António Correia, antigo professor em Palmela, faleceu, a 12 de setembro, aos 88 anos. Foi uma figura marcante na comunidade de Palmela, conhecido pelo seu passado como pároco, professor e resistente antifascista.
As cerimónias fúnebres decorreram na Igreja de São Pedro de Palmela, seguindo para o Crematório do Barreiro conforme a sua vontade.
Nascido a 8 de março de 1938 em Torres Novas, passou pelo seminário de Olivais, turma de 1961, foi padre, mas foi como professor que deixou um trabalho marcante na comunidade de Palmela.
Entrou para o seminário aos 11 anos (Fátima, Almada e Olivais) e foi ordenado padre em 1961. Foi professor no Seminário de Almada até 1967.
Desempenhou funções de pároco no concelho de Palmela entre outubro de 1967 e o final de 1974. Abandonou o sacerdócio por amor, tendo casado e pai de duas filhas.
Lecionou em escolas locais (como o antigo Ciclo Preparatório Hermenegildo Capelo) e a Secundária de Palmela, destacou-se como resistente antifascista durante a ditadura. Pertenceu ainda à Liga dos Amigos do Hospital de Outão. É coautor do livro “História e Histórias de Palmela”.
Para o presidente da Junta de Freguesia de Palmela, Jorge Mares, é uma “perda irreparável de um grande senhor” e Palmela “perdeu um dos seus melhores”.
“Alguém que dedicou parte da sua vida a Palmela, contando a nossa história, tal e qual como foi. As pessoas eram o alvo das suas dedicatórias, com quem cultivava uma empatia e relações de profunda amizade pouco comuns. Um homem de invulgar singularidade que nos fez apaixonar mais pela cultura e identidade de Palmela”, refere ainda o autarca. “Convivi com ele nas circunstâncias que nos aproximaram, nas coisas, que nos eram comuns. Foi meu professor de português. Sentia-se nele as passadas gigantes de um pensador, poeta, filósofo, humanista, portador de valores cívicos, consubstanciados em ideais de progresso e paz. Homem de causas e de fé”, conclui.
A Equipa de Gestão e toda a comunidade escolar da Secundária de Palmela, lembra António Correia como “um exemplo de humanismo, com um saber de experiências feito, um bom coração, que sempre teve uma palavra amiga na hora certa”. “O professor António Correia foi uma referência para todas as gerações, desde os mais novos aos menos jovens, dentro da escola e na comunidade”, lê-se na publicação da escola.
A filha Ana Correia escreveu uma mensagem emocionante. “O nosso pai não é só nosso: é comunitário. E é com orgulho e prazer que o partilhamos, desde que temos memória. Foi e é um privilégio imenso termos nascido na casa dele e crescido com ele e com a mãe que escolheu para nós”. “Foi um apaixonado pelas pessoas, pelas palavras – pelo Poder da palavra – e viveu de forma plena estes seus 88 anos, regido pelo bem e guiado pela máxima de que ‘pelo sonho é que vamos’, citando Sebastião da Gama”. “Foi um homem de compromisso, com o humanismo e com a constante procura de fazer do mundo um sítio melhor”, conclui.
O Centro Social de Palmela lamenta a sua morte. “Na despedida a António Correia, não podíamos deixar de endereçar as nossas condolências a toda a família bem como uma palavra de agradecimento pelo papel relevante que teve na construção do Centro Social de Palmela”, refere, em comunicado.




