Alexandra Nascimento, jurista, natural e residente no Montijo é a candidata do LIVRE à presidência da Câmara Municipal de Montijo nas eleições autárquicas de 12 de outubro. A candidata, membro do LIVRE, considera que o Montijo enfrenta “problemas estruturais acumulados ao longo de décadas, que decorrem sobretudo de uma dissonância entre o seu crescimento urbano e demográfico e a resposta que é dada pelos vários órgãos autárquicos”. Alexandra Nascimento defende “uma visão de comunidade que se pretende mais participativa, que traga para o centro das decisões as pessoas e as comunidades, materializando uma visão de autarquia mais democrática, transparente, inclusiva, ecológica e bem governada”. O LIVRE apresenta pela primeira vez uma candidatura autárquica no concelho.
Florindo Cardoso
Setúbal Mais – Quais as razões que a levaram a aceitar ser candidata à presidência da Câmara do Montijo?
Alexandra Nascimento – Aceitei ser candidata à presidência da Câmara do Montijo porque acredito profundamente na força de um projeto coletivo, que começou a ser construído há algum tempo, a partir da motivação e do trabalho de um grupo muito ativo e qualificado do LIVRE no Montijo — pessoas comprometidas com a causa pública, que se têm mobilizado para construir uma alternativa séria, coerente e enraizada no território.
O LIVRE quer assim materializar no concelho do Montijo, todo o trabalho coerente e consistente que tem vindo a ser feito no distrito de Setúbal, que já vem dos atos eleitorais passados, em que se registam resultados cada vez mais animadores e sentimos que chegou o momento de traduzir esse trabalho na escala que mais diretamente afeta a vida das pessoas: a política local. Porque é nesta escala que podemos agir com maior proximidade e transformar realmente a qualidade de vida das pessoas e das suas comunidades.
O Montijo enfrenta problemas estruturais acumulados ao longo de décadas, que decorrem sobretudo de uma dissonância entre o seu crescimento urbano e demográfico e a resposta que é dada pelos vários órgãos autárquicos. Consideramos também que a resposta a esses desafios não pode continuar a ser feita com medidas avulsas, que apenas satisfazem os descontentamentos de forma imediata mas fugaz sem ir à real raiz dos problemas. Essa lógica tem adiado o desenvolvimento do concelho e perpetuado desigualdades. É preciso ir mais longe e também chamar as pessoas a participar no desenvolvimento do município.
Esta candidatura acontece agora porque acreditamos que é o momento de apresentar uma nova abordagem à política local e materializar uma alternativa que só o LIVRE está em condições de representar, porque é assente em valores humanistas, progressistas e na sustentabilidade ecológica. Acima de tudo, esta é uma candidatura que nasce do compromisso coletivo e da vontade de construir, com os cidadãos, um Montijo mais justo, mais verde e mais democrático.
Setúbal Mais – Quais as principais ideias e projetos que defende para o Montijo?
Alexandra Nascimento – O LIVRE tem atualmente em fase de conclusão um programa eleitoral para o concelho do Montijo, que assenta em quatro eixos fundamentais, a partir dos quais todas as componentes do programa se desenvolvem e com os quais se relacionam.
Estes quatro eixos assentam, portanto, numa visão de comunidade que se pretende mais participativa, que traga para o centro das decisões as pessoas e as comunidades, materializando uma visão de autarquia mais democrática, transparente, inclusiva, ecológica e bem governada. O primeiro eixo é a Participação cívica e transparência. Queremos construir um concelho onde as pessoas participam ativamente nas decisões que afetam o seu dia a dia. Isso passa por criar espaços de diálogo e cooperação entre os cidadãos e o poder político, como conselhos municipais para áreas como cultura, saúde, habitação, ecologia ou bem-estar animal. Propomos também a criação de órgãos consultivos de base territorial com acesso direto aos serviços municipais, a Casa das Associações e a divulgação regular de informação e indicadores sobre a atividade da câmara e do concelho.
Acreditamos que só com maior proximidade, cooperação e transparência — incluindo o combate a conflitos de interesse, a começar pelos nossos próprios eleitos — podemos gerar confiança e compromisso. Também queremos apoiar a constituição de comunidades de energia, projetos de construção cooperativa e serviços de base comunitária que promovam a inclusão, a solidariedade e a sustentabilidade.
