A CDU, coligação PCP/PEV, foi a grande derrotada das eleições autárquicas de 12 de outubro no distrito de Setúbal, onde perdeu quatro câmaras municipais, concretamente Setúbal, Alcácer do Sal, Grândola e Santiago do Cacém. Os independentes conquistaram três municípios (Setúbal, Montijo e Santiago do Cacém) e os socialistas seis câmaras (Almada, Barreiro, Moita, Alcochete, Alcácer e Grândola). Chega aumentou o número de vereadores e passou a segunda força política em alguns concelhos.
Após várias décadas como principal força política no distrito de Setúbal, chegando a governar os 13 municípios, a CDU, que já só tinha sete câmaras municipais desde 2021, passou para apenas quatro, em 2025, a pior marca de sempre. Em contrapartida, o autarca comunista Álvaro Beijinha, que deixou Santiago do Cacém, depois de três mandatos consecutivos, ganhou a Câmara de Sines, onde destronou a maioria socialista.
Com estes resultados, a CDU perde a liderança da Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS) e da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral (CIMAL).
Uma vitória importante para a CDU em Sines, mas que não disfarça o balanço negativo para a coligação PCP/Verdes, que perdeu os outros três municípios do litoral alentejano: Alcácer do Sal (Clarisse Campos) e Grândola (Luís Vital Alexandre) para o PS e Santiago do Cacém (Bruno Pereira) para o movimento independente “Somos Todos Cidadãos”.
Além de Sines, um município de grande importância em termos industriais e portuários, o PS também perdeu o Montijo para o “Movimento com Visão e Coração”, liderado por Fernando Caria, um dissidente do partido que conseguiu superar o candidato socialista.
Depois destas eleições autárquicas, os independentes passam a ter três municípios no distrito – Montijo, Santiago do Cacém e Setúbal, embora neste último caso com uma candidatura da ex-autarca comunista Maria das Dores Meira que teve o apoio declarado do PSD e do CDS-PP.
O movimento independente Setúbal de Volta, de Maria das Dores Meira, ganhou a Câmara Municipal de Setúbal por apenas 1.338 votos, mas, para a Assembleia Municipal, a vantagem foi ainda mais curta, dado que obteve apenas mais 43 votos do que o PS.
O Chega, que tinha a ambição de conquistar várias câmaras municipais no distrito, esteve perto de o conseguir, nomeadamente em Palmela e Sesimbra, mas ficou-se por um aumento significativo do número de vereadores em todo o distrito, passando de apenas três em 2021, para 20 vereadores eleitos em 2025.
No distrito de Setúbal, o Chega foi a segunda força mais votada no Montijo, Palmela, Moita, Seixal e Sesimbra. Ganhou ainda a presidência de quatro freguesias: Quinta do Conde (Sesimbra), Atalaia/Alto Estanqueiro e Jardia (Montijo), Poceirão/Marateca e Quinta do Anjo (Palmela).
De referir que os independentes além da conquista de três municípios conseguiram cinco freguesias: Montijo/Afonsoeiro, Sarilhos Grandes e Pegões (Montijo) e São Domingos e Cercal (Santiago do Cacém).
O PSD ganhou as freguesias da Costa da Caparica (Almada) e de Canha (Montijo).
Já a CDU venceu em 12 freguesias: São Martinho (Alcácer), Baixa da Banheira e Vale da Amoreira (Moita), Arrentela e Paio Pires (Seixal), Santa Margarida da Serra e Melides (Grândola), Sines, Ermidas-Sado, Vale de Água, Abela, Santo André e S. Francisco da Serra (Santiago do Cacém).
Das 60 freguesias do distrito, o PS ganhou em 43.
Alcácer do Sal – A socialista Clarisse Campos que concorria pela terceira vez consecutiva conseguiu ganhar o município que era liderado pela CDU. O PS alcançou a maioria absoluta com 50,64 %, elegendo três vereadores. A CDU elegeu três vereadores com 35,67%. O PS ganhou ainda a liderança da Assembleia Municipal de cinco das seis juntas de freguesia do Torrão, Alcácer do Sal (Santiago), Santa Susana, Alcácer do Sal (Santa Maria do Castelo) e Comporta. A CDU ganhou a Junta de Freguesia de São Martinho.
