O ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, inaugurou a Unidade de Demonstração, na Adega de Palmela, que faz parte do projeto REDWine, no dia 19 de novembro, acompanhado dos dirigentes da cooperativa e da presidente do município, Ana Teresa Vicente.
“Este é um exemplo claro de como a investigação e a inovação podem reforçar a competitividade do setor vitivinícola: valorizar o dióxido de carbono libertado na fermentação do vinho em produtos para a alimentação humana, a cosmética, bioestimulantes e até produtos enológicos, um exemplo claro de economia circular” refere José Manuel Fernandes, que esteve no local a convite da Associação de Viticultores do Concelho de Palmela (AVIPE) e da adega de Palmela.
O ministro sublinhou que a península de Setúbal demonstra “bem a força e a vitalidade deste setor. Só no terceiro trimestre deste ano foram certificados 32,9 milhões de litros de vinho com denominação de origem ou indicação geográfica”.
“Está em curso uma nova medida de apoio ao investimento nas adegas, com 980 mil euros aprovados apenas para esta região, em linha com a renovação das vinhas financiada pelo programa VITIS, no concelho de Palmela”, revelou o ministro da Agricultura.
“Agradeço o convite e a receção da Associação de Viticultores do Concelho de Palmela e da Adega Cooperativa de Palmela, bem como a presença da presidente da Câmara Municipal, Ana Teresa Vicente”, disse ainda o governante, acrescentando que “o trabalho conjunto destas instituições é decisivo para valorizar o território e reforçar um setor que é parte do que somos. Palmela e a sua região mostram que o vinho é tradição, identidade e economia, mas é também ciência, tecnologia e futuro”.
De salientar que a Unidade de Demonstração enquadra-se no projeto REDWINE, financiado pelo programa Bio Based Europe, que visa promover a valorização sustentável dos subprodutos da indústria do vinho, através de processos inovadores de biotecnologia circular. O projeto, que teve início em 2021 e termina este ano, é coordenado a nível nacional e internacional pela AVIPE – Associação de Viticultores do Concelho de Palmela e integra mais 11 parceiros de Portugal, Espanha, França, Alemanha, Países Baixos e Irlanda.
Com um orçamento de 7,5 milhões de euros, tem como objetivo capturar e armazenar o CO2 resultante das fermentações do vinho e utilizá-lo na multiplicação de algas. A biomassa de algas será depois utilizada no desenvolvimento de produtos de alimentação humana, enológicos, cosméticos e bioestimulantes. Para além da captura de CO2, há um reator de algas que utiliza os efluentes líquidos das adegas para as multiplicar. Anualmente, o projeto permite armazenar 2 toneladas de CO2 de apenas um tanque e 28 m3 de efluentes líquidos.
Espera-se que contribua para a redução da pegada de carbono do setor vitivinícola, para o Pacto Ecológico Europeu e para uma alteração do modelo de negócio das adegas, transformando-as em fornecedoras de CO2 para a indústria alimentar.
No futuro, a expetativa é que a Unidade continue a funcionar na vertente de formação, educação e investigação, orientada pelo Instituto Politécnico de Setúbal, mas a participação de adegas e viticultores é importante para replicar a ideia do projeto. Mediante marcação, é possível visitar a Unidade e perceber o seu funcionamento.
O papel do município de Palmela foi “determinante na facilitação dos procedimentos administrativos e de licenciamento”, refere a autarquia. Sendo uma Unidade com intenções temporárias e com um contexto particular de licenciamento, a autarquia “disponibilizou-se sempre para ajudar a AVIPE a concretizar a sua construção, convicta de que esta infraestrutura, única no mundo, vai contribuir para a dinamização e promoção de Palmela e dos vinhos da península de Setúbal”.
O município acredita que “são projetos únicos e inovadores como o REDWINE que contribuem para diferenciar a região e para o desenvolvimento territorial e melhoria da qualidade de vida das populações rurais”.

