Paulo Maia, vereador da Câmara Municipal de Setúbal, eleito pelo movimento independente “Setúbal de Volta”, faz um balanço positivo dos primeiros dez meses de mandato. O número dois do executivo camarário que é responsável pelo Gabinete de Apoio Jurídico (GAJ), Gabinete de Apoio às Freguesias (GAF), Serviço Municipal de Segurança, Proteção Civil e Bombeiros (SMSPCB), Departamento Financeiro e Recursos Tecnológicos (DEFIRT) e Departamento de Gestão de Pessoas e Competências (DEGEPC), refere que “o foco nos primeiros meses de mandato foi acabar com a má gestão dos últimos quatro anos, através da reorganização dos serviços municipais, estancar o agravamento da situação financeira e resolver dossiês difíceis que tínhamos herdado do executivo anterior”. Após essa ação, o executivo avança com um conjunto de obras e investimento como o plano de requalificação do parque escolar. Paulo Maia acusa ainda os vereadores do PS de “assumir uma postura populista”. O vereador aborda ainda as tarifas injustas e insuportáveis que a AMARSUL impõe levando ao aumento da fatura da água e as soluções para reabrir os acessos rodoviários às praias da Arrábida.
Florindo Cardoso
Setúbal Mais – Qual o balanço destes primeiros dez meses de mandato?
Paulo Maia – Têm sido meses de muito trabalho e dedicação a Setúbal. O nosso foco nos primeiros meses de mandato foi acabar com a má gestão dos últimos quatro anos, através da reorganização dos serviços municipais, estancar o agravamento da situação financeira e resolver dossiês difíceis que tínhamos herdado do executivo anterior. A situação era muito complexa – e penso que todos deveríamos ter a consciência de que se continuasse o caminho dos últimos quatro anos poderíamos ter consequências desastrosas para Setúbal e para todos. A par destes dois aspetos, tivemos de lidar com desafios sem precedentes ao nível da proteção civil. Após estabilizarmos internamente a Câmara Municipal de Setúbal, focámo-nos no programa eleitoral que apresentámos em eleições – já avançou, por exemplo, o plano de requalificação do parque escolar.
Setúbal Mais – Lembro que não houve passagem de pastas pelo anterior executivo da CDU. Quais as principais dificuldades iniciais?
Paulo Maia – Não houve passagem de pastas. E podemos dividir os desafios em dois níveis: internos e externos. O desafio interno foi a situação muito complexa que herdámos, com uma má gestão patente a vários níveis, endividamento galopante e dossiês complexos que tinham sido escondidos e tiveram de ser resolvidos no imediato – e para os quais foi preciso coragem política. A lentidão de processos conseguiu-se começar a tratar com normalidade, mas ninguém esperava uma situação financeira tão grave nem tanta irresponsabilidade de gestão do executivo anterior.
O desafio externo tem sido a forma como alguma oposição se tem comportado. A CDU está em total negação do péssimo trabalho do seu último mandato e não tem hoje um projeto político para Setúbal. Já o Partido Socialista, em Setúbal decidiu assumir uma postura populista que não se reconhece nos valores dos seus fundadores; são hoje uma fonte de desinformação e incentivo à agitação pública, que espelha que estão mais preocupados em tentar inflamar a opinião pública do que em contribuir para Setúbal. Não nos revemos neste tipo de política populista. Deveríamos trabalhar todos para o bem comum e é este o apelo que continuamos a deixar a todas as forças políticas, porque Setúbal precisa de todos.
Setúbal Mais – A situação das intempéries causou vários danos no concelho. Como está o processo da estrada da Mata e os acessos à Arrábida?
Paulo Maia – É preciso contextualizar a questão das intempéries porque numa situação de tempestades contínuas, como as que vivemos, há sempre danos. Setúbal teve uma resposta muito forte, tanto das suas infraestruturas, como das suas forças de proteção civil e da sua população. E isso permitiu que a cidade não sofresse os estragos que concelhos vizinhos sofreram – lembre-se o que se passou em Alcácer do Sal ou a situação das arribas em Almada. Setúbal, em particular pela bacia de retenção da Várzea, foi até um exemplo positivo a nível nacional, mas interessa informar que, no concelho, sofremos prejuízos muito elevados como, por exemplo, três estradas que ficaram completamente inoperacionais em Azeitão e todo o deslizamento de terras e quedas de árvores (cerca de mil) e que se encontram contabilizados na ordem dos 50 milhões de euros. Relativamente às reparações, a resposta foi imediata. Foram feitas diversas reparações no concelho e nas suas vias, inclusive abrimos algumas estradas antes do prazo previsto. O que demorou mais tempo e ainda demora deve-se a fatores que não controlamos como a disponibilidade de acesso aos programas de apoio estatal, prazos de contratação pública ou a disponibilidade das próprias empresas – é preciso lembrar que os estragos das tempestades afetaram grande parte do país. Em todo o caso, os trabalhos estão a avançar e inclusivamente já foram realizadas duas empreitadas para retirar pedras, blocos rochosos e outros sedimentos nas arribas da Arrábida – uma situação complexa e para a qual há poucas empresas capazes de fazer esse trabalho.
Setúbal Mais- Ainda em relação à Arrábida, em que ponto está o processo da retirada do rochedo entre as praias da Figueirinha e Galapos?
Paulo Maia – Quando iniciámos o mandato esse processo estava simplesmente parado. Colocámos o processo em andamento com a assinatura de um protocolo entre as várias entidades competentes, ainda em 2025, que permitiu realizar um estudo de especialidade sobre a encosta entre o Outão e Galapos. A 1.ª fase do estudo, de diagnóstico, está finalizada e a 2.ª fase, que indicará as medidas a adotar, está em conclusão. Seguir-se-á, depois, o projeto de execução das soluções que venham a ser preconizadas. Anteriormente, estava identificada apenas o bloco rochoso, mas o estudo incidiu sobre uma extensão de 3,5 Km. Queremos que esta situação se resolva o mais rapidamente possível, conforme nos comprometemos.
Setúbal Mais- A situação do aumento da taxa de resíduos, devido às tarifas impostas pela Amarsul, como será possível resolver no futuro? Uma ação conjunta dos municípios da península de Setúbal?
Paulo Maia – A questão tem de ser resolvida de forma estrutural e requer um esforço conjunto de todos – não só dos municípios, mas também do Governo, da sociedade civil e das várias forças políticas. Esta é uma questão séria e onde deveríamos estar todos unidos a lutar para a resolução das tarifas injustas e insuportáveis que a AMARSUL nos impõe. Estamos a fazer o que anunciámos, quer juridicamente, quer institucionalmente.
Setúbal Mais – Quais os principais objetivos para o restante mandato?
Paulo Maia – Queremos cumprir com os nossos compromissos eleitorais e trabalhar dedicadamente para termos um concelho que nos orgulhe a todos, com qualidade de vida e que garanta futuro às próximas gerações. Isso constrói-se com muito trabalho e com responsabilidade política. E é esse trabalho e responsabilidade que podem esperar deste executivo e do nosso movimento independente.


