Estudo sobre rochedo em risco de derrocada na Arrábida adjudicado

A presidente da Câmara Municipal de Setúbal revelou que já foi adjudicado um estudo geológico e geotécnico do bloco rochoso que obrigou ao corte da estrada entre as praias da Figueirinha e Galapos em fevereiro de 2023.

“Estabelecemos o necessário diálogo com o Ministério do Ambiente, com a Secil, com o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e ainda com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), e procurámos a concertação entre todas as partes”, disse Maria das Dores Meira, na reunião pública de 23 de janeiro, acrescentando que “o protocolo foi assinado antes do Natal e o estudo geológico e geotécnico foi, de seguida, adjudicado pela Secil”.

O rochedo em causa, que segundo a Proteção Civil poderá ter mais de mil toneladas, está em risco de cair sob a estrada do Círio (Estrada Nacional 379-1), entre as praias da Figueirinha e de Galapos, condicionando o acesso rodoviário a outras praias e obriga os automobilistas a um percurso alternativo muito mais longo, pelo alto da serra da Arrábida.

A autarca eleita pelo movimento independente Setúbal de Volta reconhece que se trata de um “processo muito complexo, que exige avaliação em áreas de engenharia nas quais existem poucos especialistas” e responsabiliza o anterior executivo, de maioria CDU, liderado por André Martins, pela demora na resolução do problema.

“Havia sido há muito propagado pelo anterior executivo da câmara um protocolo que nunca foi assinado por ninguém. A própria câmara deixou de responder ao Ministério do Ambiente sobre este assunto”, adiantou Maria das Dores Meira.

O vereador da CDU na Câmara de Setúbal, Nuno Costa, refutou as acusações de Dores Meira, e garantiu que já lhe tinha mostrado a correspondência do município com diversos organismos do estado, a solicitar a assinatura do referido protocolo.

“Eu já tive a oportunidade de mostrar, no final de uma sessão de câmara, à senhora presidente, vários ’emails’ na tentativa de assinar esse protocolo”, sublinhou Nuno Costa.

“Disseram à senhora presidente, já neste mandato, que não tinham recebido o protocolo, o que é falso. Há vários ’emails’, não só a enviar o protocolo para as várias entidades, mas também a solicitar que o mesmo fosse assinado. Há até mensagens trocadas com o chefe de gabinete de um secretário de Estado, a pedir para que essa situação se concretizasse”, acrescentou o autarca comunista.

Nuno Costa considera que a CDU fez a parte mais difícil, ao juntar à mesa todas as entidades neste processo, “quando ninguém queria assumir responsabilidades”, garantindo que, “se houve inércia, não foi por parte da CDU”.