O segundo eixo é ter um espaço público como lugar de bem-estar, convivência e igualdade. Defendemos um Montijo mais habitável, seguro e saudável. Para isso, é necessário libertar progressivamente o espaço urbano do domínio do automóvel e dar prioridade à mobilidade suave, à arborização, ao lazer, ao desporto informal e à convivência. O espaço público deve ser desenhado para promover o bem-estar físico, mental e social, com atenção à inclusão de todas as idades, condições sociais e capacidades. Um espaço público bem cuidado é um investimento numa sociedade mais igualitária e mais feliz.
O terceiro eixo é estabelecer uma nova relação com o rio. O Montijo tem de se voltar para o Tejo, respeitando e valorizando o seu património natural e cultural. Defendemos a requalificação da frente ribeirinha com ciclovias, passadiços, espaços de lazer, quiosques e zonas verdes. Queremos fomentar os desportos náuticos, criar programas educativos sobre a fauna, flora e geologia local, e desenvolver uma programação cultural junto ao rio, com teatro, exposições e um festival anual. Também propomos medidas de adaptação às alterações climáticas, como planos de proteção civil contra a subida das águas, e o reforço da economia local ligada ao rio – como a gastronomia e o turismo de natureza.
O quarto eixo é reorganizar o governo e a política municipal. Precisamos de uma câmara municipal mais eficiente, transparente e capaz de responder aos desafios do presente e do futuro. Vamos reorganizar os serviços municipais para que funcionem melhor e com mais ligação à população. Queremos reforçar a capacidade de planeamento estratégico, manter atualizados os instrumentos de gestão, utilizar sistemas de informação modernos e aproveitar com eficácia os fundos europeus — em especial no novo Quadro Financeiro 2028-2034.
Defendemos ainda uma cultura de solidariedade distrital, com cooperação intermunicipal na gestão de equipamentos, mobilidade e serviços públicos. O Montijo não pode continuar isolado: precisa de integrar uma rede distrital que promova uma reforma territorial inteligente e justa.
Setúbal Mais – A nível de segurança e imigração, o que defende para o concelho do Montijo, tendo em conta o que se passa na freguesia de Pegões?
Alexandra Nascimento – No que respeita às questões relacionadas com a segurança gostaria de começar por dizer que recuso, tal como mostram as evidências, a correlação entre imigração e segurança, nos termos em que tal é sugerido pela pergunta. Os dados conhecidos sobre criminalidade refutam a narrativa que tem sido construída, baseada em preconceitos e medos, por certas forças políticas.
Na comunidade de Pegões, o grande foco de preocupação tem sobretudo a ver com as condições em que as comunidades migrantes estão alojadas, uma vez que se trata de uma comunidade que vem trabalhar no setor agrícola, em trabalhos muitas vezes sazonais, o que lhes confere uma sensibilidade ainda maior, pois estão ainda mais suscetíveis à exploração por redes de tráfico humano.
Neste sentido, importa perceber que é a própria economia local que pede que esta mão de obra exista na freguesia, mas há que garantir condições para uma correta inclusão desta população e soluções que assegurem os seus direitos e a sua dignidade.
Setúbal Mais – Qual a mensagem que deixa aos eleitores para votar no Livre?
Alexandra Nascimento – O LIVRE apresenta pela primeira vez uma candidatura autárquica no concelho e a nossa mensagem aos eleitores do Montijo é simples e direta: juntos, podemos construir um concelho em que se reforça a comunidade, com mais justiça social, mais proximidade e participação e que ao mesmo tempo garanta a sustentabilidade.
O LIVRE traz uma nova forma de fazer política — mais próxima das pessoas, mais transparente e com mais participação. Queremos criar laços fortes entre os cidadãos e os seus representantes, promovendo uma democracia onde ninguém fica de fora e onde todas as vozes contam.
É na criação de comunidade que começa a verdadeira mudança: cuidar do que é de todos, recuperar o espírito de entreajuda e dar espaço à diversidade, à cultura e à solidariedade. Queremos um Montijo que se constrói com todos, em diálogo e cooperação.
E porque o futuro depende das escolhas que fazemos hoje, colocamos a sustentabilidade ambiental no centro das nossas propostas. Defendemos uma cidade que respeita os seus recursos, que cuida do rio, dos espaços verdes e do ar que respiramos — uma cidade pensada também para as gerações futuras.
Votar no LIVRE é escolher uma alternativa progressista, ecológica e humanista para o Montijo. Uma cidade onde viver melhor é um projeto de todos. Dizer, por fim, que a nossa candidatura tem toda uma equipa nos bastidores que está pronta para pôr em prática as medidas que propomos, com toda a dedicação que o Montijo merece.




