Municípios de Odemira e de Mértola unem-se para valorizar territórios rurais

Os presidentes dos municípios de Odemira, Hélder Guerreiro, e de Mértola, Mário Tomé, celebraram um memorando de entendimento, a 16 de julho, à margem da inauguração da FACECO com o objetivo de estabelecer um quadro de cooperação estratégica para afirmar as novas centralidades como um novo modelo de desenvolvimento territorial, assente na valorização dos territórios de matriz rural enquanto espaço de inovação, conhecimento, experimentação, cooperação e criação de valor.

As duas autarquias comprometem-se a promover políticas, projetos e iniciativas que reforcem o papel destes territórios na resposta aos desafios da demografia, das alterações climáticas, da salvaguarda da biodiversidade, da coesão territorial e da concretização, à escala local dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas.

Este compromisso assenta no conceito de Novas Centralidades, promovendo uma visão de desenvolvimento onde o interior assume um papel ativo na resposta aos grandes desafios do século XXI, como as alterações climáticas, a gestão da água, a inovação, a renovação demográfica, a valorização dos recursos endógenos e a atração de investimento e talento.

A parceria prevê o desenvolvimento de projetos conjuntos, candidaturas a financiamento nacional e europeu, iniciativas de investigação e inovação, bem como a criação de redes de cooperação capazes de reforçar a competitividade e a atratividade dos dois territórios.

Este é mais um passo na construção de um modelo de desenvolvimento sustentável, colaborativo e inovador, afirmando Mértola e Odemira como territórios preparados para liderar soluções para o futuro.

Para Hélder Guerreiro, presidente das Câmara Municipal de Odemira, “o objetivo central é trabalhar uma coisa muito importante, temos uma visão comum que a produção do conhecimento e da inovação são fatores decisivos no desenvolvimento dos territórios”.

O edil alentejano adianta que “isso acontece também nos territórios rurais, e muitas vezes a política pública nacional pensa que estes são vazios de ideias, de inovação e de estrutura, e acabam por aplicar políticas públicas que são cegas a estes territórios”. “Queremos contrariar isso, afirmando que nestes territórios há uma aposta na produção do conhecimento, na inovação e no contributo destes territórios para aquilo que é a criação de valor a nível nacional”, acrescenta Hélder Guerreiro.

Para o presidente do município de Odemira “apostar e fazer crer que efetivamente  há um valor muito grande da biodiversidade”, ou seja “a biodiversidade biológica e a biodiversidade enquanto forma de podermos obter mais valores dos território é de facto um fim em si, e é essa aposta que queremos demonstrar, uma aposta que é para ganhar o futuro”.

Este protocolo vai abordar “um conjunto de ações que queremos fazer desde já, que vamos trabalhar até setembro, que pretendem fazer um encaixe naquilo que é o Plano Nacional de Restauro da Natureza que está em discussão pública”, sendo “nosso objetivo trabalhar com a ministra do Ambiente, no sentido de quando esta apresentar o plano em Bruxelas, em setembro, já possa incluir dois territórios piloto para a implementação de um conjunto de medidas como por exemplo o Pacto para Autonomia da Biodiversidade no nosso território em Mértola é algo que queremos implementar, trazendo pessoas, mobilizando atores do território para o restauro da natureza como fator de  criação de valor” conclui o autarca.