Chega vence em sete dos 13 concelhos do distrito de Setúbal

O Chega venceu as eleições legislativas de 18 de maio em Setúbal, com 26,38% dos votos, causando uma verdadeira hecatombe política, e o Bloco de Esquerda (BE), com 2,66%, perdeu o único deputado, Joana Mortágua, num distrito que tinha uma maioria de votos no Partido Socialista desde 1995.

O PS e BE são os grandes derrotados em Setúbal nestas eleições, em que o PS perde dois deputados e a liderança do distrito para o Chega, enquanto o BE perde a sua única deputada, Joana Mortágua, devido a uma quebra de votos, de 06%, em 2024, para apenas 2,6% em 2025.

O Chega, que manteve a deputada Rita Matias como cabeça de lista no distrito, e já tinha aumentado a votação de 9,21% em 2022 (um deputado) para 20,31% em 2024 (quatro deputados), assegura agora a eleição de seis deputados, à frente do PS, que caiu de 31,27% dos votos para 24,97% e que mantém apenas cinco dos sete deputados que conseguiu eleger o ano passado por este círculo eleitoral.

A coligação AD (PSD/CDS), agora sem o PPM, aumentou a votação no distrito de Setúbal, de 16,68% em 2024 (quatro deputados) para 21,01% (cinco deputados eleitos), mas continua a ser a terceira força política no distrito.

A CDU, que baixou de 7,73% em 2024 para 7,12% nestas eleições, manteve a sua única deputada eleita por Setúbal, Paula Santos.

O Livre subiu de 4,29% para 5,84%, mantendo o deputado eleito e passando a quinta força política do distrito, por troca com a IL, que também subiu de 5,36% para 5,51%, mantendo, igualmente, a sua única deputada eleita por Setúbal, Joana Cordeiro.

Numa leitura das legislativas no distrito de Setúbal concelho a concelho, o Chega é também o grande vencedor, ao conquistar a maioria em sete dos 13 concelhos do distrito de Setúbal, todos com maioria PS em 2024.

Os socialistas perderam para o Chega nos concelhos do Seixal, Moita, Montijo, Palmela, Sesimbra, Setúbal e Sines, e, no concelho de Alcochete, para a AD.

Foram eleitos pelo círculo eleitoral de Setúbal os seguintes deputados: Rita Matias, Patrícia Carvalho, Nuno Gabriel, Daniel Teixeira, Cláudia Estevão e Ricardo Reis (Chega), António Mendonça Mendes, Eurídice Pereira, André Pinotes Batista, Margarida Afonso e Carlos Pereira (PS), Maria Teresa Morais, Paulo Ribeiro, Bruno Vitorino, Sónia dos Reis e António Pedro Roque (AD), Paula Santos (CDU), Paulo Muacho (Livre) e Joana Cordeiro (IL).

A nível nacional, a Aliança Democrática venceu as eleições e conseguiu reforçar a percentagem de votos e o número de deputados no Parlamento. O segundo lugar permanece uma incógnita até que sejam apurados os resultados do estrangeiro, com Partido Socialista e Chega num braço-de-ferro pelo maior número de mandatos. A aproximação do partido de André Ventura levou Pedro Nuno Santos a apresentar a demissão da liderança do PS. O Livre subiu a quinta força política, enquanto o Bloco de Esquerda foi superado pela CDU. Há ainda um novo partido com representação parlamentar: o Juntos Pelo Povo.

Com 32,10 por cento dos votos e 86 deputados, a Aliança Democrática conquistou a vitória nas legislativas. A este resultado juntam-se os 0,62 por cento (três mandatos) da AD na Madeira, que nessa região inclui o Partido Popular Monárquico (PPM).

“O povo quer este Governo e não quer outro. O povo quer este primeiro-ministro e não quer outro”, disse Luís Montenegro. “Espera-se sentido de Estado, sentido de responsabilidade, respeito pelas pessoas e espírito de convivência na diversidade, mas também de convergência e salvaguarda do interesse nacional”, adiantou.

