Livro “Arrábida – Entre a Cor e o Verso” homenageia serra mãe

O livro “Arrábida – Entre a Cor e o Verso”, com poemas de Alexandrina Pereira inspirados na candidatura da Serra a Reserva da Biosfera da UNESCO e ilustrações do pintor Nuno David, que foi apresentado, a 19 de setembro, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, contou com a presença de mais de 100 pessoas, entre os quais o presidente do município sadino, André Martins.

Alexandrina Pereira salientou que este livro vem no seguimento da candidatura da Arrábida a Reserva da Biosfera à UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), “um santuário espiritual que cativou Frei Agostinho e inspirou Sebastião da Gama, possui a escarpa natural mais alta da europa e acolhe no seu seio algumas variedades de plantas únicas no mundo”. “Junto à vontade publicar outro livro dedicado à Arrábida”, o primeiro foi em “Arrábida, Meu Amor, Meu Poema”, lançado em 2013, quando decorria a candidatura a candidatura da Arrábida a Património da Unesco, “em que os meus poemas inspirassem um pintor, juntou o facto de estar a decorrer a candidatura a Reserva da Biosfera, e assim dei asas ao sonho e segui a famosa frase de Fernando Pessoa – Deus quer, o homem sonham a obra nasce”.

A poetisa agradeceu ao Nuno David, “um amigo que admiro desde sempre como pessoas e pintor e que teve a bondade e a gentileza de aceitar o meu convite” para fazer as ilustrações da obra, destacando que “a par do seu inquestionável talento para as artes, é também um apaixonado pela nossa serra” e “um dos maiores conhecedores dos seus segredos”.

Alexandrina Pereira agradeceu ainda o trabalho do designer Raul Reis pela sua “competência e criatividade que desde o início me incentivou em seguir com este projeto”, mas sublinha que esta edição só foi possível graças ao apoio financeiro, através da aquisição de livros, por parte de várias entidades, públicas e privadas, incluindo as câmaras municipais de Setúbal, Palmela e Sesimbra, juntas de freguesia dos três concelhos e Associação dos Municípios da Região de Setúbal, e empresas como a Casa Ermelinda Freitas e a Secil.

“Muito obrigado por me terem concedido antecipadamente os créditos para que a edição fosse avante. Quando temos um sonho, há que lutar pela sua concretização. Sinto que vale a pena porque se trata de um livro destinado a todos os setubalenses, palmelenses e sesimbrenses. É de todos os que têm o privilégio de olhar um lugar que há mais de sete milhões de anos nos abraça. Esta serra é ímpar e faz parte de nós”, conclui.

Já Nuno David agradeceu o convite de Alexandrina Pereira, “umas melhores coisas que me aconteceu na vida nos últimos tempos”, lembrando que a Arrábida foi “a minha casa de trabalho durante 30 anos”, como técnico no Parque Natural da Arrábida, considerando sendo “um homem de sorte”. O pintor confessa que “foi um desafio que fiz com prazer absolutamente indiscritível”.

João Reis Ribeiro que apresentou a obra, disse que o livro “fica bem em qualquer biblioteca e conceptualmente corresponde exatamente àquilo que era esperado”, afirmando que os 30 poemas da obra são “outros tantos louvores da Arrábida”, que classificou como “um lugar mágico”, e os seis desenhos de Nuno David “abrem espaço para este hino à Arrábida”, numa paisagem de tons diversos.

O presidente da Câmara Municipal de Setúbal sublinhou que publicar um livro de poemas sobre a Arrábida era “uma grande aventura”, mas Alexandrina Pereira e Nuno David “são aventureiros e fazem bem” as coisas a que se dedicam, destacando também o “empenhamento na divulgação da cultura setubalense e no acompanhamento da obra de Sebastião da Gama”, conhecido como o Poeta da Arrábida, por parte de João Reis Ribeiro, o autor do prefácio e apresentador do livro.

Segundo André Martins, iniciativas como a publicação deste livro de poemas sobre a Arrábida “só vêm dar força” às razões que levaram à apresentação da candidatura a Reserva da Biosfera. “É quase certo que esta candidatura será vencedora e nós, setubalenses e azeitonenses, palmelenses e sesimbrenses, somos gente que está cá para defender este património e para o valorizar”.

Na contracapa há um texto de Viriato Soromenho Marques, que André Martins considerou “um protagonista primeiro da defesa do ambiente e da conservação da natureza em Setúbal há muitos anos”, reconhecido como “alguém que sabe da importância da promoção, da defesa dos valores da natureza”.

A cerimónia contou ainda com a declamação de alguns poemas do livro por parte de Dina Barco e de João Completo, além de um momento musical em que a voz de Maria Vinagre foi acompanhada pela viola de Rui Reis.