A candidata independente à presidência da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira, negou todas as acusações de utilização indevida de cartões de crédito do município sadino em viagens de trabalho a Nova Iorque, Japão e Moçambique, sendo essas despesas pagas pelo Clube das Mais Belas Baías do Mundo, durante a cerimónia de inauguração da sede de campanha, a 9 de novembro, sita na praça de Bocage, n.º 71.
A ex-presidente, que cumpriu três mandatos consecutivos à frente da Câmara de Setúbal eleita pela CDU em 2009, 2013 e 2017, disse que está a ser vítima de uma “perseguição política”, feita pelo PS “com o apoio inequívoco da CDU”.
“A perseguição política está patente no texto de uma auditoria que foca em particular a minha pessoa. E que diz inclusive que se quer comparar o meu mandato com outro. Uma auditoria que quer judicializar a política e que tenta politizar a justiça com denúncias anónimas, feitas por cobardes que sabem que o que insinuam não corresponde à verdade”, sublinhou Maria das Dores Meira perante cerca de duas centenas de apoiantes.
Maria das Dores Meira referia-se a uma auditoria externa proposta pelos eleitos do PS, aprovada pela maioria CDU, PS e PSD (este sob protesto), após uma notícia do jornal Público de 29 de agosto e uma investigação da estação televisiva SIC transmitida no dia 23 de outubro sobre a alegada utilização abusiva dos cartões de crédito do município e recebimento indevido de ajudas de custo no mandato de 2017/2021.
Na proposta aprovada pelo município, refere-se que há “suspeitas da prática reiterada dos crimes de peculato, falsificação de documentos e enriquecimento ilícito”, mas Maria das Dores Meira revelou que um grupo anónimo lhe fez chegar um conjunto de documentos que lhe permite desmontar as acusações de alegada utilização abusiva de cartões de crédito do município.
“Na peça da SIC é insinuado que fiz uma refeição de lagosta por 200 euros e aluguei uma limusine. É insinuado que tudo isso foi pago com dinheiro do município através dos cartões de crédito. Pois bem, tenho aqui um conjunto de documentos que provam que o que foi dito é mentira”, salientou Maria das Dores, explicando que se tratou de um almoço de 203,04 dólares para cinco pessoas (29,95 dólares, ou 27 euros, cada uma) no restaurante Lobster Place, que, por acaso, tem lagosta (Lobster) no nome.
Quanto à acusação de realizar uma viagem de limusine, no valor de 96 dólares, que também foi paga com cartão de crédito do município, a candidata esclareceu que se tratou do transporte para o aeroporto – numa carrinha e não de limusine -, assegurado por uma empresa de táxis, que tinha o nome de Sammy’s Limo.
Em relação às alegadas irregularidades nos pagamentos efetuados numa viagem ao Japão em 2019, Maria das Dores Meira disse que a delegação da Câmara de Setúbal “não andou a fazer turismo, fez reuniões de trabalho incluídas no âmbito do trabalho do Clube das Mais Belas Baías do Mundo”, assegurando que, nas duas viagens, a Nova Iorque e ao Japão, a Câmara de Setúbal foi reembolsada de todas as despesas pelo Clube das Mais Belas Baías do Mundo, mas o atual executivo omitiu esse facto.
Respeitante os boletins itinerários de alegadas viagens que teria feito em 2020 a Moçambique e a Espanha em datas coincidentes, Maria das Dores Meira exibiu documentos comprovativos de que a viagem a Quelimane (Moçambique) foi cancelada devido a uma tempestade ocorrida naquele país africano, depois de já ter sido feito o boletim itinerário, tendo nessa data participado numa outra atividade, em Espanha.
“Os documentos na câmara não se evaporam, razão pela qual se podem encontrar dois boletins, mas uma das deslocações não se realizou”, salientou a ex-presidente do município.
“Mais uma vez custou zero à Câmara Municipal de Setúbal. Não tenho o dom da ubiquidade, não consigo estar em dois lugares ao mesmo tempo, mas tenho o dom do trabalho honesto. E não admito que coloquem a minha idoneidade em causa”, disse ainda Maria das Dores Meira.
Quanto às propostas da sua candidatura à Câmara de Setúbal nas eleições autárquicas de 2025, Maria das Dores Meira afirma que já tem definidas algumas prioridades que passam por ter o espaço público limpo e cuidado, constituir um corpo de polícia municipal, preparar a candidatura a Setúbal Cidade Verde e a Capital Europeia da Cultura, lutar para que a travessia para Troia tenha preços acessíveis e resolver o problema do estacionamento tarifado na capital do distrito.
“O problema central [do estacionamento tarifado] está numa implementação que não corresponde ao que foi acordado. Faltam as bolsas de estacionamento gratuito, falta a construção faseada de dois parques de estacionamento subterrâneo e temos zonas com parquímetros que não deviam ser tarifadas”, afirma a candidata, prometendo que resolverá este problema quando for eleita.
Recorde-se que Maria das Dores Meira foi presidente da Câmara de Setúbal entre 2006 e 2021, primeiro em substituição de Carlos de Sousa (também eleito pela CDU), que renunciou ao mandato por ter perdido a confiança política do PCP, e depois como presidente eleita em 2009 (com 38,83% dos votos), tendo sido reeleita por duas vezes com maioria absoluta, em 2013 (41,93%) e 2017 (49,95%).
O vereador da CDU, Nuno Costa, faz um balanço “muito negativo da gestão” do primeiro…
O vereador do Partido Socialista da Câmara Municipal de Setúbal, Fernando José, que é também…
Os vereadores do PS e da CDU anunciaram que já entregaram no Ministério Público o…
De acordo com o último Eurobarómetro, mais de 50% dos residentes na União Europeia consideram…
A União das Freguesias de Setúbal homenageou, a 3 de outubro, Custódio Carvalho Pinto, antigo…
O vereadores eleitos pelo PS requereram, com carácter de urgência, a intervenção do Ministério Público…