Perante o empate entre PS e Chega em número de deputados, só se ficará a saber quem irá liderar a oposição quando forem conhecidos os resultados do estrangeiro. Em jogo estão ainda quatro assentos: cada um tem agora 58 mandatos, com o PS a arrecadar 23,38 por cento dos votos e o Chega 22,56 por cento.

Confrontado com esta vitória para o Chega e derrota para o PS, o socialista Pedro Nuno Santos apresentou a demissão e anunciou eleições internas no partido. “Pedirei eleições internas às quais não serei candidato”, declarou o secretário-geral socialista no seu discurso ao final da noite. “Mas como disse Mário Soares, só é vencido quem desiste de lutar e eu não desistirei de lutar. Até breve, obrigado a todos”.

André Ventura disse ter feito história esta noite ao tornar o Chega “o segundo maior partido” nas eleições legislativas. “Podemos declarar oficialmente, e com segurança, que acabou o bipartidarismo”, frisou. Sobre futuros cenários de governabilidade, o líder do Chega afirmou que o próximo Governo “depende do Chega e só do Chega”, mas não esclareceu se viabilizará o programa do próximo Executivo no Parlamento.

Em quarto lugar, tal como no ano passado, ficou a Iniciativa Liberal. O partido de Rui Rocha passou a nove deputados, mais um do que em 2024, conquistando 5,53 por cento dos votos. “Não foi possível crescer mais, assumo esse ponto. Mas olhando para trás, para esta legislatura, para a campanha que fizemos, eu não teria feito nada diferente”, afirmou, dizendo estar disponível “para as conversas dos próximos dias e para todos os contactos”, acrescentou.

Já a CDU perdeu um mandato, ficando agora com apenas três (depois de obter 3,03 por cento dos votos), mas conseguiu passar à frente do Bloco de Esquerda. Paulo Raimundo prometeu que o partido enfrentará com “muita coragem” a direita e a extrema-direita.

O Bloco de Esquerda foi um dos derrotados da noite, ficando-se pelos dois por cento de votos (menos de metade em relação ao ano passado) e elegendo apenas a deputada Mariana Mortágua. A perda de quatro deputados foi reconhecida pela coordenadora do BE como uma derrota. “Assumir essa derrota é o primeiro passo para fazermos em conjunto a reflexão que temos de fazer”, considerou, aproveitando para garantir “a toda a esquerda em Portugal” que “o Bloco de Esquerda está aqui”. “Temos muito trabalho pela frente para construir a esquerda e alargá-la, e para enfrentar a extrema-direita”, acrescenta.

O PAN conseguiu, por sua vez, manter a deputada única Inês Sousa Real, apesar de ter decrescido em número de votos, alcançou 1,36 por cento. “Gostaríamos de ter elegido um grupo parlamentar”, admitiu a porta-voz, acrescentando que “o voto útil acabou por prejudicar mais uma vez a pluralidade democrática”.

Por fim, com 0,34 por cento dos votos, o Juntos Pelo Povo alcançou representação parlamentar, elegendo um deputado. Filipe Sousa considerou preocupante o crescimento do Chega nestas eleições. “Quando os governos falham, os extremismos aumentam. E a verdade é que o crescimento do Chega é preocupante”, declarou aos jornalistas.

Vitória em sete concelhos e 32 freguesias

O Chega conseguiu uma vitória estrondosa no distrito de Setúbal, destronando pela primeira vez, desde as primeiras eleições legislativas e 2024, a esquerda, concretamente o PS e o PCP. Ganhou sete concelhos (Seixal, Moita, Montijo, Palmela, Sesimbra, Setúbal e Sines), o PS cinco (Almada, Barreiro, Grândola, Santiago do Cacém e Alcácer do Sal) e a AD um (Alcochete).

Numa análise pelos 13 concelhos, é possível verificar esta hecatombe política que poderá ter implicações em futuros atos eleitorais previstos como as autárquicas deste ano e as presidenciais em janeiro de 2026.

