“Poetas Recusados” respondem em livro ao júri do Concurso Nacional de Poesia Sebastião da Gama

“Poetas Recusados” é o nome do livro lançado pela Gandaia Edições “Coleção Poesia Plural” que apresenta obras de cinco poetas, Álvaro Giesta, Fernando Fitas, José Manuel Teixeira, Luís Aguiar e Xavier Zarco, que concorreram ao XVII Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama, referente a 2023, cujo entrega do prémio ao vencedor estava marcada para abril deste ano, mas foi cancelada.

Esta obra poética é a resposta ao júri que não atribuiu nenhum prémio neste concurso por considerar que “nenhuma das obras a concurso revelou identidade poética suficientemente autónoma e madura para ser distinguida com um prémio literário”, causando uma revolta junto dos 559 concorrentes oriundos de Portugal e outros países de língua oficial portuguesa.

A estranheza foi ainda maior porque alguns dos concorrentes têm sido distinguidos com vários prémios literários, incluindo Xavier Zarco, vencedor de uma edição do Prémio Nacional Sebastião da Gama. Aliás, esta edição foi a mais participada, cuja organização pertence à Câmara Municipal de Setúbal e a Junta de Freguesia de Azeitão em parceria com a Associação Cultural Sebastião da Gama.

Carlos Castilho Pais, no prefácio de “Poetas Recusados”, começa com uma questão: “pode o poema apresentar-se a concurso. Ou não. Pode o poema ser a origem de opiniões elogiosas (sobre as suas ideias e a suas formas). Mas pode também ser apenas o silêncio de quem o lê. É assim e assim está bem”.

O editor considera que “há vida para o poema para além do concurso. Enquanto a poesia for o que é: a voz do Humano que diz o seu viver no mundo. Pode não saber-se o que seja a poesia, mas continua a escrever-se. Escreve-se um poema moderno. Aprende-se, ensina-se? Há regras? Há instrumentos? Tudo parece balofo e de parca utilidade”, acrescentando que “a poesia “é plural” e “alberga muitas identidades, tantas quantas o Humano que escreve”.

Carlos Castilho Pais questiona ainda: “e o que procura o leitor, ao ler o poema? Tão indizível é a resposta como a que pretende decifrar o que conduz à escrita do poema”. “Não vai o leitor à poesia como quem vai ao romance”. “A poesia é o aqui e agora. Contra a barbárie e os estereótipos que nos chegam da prosa”, adianta.

O editor lembra que “há meses anunciaram um prémio a que chamaram ‘Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama’. Era a XVII edição, referente a 2023, mas com a entrega do prémio à obra vencedora marcada para abril de 2024”. O responsável lembra ainda que “as obras a concurso, escritas em língua portuguesa, não poderiam ter mais de vinte páginas e poderiam concorrer os maiores de 18 anos”. Só que, afirma, “chegou a abril e chegou a decisão do júri, segundo nos foi relatado”, com a argumentação de que “desenvolvidos todos os esforços e após aturada ponderação, o júri decidiu não atribuir o ‘Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama’. Isto porque na opinião dos jurados “nenhuma das obras a concurso revelou uma identidade poética suficientemente autónoma e madura para ser distinguida com um prémio literário”.

A Coleção Poesia Plural, tomando conhecimento desta situação resolveu publicar os trabalhos de cinco concorrentes. “Assim, o leitor poderá fazer o seu juízo sobre a autonomia e a madurez destes poetas, recusados”.

 “De utopias e de sonhos de poetas”, Álvaro Giesta; “Correspondência olvidada”, de Fernando Fitas; “Geografia dos Instantes, de José Manuel Teixeira; “Eram límpidos os nomes”, de Luís Aguiar; “Da mala do viajante”, de Xavier Zarco são as obras que pode ler neste livro “Poetas Recusados”.