O presidente do município de Setúbal, André Martins, afirma que não se opõe ao sistema de videovigilância, “desde que sejam salvaguardadas todas as garantias de privacidade” e que antes sejam “reforçadas as capacidades das forças policiais” no concelho.
“Por isso temos vindo a insistir, embora sem sucesso, junto dos Governos, para que reforcem o número de efetivos disponíveis no concelho para que tenhamos um policiamento efetivo e de qualidade e acabemos, de vez, com os repetidos relatos de pessoas que chamam as autoridades sem que estas intervenham porque não têm meios”, notou.
Segundo André Martins, “resolvido este problema”, haverá condições para “debater com mais tranquilidade as questões da videovigilância e outras matérias associadas à segurança, porque as câmaras de vídeo, só por si, não constituem meios capazes de impedir a criminalidade, ainda que tenham potencial para ajudar a prevenir”.
O autarca falava na apresentação do projeto aos comerciantes e público em geral, que o Bairro Setúbal Digital pretende alavancar o crescimento e a qualificação do comércio local e atrair mais consumidores ao centro histórico, que decorreu, a 13 de janeiro, no Fórum Municipal Luísa Todi.
O Bairro Setúbal Digital resulta de um consórcio criado pela Câmara Municipal, que lidera esta parceria, a Associação Bairro Cool e a União das Freguesias de Setúbal, o qual viu aprovada uma candidatura ao aviso n.º 01/C16-i02/2022 do PRR – Plano de Recuperação e Resiliência para um investimento elegível de um milhão, 272 mil, 256 euros e 95 cêntimos.
O projeto, apresentado por Jorge Patrício, em representação da MEO, empresa vencedora do concurso público internacional lançado para concretizar a componente tecnológica do projeto Bairros Comerciais Digitais de Setúbal, inclui a instalação de 30 pontos de acesso exterior WIFI e cobertura 5G na zona da Baixa de Setúbal.
Vão também ser instalados sete centros de informação digital (mupies de uma face outdoor) e seis bancos inteligentes energeticamente autónomos, que permitem o carregamento de smartphones, por ligação USB ou sem fios.
Estão ainda previstos, entre outros itens, a instalação de sinalética para promover uma identidade visual comum, criando a marca “Setúbal Digital”, o desenvolvimento de um website, app e outras soluções tecnológicas para a criação de um Marketplace e a integração de sistemas de experiência de Realidade Aumentada, com a disponibilização de conteúdos interativos sobre a cidade em pontos de interesse.
Uma vertente importante é o Geo Analytics, que permite conhecer, em cada momento, o fluxo de pessoas em determinados locais do território e as suas características, através da utilização de dados das redes de comunicação anonimizados, com total respeito pela Proteção Individual de Dados.
Há 848 estabelecimentos comerciais elegíveis para o projeto, numa área de intervenção que vai do Troino ao Miradouro, abrangendo a Fonte Nova e a Baixa Comercial, e se estende para sul até à Avenida José Mourinho, incluindo, desta forma, o Mercado do Livramento. Há um Gestor do Bairro, Beatriz Amaro, que já está em contacto diário com os estabelecimentos, e está previsto um plano de formação para comerciantes.
“O desafio de digitalização do comércio que hoje aqui apresentamos, as diversas possibilidades de plataformas digitais que iremos disponibilizar e as componentes paralelas de formação, de promoção, de marketing e de informação que este projeto encerra é um importante fator para reforçar a atividade comercial e a vitalidade da nossa Baixa Comercial, para a manter viva e em crescimento, sempre a procurar aumentar o acesso dos cidadãos a estes negócios”, salientou o presidente da Câmara.
André Martins sublinhou a recuperação que tem sido feita do edificado privado em Setúbal e o “esforço público continuado e ao longo dos anos” da autarquia “na recuperação do valioso património histórico e cultural da cidade e do concelho”, dando o exemplo da recente inauguração da terceira fase de requalificação do Convento de Jesus e consequente reabertura do Museu de Setúbal.
O autarca agradeceu à União das Freguesias de Setúbal, à Associação Bairro Cool, à MEO e à Direção-Geral das Atividades Económicas e à sua diretora-geral, Fernanda Ferreira Dias, “pelo apoio e a coordenação nacional deste projeto”, bem como “a todos os trabalhadores do Município que, desde a fase de candidatura até à fase de implementação, têm dado o seu melhor para o sucesso” do projeto.




