Alunos da Escola Básica da Azeda, em Setúbal, escolheram, a 16 de janeiro, o nome da cria de roaz-corvineiro nascida em 2025 no Estuário do Sado, numa iniciativa de educação ambiental do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) em parceria com o município sadino, reforçando a ligação fundamental entre a comunidade local e a conservação da natureza.
A cria, filha da fêmea “Bisnau” e avistada pela primeira vez na manhã de 13 de julho de 2025, foi apadrinhada com o nome “Bravo”, cujo sexo ainda não foi definido, após votação realizada por cerca de quarenta alunos de duas turmas do 4.º ano, com base numa lista de cerca de 20 nomes apresentada pelo ICNF.
A iniciativa integrou um programa pedagógico de educação ambiental desenvolvido nas escolas do concelho, no âmbito do qual os alunos trabalharam previamente, em contexto de sala de aula, a temática da população residente de roazes do Sado.
O nome escolhido foi anunciado pela presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, que esteve presente na sessão, acompanhada do vereador do Ambiente, Bruno Russo, e do diretor regional de Lisboa e Vale do Tejo do ICNF, Carlos Albuquerque.
“São sempre os meninos a decidir. São eles que dão nome à nova vida, o que é muito importante, porque representam a continuidade”, disse a presidente do município, sublinhando a importância de envolver as crianças na preservação ambiental.
A diretora do Departamento Regional de Conservação da Natureza e da Biodiversidade do ICNF, Ana Cristina Falcão, a bióloga técnica superior Ana Sofia Palma e a vigilante da natureza Inês Nobre, da Reserva Natural do Estuário do Sado e do Parque Marinho Professor Luiz Saldanha, fizeram uma apresentação sobre a biologia do roaz-corvineiro e o enquadramento da Reserva Natural do Estuário do Sado.
A explicação incluiu a demonstração de um modelo de cria de roaz, a exibição de vídeos e histórias sobre golfinhos emblemáticos da população local, bem como a abordagem às principais ameaças à espécie e aos comportamentos que contribuem para a sua proteção. No final, foi distribuído material didático e informativo aos alunos.
O Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas refere, em comunicado, que “em 2023, nasceram seis crias das sete fêmeas da comunidade”, um recorde absoluto desde que há registo, adiantando que “estas fêmeas têm apenas uma cria por gestação, acompanhando-a de perto durante três a quatro anos”. Em 2024, não houve nascimentos e morreram quatro golfinhos (três adultos com idade superior a 40 anos e uma cria com menos de um ano de idade), um dos quais uma cria cujo cadáver não foi recuperado. Em 2025, nasceu uma nova cria, “Bravo”, em julho, e morreu um adulto em maio, “Escuro”, que nasceu em 1996. Entre 2014 e 2025, o número de indivíduos da população variou entre 32 e 26.
“Como este ano apenas uma fêmea estava apta para reproduzir, este nascimento é ainda mais celebrado. O próximo ‘boom’ de nascimentos é esperado para daqui a dois ou três anos, entre 2027 e 2028”, adianta o ICNF.
Esta população é uma das poucas residentes na Europa e única em Portugal, vivendo todo o ano no estuário, onde se alimenta, socializa e cuida das suas crias. Com uma esperança de vida que pode chegar aos 50 anos, cada novo nascimento representa um compromisso de longo prazo com a proteção do seu habitat.
Atualmente é constituída por 26 indivíduos, entre adultos, juvenis e crias dependentes, acompanhados e monitorizados há várias décadas pelo ICNF.