Alcochete – O socialista Fernando Pinto renovou a vitória, sendo eleito para o terceiro mandato, com maioria absoluta, com 50,37%, e 4 vereadores. A coligação CDS/PSD, foi a segunda força mais votada, com 15,5%, e um mandato, seguindo-se o Chega, com 15,13%, e também um mandato, assim como a CDU com 11,88%. O PS ganhou ainda na Assembleia Municipal e as três juntas de freguesia, mantendo São Francisco, Alcochete e Samouco.
Almada – Inês Medeiros deu a vitória ao PS e foi reeleita para o terceiro mandato, mas sem maioria absoluta, com quatro vereadores, com uma votação de 29,10 %. A CDU elegeu três vereadores, o PSD e o Chega, dois cada. Nas cinco freguesias, o PS ganhou quatro das cinco: União de freguesias da Charneca da Caparica e Sobreda, a União de Freguesias da Caparica e Trafaria, a União de Freguesias de Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas, a União de Freguesias de Laranjeiro e Feijó. O PSD conquistou a Costa da Caparica.
Barreiro – O socialista Frederico Rosa foi reeleito para um terceiro mandato, com a maioria absoluta, com 54,92 %, conseguindo seis mandatos, de um total de nove do executivo. O Chega, que conseguiu um mandato no executivo, e para o PSD, que, em coligação com o CDS, recuperou o vereador perdido em 2021. Já a CDU apenas segurou um dos dois eleitos que tinha. O PS manteve as quatro freguesias: União de Freguesias de Barreiro e Lavradio, União de Freguesias de Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena, União de Freguesias de Palhais e Coina e Santo António da Charneca e foi mais votada para a Assembleia Municipal.
Grândola – Luís Vital Alexandre conquistou para o PS o município, sendo uma das surpresas destas eleições, com 38,33%, e 3 mandatos, sem maioria absoluta. A CDU perdeu após 12 anos no poder, elegendo também três vereadores e o PSD um. O PS ganhou ainda a Assembleia Municipal, a União de Freguesias de Azinheira dos Barros e São Mamede do Sádão e a Junta de Freguesia do Carvalhal. A CDU conquistou a União de Freguesias de Grândola e Santa Margarida da Serra e a Junta de Freguesia de Melides.
Moita – O PS conseguiu manter o município conquistado à CDU em 2021, com Carlos Albino a ser reeleito para um segundo mandato, mas sem maioria absoluta, com 35,60 % e quatro mandatos. O Chega foi o segundo partido mais votado com 24,70 % e três mandatos, seguindo a CDU com dois mandatos. Nas quatro freguesias, o PS ganhou em três: Alhos Vedros, Moita, União de Freguesias de Gaio-Rosário e Sarilhos Pequenos. A CDU venceu a União de Freguesias da Baixa da Banheira e Vale da Amoreira. Os socialistas ganharam ainda a liderança da Assembleia Municipal.
Montijo – O independente Fernando Caria conquistou o município ao PS, que estava no poder há 28 anos, com o “Movimento Montijo com Visão e Coração”, embora com maioria relativa, com 27,48 % e três dos sete mandatos do executivo. O Chega foi a segunda força mais votada e conseguiu dois mandatos e ainda a liderança da Assembleia Municipal e presidência da freguesia de Atalaia/Alto Estanqueiro-Jardia. Os independentes ganharam três das cinco freguesias: União de Freguesia de Montijo e Afonsoeiro, Sarilhos Grandes e Pegões. O PSD ganhou a Junta de Freguesia de Canha. O PS foi o grande derrotado destas eleições, elegendo apenas um vereador e perdeu a liderança de quatro juntas de freguesia. O PSD elegeu também um vereador.