Nas 55 juntas de freguesia do distrito de Setúbal, o Chega ganhou 32: Comporta (Alcácer do Sal), Samouco (Alcochete), União das freguesias de Palhais e Coina (Barreiro), todas as freguesias concelho da Moita (União das freguesias de Gaio-Rosário, Sarilhos Pequenos, Moita, Alhos Vedros e União das freguesias de Baixa da Banheira e Vale da Amoreira), quatro freguesias do concelho do Montijo (União das freguesias de Atalaia e Alto Estanqueiro-Jardia, União de Freguesias do Montijo e Afonsoeiro, Pegões e Sarilhos Grandes), três freguesias do concelho de Grândola (Carvalhal, União das freguesias de Grândola e Santa Margarida da Serra e União das freguesias de Grândola e Santa Margarida da Serra), todas as freguesias do concelho de Palmela (Pinhal Novo, Palmela, Quinta do Anjo e União de Freguesias de Poceirão e Marateca), duas freguesias do concelho do Seixal (União das freguesias do Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires e Fernão Ferro), três freguesias do concelho de Setúbal (São Sebastião, Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra e Sado), Sines, e cinco freguesias de Santiago do Cacém (Ermidas-Sado, Alvalade, União das freguesias de São Domingos e Vale de Água, Cercal e Santo André) e duas freguesias de Sesimbra (Quinta do Conde e Sesimbra-Castelo).

Alcácer do Sal – O PS ganhou o concelho com 31,22 % e 1.884 votos, seguindo-se o Chega com 22,58 % e 1.363 votos e a AD com 7,05 % e 1.029 votos. A CDU ficou na quarta posição com 14,20 % e 857 votos. Nas quatro freguesias do concelho, o Chega venceu na Comporta, com 27,65 % e 167 votos; PS venceu no Torrão, com 33,50 % e 342 votos e na União de Freguesias de Alcácer do Sal com 31,43 % e 1.312 votos. A CDU ganhou São Martinho com 34,89 % e 82 votos.

Alcochete – A AD ganhou o concelho, o único do distrito, com 25,76 % e 2.893 votos, seguindo-se o Chega com 25,29 % e 2.840 votos e o PS com 20,94 % e 2.352 votos. Por freguesias, a AD ganhou Alcochete com 26,98 % e 2.079 votos e São Francisco com 30% e 459 votos. O Chega vence no Samouco com 33,33 % e 665 votos.

Almada – O PS venceu o concelho com 26,28 % e 25.800 votos, seguindo-se AD com 22,90 % e 22.480 votos e o Chega com 21,54 % e 21.153 votos. Nas freguesias, na União da Charneca, Caparica e Sobreda a AD ganhou 27,49 % e 8.114 votos e também na Costa da Caparica com 26,63 %e 1.997 votos. O PS vence a União de Freguesias de Caparica e Trafaria com 28,61 % e 3.721 votos; O PS ganha a União das freguesias de Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas com 28,44 % e 7.748 votos e a União de Freguesias de Laranjeiro e Feijó, com 28,55 % e 5.972 votos.

Barreiro – Os socialistas ganham o concelho com 30,21 % 13.416 votos, seguindo-se o Chega com 23,68 % e 10.516 votos e a AD com 16,16 %e 7.175 votos. Por freguesias, na União das freguesias de Barreiro e Lavradio, o PS ganha com 30,18 %e 3.859 votos. O PS ganha Santo António da Charneca com 27,42 % e 1.815 votos; a União das freguesias de Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena com 31,89 % e 7.199 votos; a União das freguesias de Barreiro e Lavradio com 30,18 % e 3.859 votos. O Chega ganha a União das freguesias de Palhais e Coina com 29,03 % e 704 votos.

Grândola – O PS ganha o concelho com 26,07 % e 1.919 votos, seguindo-se o Chega com 25,56 % e 1.882 votos e a AD com 20,32 %1.496 votos. Nas freguesias, o Chega ganha Carvalhal com 34,27 % e 207 votos, a União das freguesias de Grândola e Santa Margarida da Serra com 25,88 % e 1.456 votos, e na União das freguesias de Grândola e Santa Margarida da Serra com 25,88 %1.456 votos. A AD ganha Melides com 29,98 % e 244 votos.

