito positivos e curiosos sobre este episódio da vida de Luísa Todi. O conto está disponível para leitura gratuita aqui: https://palavrar.oprazerdaescrita.com/o-marechal-melomano/
Setúbal Mais – Pensa vir a Setúbal apresentar a obra?
Vera Nobre – Sim, tenho agendada uma apresentação do conto “O Marechal Melómano” no dia 18 de outubro na Biblioteca Municipal de Setúbal onde estarei presente para dar a conhecer esta história diretamente aos leitores setubalenses.

Historiadora e escritora
Vera Nobre dá vida a personagens históricos
Vera Nobre, licenciada em História de Arte pela Universidade Nova de Lisboa, é diretora editorial na plataforma digital Art&Architecture Portugal e Brasil. Escreve também no Repórter Sombra sobre arte e cultura. Quando escreve ficção, gosta de viajar no tempo, descobrindo a vida singular de personagens históricos, como no conto “A guerreira” galardoado pelo Prémio Literário Luís Vilaça – 2024 e em “A História de Panglima, o escravo de Fernão de Magalhães”, livro publicado em 2024, pela Editora Cordel de Prata, com o patrocínio da Embaixada das Filipinas em Portugal.