Palmela – A CDU manteve a liderança do município com a eleição de Ana Teresa Vicente, antiga autarca que regressou, e conseguiu 27,38%, e três mandatos, sem maioria absoluta e nenhuma das juntas de freguesia. O Chega foi a segunda força política mais votada, com 26,79 %, ficando apenas a 183 votos de conquistar a câmara e elegeu também três vereadores. Seguindo-se o PS, com dois mandatos e o PSD com um mandato. O Chega ganhou a presidência da Assembleia Municipal e a União de Freguesias de Poceirão e Marateca e a Junta de Freguesia da Quinta do Anjo. O PS ganhou a Junta de Freguesia de Palmela e a de Pinhal Novo (feito histórico porque era da CDU há 51 anos)
Santiago do Cacém – Bruno Pereira, do movimento independente, com o apoio do PS e do PS “Somos Todos Cidadãos” (STC), foi a maior surpresa destas eleições, ao fazer cair um dos bastiões da CDU, há 51 anos no poder, por apenas 93 votos. O independente alcançou 40,34% e três mandatos, sem maioria absoluta. A CDU que apostou no autarca histórico Vítor Proença, antigo presidente e também de Alcácer do Sal, conseguiu também três eleitos. O Chega, terceiro partido mais votado elegeu um vereador. Já nas freguesias, o PS ganhou Alvalade. A CDU venceu em cinco freguesias: Ermidas-Sado, Vale de Água, Abela, Santo André e S. Francisco da Serra e o STC nas restantes: São Domingos, Cercal, União de Freguesias de Santiago do Cacém, S. Cruz e S. Bartolomeu da Serra. Na assembleia municipal venceu o STC por uma margem mínima.
Seixal – Paulo Silva foi eleito para o seu primeiro mandato, pela CDU, sem maioria absoluta, com 34,89 % e quatro mandatos. Recorde-se que Paulo Silva assumiu o mandato anterior por renúncia de Joaquim Santos. Seguiu-se o Chega e o PS/PAN, com três vereadores cada, e o PPD/PSD.CDS-PP com um mandato. A CDU venceu ainda para a Assembleia Municipal. Nas seis freguesias, a CDU ganhou em cinco: Paio Pires, Arrentela, Seixal, Amora e Corroios. O PS/PAN venceu em Fernão Ferro.
Sesimbra – Francisco Jesus manteve o município na CDU, sendo reeleito para um terceiro mandato, sem maioria absoluta com 26,32 % e apenas com a vantagem de 143 votos em relação ao Chega, elegendo dois mandatos cada. Também o PS obteve dois mandatos e o PPD/PSD.CDS-PP um mandato. Um cenário quase ingovernável. O Chega ganhou a liderança da Assembleia Municipal e a Junta de Freguesia da Quinta do Conde. Nas três freguesias, a CDU venceu Sesimbra (Santiago), Sesimbra (Castelo).
Setúbal – A independente Maria das Dores Meira, com o Movimento “Dores de Volta” e apoiada por PSD e CDS-PP, venceu o município, acabando com 23 anos de liderança da CDU, obtendo 29,91% dos votos. O movimento ganhou por 1.338 votos em relação ao PS e ainda a Assembleia Municipal por apenas 43 votos em relação aos socialistas. Dores Meira conseguiu quatro mandatos, os mesmos que o PS, o Chega dois e a CDU apenas um. Nas freguesias, o PS ganhou São Sebastião, Azeitão e União de Freguesias de Setúbal. A CDU manteve a presidência das juntas de freguesia do Sado e da Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra.
Sines – A CDU – Coligação Democrática Unitária conquistou o município aos socialistas com Álvaro Beijinha, que foi presidente da Câmara de Santiago do Cacém durante 12 anos, obtendo 40,72% dos votos e 3 mandatos, sem maioria absoluta. Seguiram-se o movimento independente MAIS com 2 mandatos e o PS com um mandato, sendo o grande derrotado destas eleições. O PPD/PSD.CDS-PP ganhou um mandato). Para a Assembleia Municipal, a CDU ganhou. A CDU foi também a força mais votada na eleição para a Junta de Freguesia de Sines. Na Junta de Freguesia de Porto Covo, o PS renovou a vitória.
Odemira – O socialista Hélder Guerreiro foi reeleito para o seu segundo mandato, alcançando 45,06 %, com maioria absoluta e quatro mandatos. O Chega ficou em segundo lugar e obteve um mandato, assim como a CDU e o PPD/PSD.CDS-PP. Os socialistas ganharam ainda a Assembleia Municipal. Nas 14 freguesias do concelho, o PS venceu as eleições em 9 Assembleias de Freguesia: Bicos, Boavista dos Pinheiros, Longueira/Almograve, Sabóia, Santa Clara-a-Velha, São Martinho das Amoreiras, São Teotónio, Relíquias e Vila Nova de Milfontes. A CDU conquistou 5 Assembleias de Freguesia: Colos, Luzianes-Gare, São Salvador e Santa Maria (Odemira), São Luís e Vale de Santiago

