José Manuel Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo: “Santiago do Cacém é um concelho que está em grande expansão”

O presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, José Manuel Santos, revelou que o concelho de Santiago do Cacém obteve 200 mil dormidas em 2025 com tendência de crescimento. No primeiro trimestre deste ano, cresceu 21%, acima da média da região. O Alentejo atrai cada vez mais turistas e brevemente será divulgado o perfil de turista que procura esta região para passar férias. “Penso que vamos ter um bom ano turístico, muito exigente, estamos a reforçar muito a nossa promoção internacional”, refere José Manuel Santos, acrescentando que o “Alentejo Litoral teve em 2025 mais de um milhão de dormidas”.

Florindo Cardoso

José Manuel dos Santos, presidente da ERT do Alentejo

Setúbal Mais – Qual a importância da Santiagro para o turismo da região?

José Manuel dos Santos – É importante pela capacidade que a Santiagro tem historicamente de agregar os agentes locais ligados à agricultura, pecuária e do turismo equestre, valorizando muito a região e o concelho, com algumas inovações como a aplicação movel que proporciona ao visitante uma informação mais integradora da feira. É a primeira grande feira da época alta do turismo do litoral alentejano. Pelo programa apresentado vai certamente uma feira muito interessante que atrairá milhares de visitantes para mais um grande momento de divulgação de Santiago do Cacém.

Setúbal Mais – Regista-se um crescimento do turismo em Santiago do Cacém?

José Manuel dos Santos – Santiago do Cacém tem crescido mais que a média da região.  O ano passado ficou à porta das 200 mil dormidas, cresceu mais de 18% e este ano já nos primeiros três meses do ano, cresceu 21%. É um concelho que está em grande expansão e estes eventos têm grande importância para a promoção do turismo, principalmente para o mercado nacional. São números muito encorajadores que resultam do trabalho dos agentes turísticos locais e do alojamento. Não é fácil ter projetos turísticos em zonas do interior, enfrentar a sazonalidade, e os empresários de Santiago do Cacém têm feito um trabalho incrível, no turismo e no vinho, para promover o território e começam agora a colher gradualmente as vantagens.

Setúbal Mais – No contexto global, o turismo no Alentejo pode sofrer devido à situação instável a nível internacional?

JMS – O Alentejo não tem uma grande exposição internacional, só um terço das nossas dormidas são estrangeiras. Mas, a região tem muitas operações hoteleiras ancoradas em alguns mercados internacionais. Temos hotéis na região que dependem em mais de 50% do mercado norte-americano. Esperamos que a região, como um todo, até porque não tem uma exposição aos mercados externos muito significativa, não seja prejudicada. Estamos numa fase, que é muito difícil traçar conclusões definitivas sobre o impacto nos circuitos mundiais de todas estas oscilações geopolíticas. Os números de março, o Alentejo cresceu 13,5% nas dormidas de cidadãos estrangeiros. Foi a região do país que mais cresceu no mercado nacional. Penso que vamos ter um bom ano turístico, muito exigente, estamos a reforçar muito a nossa promoção internacional, e sabemos que alguns mercados turísticos vão ter algumas dificuldades.

Setúbal Mais – Que tipo de turista procura o Alentejo?

JMS – Há 11 anos que não atualizávamos o estudo do perfil do turista do Alentejo. Encomendámos o ano passado um estudo à Universidade de Évora, e vamos apresentá-lo em maio, numa sessão no interior, em Santiago do Cacém, e outra no litoral e não quero adiantar ainda pormenores. Há uma conclusão muito interessante que é a principal motivação de visita ao Alentejo, é aquilo que os académicos traduzem como uma experiência restauradora, uma relação de forte conexão com a cultura e natureza, é essencialmente uma dimensão de descanso e de ligação à terra e comunidades. O Alentejo está a ser muito procurado, até por pequenos grupos ligadas a empresas internacionais como retiros espirituais, uma experiência de três dias num hotel ou resort ligado à cultura com boa experiência gastronómica e esta tendência está a intensificar-se. O Alentejo compete mais pela qualidade do que a quantidade.

Setúbal Mais – O litoral perde em relação ao interior?

JMS – Não. O litoral é a locomotiva do turismo do Alentejo, substituiu a região de Évora há cerca de três anos. O litoral tem muitos desafios. Aliás, apresentámos há seis meses ao secretário do Turismo, Comércio e Serviços uma proposta para criar uma estrutura de missão que possa integrar os vários departamentos dos ministérios e das câmaras municipais, essencialmente neste eixo Troia-Melides, para gerir a mobilidade, acessibilidade, recursos humanos para garantir um processo sustentável em termos ambientais, económicos e sociais. Quer seja o litoral quer seja o interior nesta região, são territórios onde estão a surgir projetos hoteleiros mais criativos do país.

Setúbal Mais – Em relação ao turismo equestre, porque não está mais desenvolvido?

JMS – É um produto com alguma dificuldade de estruturação porque os promotores e empresários têm uma atitude mais individual. É verdade que compete a nós, enquanto entidades públicas, que gerem os destinos turísticos, teremos de ser capazes de trazer esses players para uma lógica global de destino. O turismo equestre no Alentejo sempre foi uma prioridade adiada, desde há 30 anos, ainda no antigo ICEP (atual aicep – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), colocava o turismo equestre no pacote turístico do Alentejo, e nós próprios há uns anos desenvolvemos um plano estratégico para o turismo equestre, que encomendámos à Deloitte, mas não temos feito muito por ele, assumo essa falha. Temos de pegar nele porque é um produto de nicho, muito interessante e valioso.

Setúbal Mais – A nível do Alentejo Litoral tem alguns números que possa revelar?

JMS – O Alentejo Litoral teve em 2025 mais de um milhão de dormidas. Está em quase 40% das dormidas no Alentejo. Está a crescer muito. Santiago do Cacém e Sines como partiram de bases mais baixas estão a crescer mais, Grândola teve um crescimento menor, de cerca de 2% porque parte de uma base mais alta. Nos últimos cinco anos, dos 114 pareceres que o Turismo de Portugal deu a projetos hoteleiros no Alentejo, mais de 60% foram no litoral e 50% foram em Grândola. Santiago do Cacém tem uma particularidade interessante que estar com um pé na água, uma pérola que que é Santo André, e outro no interior, consegue mostrar os dois lados do Alentejo. Santiago já está nos 7 a e 8 concelhos do Alentejo com maior número de dormidas e agora tem o desafio de afirmar-se com um destino de muita qualidade.