PS vota contra orçamento da Câmara de Setúbal e acusa CDU de “gestão errada” e estar “em fim de ciclo”

Os vereadores do PS da Câmara Municipal de Setúbal, Fernando José e Joel Marques, acusam a gestão da CDU de “errada” e estar em “fim de ciclo”, justificando o voto contra o orçamento para 2025 apresentado esta manhã, 28 de novembro, em reunião pública, considerando ser uma proposta “insuflada, sem rasgo nem ambição, que se limita a somar milhões não executáveis aos milhões que todos os outros anos ficam por executar”. Recorde-se que o documento foi chumbado pelos vereadores do PS e do PSD.

 “É o último suspiro de uma governação municipal que o longo de mais de 20 anos não teve habilidade suficiente para aproveitar as oportunidades de que dispôs e capitalizar as maiorias absoluta que resultaram das urnas ou dos acordos de circunstância, como aconteceu no mandato atual”, acusam os vereadores socialistas, em conferência de imprensa, realizada hoje, na sede do partido, lembrando Fernando José que a posição do PS “não é diferente” da que já tinha votado contra os dois últimos orçamentos. Aliás, o vereador frisa que foi um mandato da CDU é de “fraca execução orçamental e os grandes investimentos anunciados pelo presidente André Martins não foram concretizados, com os nossos bairros descuidados, com problema de limpeza urbana e tem faltado resposta ao apoio ao movimento associativo e nas respostas sociais, não foram construídas infraestruturas desportivas e culturais e a habitação continua a ser um enorme problema para resolver no concelho”.

Os socialistas acusam ainda a governação da CDU de “ocasião, sem planeamento estratégico” que revela-se “incapaz de atrair investimento reprodutivo e que crie emprego qualificado” “incapaz de ouvir as propostas dos vereadores do PS como a redução de impostos”, mas contando com “a mão amiga do PSD que foi viabilizando os orçamentos”.

“Ao longo dos anos, a CDU arrastou Setúbal para uma enorme rotunda à volta da qual o concelho circula em voltas intermináveis, mas de onde não se consegue sair”, denunciam os autarcas do PS, apresentando exemplos como os rendimentos de propriedade, nos quais se “orçamentam mais 30 milhões das rendas em atraso da Águas do Sado – uma recita de excução duvidosa e que representa 17,49% das receitas correntes orçamentadas”, e ainda “as receitas orçamentadas com a vendas bens e serviços correntes, alicerçadas n prestação de serviços a particulares e empresas no âmbito dos resíduos sólidos: uma subida de 86.906 euros em 2024 para quase 3,2 milhões em 2025”.

“Nas receitas de capital, o incremento face a 2024 – um total de 99,5 milhões – resulta sobretudo de um acréscimo de 23,2 milhões nas transferências por via do PRR, dos empréstimos a 20 anos já aprovados, e de um aumento de quase 43,5 milhões nas outras receitas de capital – a rúbrica orçamental onde tudo cabe mas pouco ou nada se concretiza”, referem ainda os socialistas.

No âmbito da despesa, “registamos com preocupação o aumento de 20,4 milhões na aquisição de bens e serviços (mais de 32,67% face ao orçamentado para 2024, dos quais quase 18,5 milhões se alocam exclusivamente à aquisição de serviços”, oferecendo “dúvidas quanto ao seu destino ou exequibilidade”.

Os socialistas alertam ainda para o pagamento de juros de mora “mais de 2 milhões”, registando-se um “aumento de 35,69% face ao orçamento de 2024”. “Um sinal claro de que, em Setúbal, a dívida corre na mesma pista das quimeras orçamentais”. Alertam ainda para o “aumento das despesas de capital em 70,15 milhões face ao orçamento de 2024, dos quais 60 milhões na necessária reparação e beneficiação de habitação pública” e para a “verba  de 400 milhões destinada à construção de nova habitação”, que não dá resposta à procura.