Moita – O Chega ganha o concelho com 31,75 % e 11.608 votos, seguindo-se o PS com 25,51 % e 9.328 votos e a AD com 14,56 % e 5.324 votos. Nas freguesias, o Chega ganha na União das freguesias de Gaio-Rosário e Sarilhos Pequenos com 27,24 % e 417 votos; o Chega vence a freguesia da Moita com 33,87 % e 3.626 votos; o Chega vence também a freguesia de Alhos Vedros com 32,47 % e 3.141 votos; União das freguesias de Baixa da Banheira e Vale da Amoreira com 30,20 % e 4.424 votos.

Montijo – O Chega ganha no concelho com 31,41 % e 9.053 votos, seguindo-se a AD com 31,41 % e 9.053 votos e o PS com 20,69 %5.962 votos. Nas freguesias, o PS vence em Canha com 31,01 % e 222 votos. O Chega ganha Pegões com 42,65 % e 775 votos, na União das freguesias de Atalaia e Alto Estanqueiro-Jardia com 33,15 % e 1.015 votos, Sarilhos Grande com 35,08 % e 615 votos e na União de Freguesias do Montijo e Afonsoeiro com 30,07 % e 6.456 votos.

Palmela – O Chega vence o concelho com 30,30 % e 12.058 votos, seguindo-se o PS com 21,21 % e 8.442 votos e AD com 21,14 %8.412 votos. Por freguesias, o Chega venceu todas, nomeadamente a União das freguesias de Poceirão e Marateca com 44,94 % e 1.932 votos, Pinhal Novo com 29,87 %4.728 votos, Palmela com 26,19 % e 2.928 votos e Quinta do Anjo com 29,07 % e 2.470 votos.

Santiago do Cacém – O PS ganha o concelho com 25,08 % e 3.839 votos, seguindo-se o Chega com 24,07 % e 3.685 votos e AD com 23,28 % e 3.564 votos. Nas freguesias, o PS vence Abela com 24,39 % e 120 votos, e o Chega ganha Ermidas-Sado com 26,97 % e 271 votos e Alvalade com 28,49 % e 265 votos, a União das freguesias de São Domingos e Vale de Água com 26,27 % e 171 votos, Cercal com 28,84 % e 466 votos, Santo André com 25,39 % e 1.484 votos. A AD ganha a União das freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e São Bartolomeu da Serra com 26,29 % e 1.148 votos, São Francisco da Serra com 27,05 % e 109 votos, União das freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e São Bartolomeu da Serra com 26,29 %1.148 votos

Seixal – O Chega ganha o concelho com 26,02 % e 25.136 votos, seguindo-se o PS com 25,54 % e 24.673 votos e a AD com 20,98 % e 20.268 votos. Nas freguesias, o Chega vence na União das freguesias do Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires com 26,73 e % e 7.043 votos e Fernão Ferro com 30,45 % e 4.492 votos. O PS vence na Amora com 28,44 % e 7.396 votos e em Corroios com 25,97 % e 7.667 votos.

Sesimbra – O Chega ganhou também o concelho com 31,01 % e 9.525 votos, seguindo-se o PS com 22,29 %6.847 votos e a AD com 21,39 % e 6.570 votos. Nas freguesias, Sesimbra (Castelo) o Chega ganha com 25,56 % e 3.068 votos, Quinta do Conde com 36,29 % e 5.919 votos. O PS ganha Sesimbra (Santiago) com 27,07 % e 650 votos.

Setúbal – O Chega ganha o concelho com 27,28 % e 18.825 votos, seguindo-se o PS com 24,07 % e 16.610 votos e a AD com 22,51 % e 15.535 votos. Nas freguesias, o Chega vence São Sebastião (a maior do concelho) com 32,90 %8.875 votos, Sado com 33,82 % e 1.159 votos, Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra com 28,31 %1.222 votos. A AD ganha Azeitão com 28,22 % e 3.695 votos e a União de Freguesias de Setúbal com 26,48 %5.612 votos.

Sines – O Chega ganhou o concelho com 26,85 % e 1.925 votos, seguindo-se o PS com 22,42 % e 1.607 votos e a AD com 22,32 % e 1.600 votos. Na freguesia de Sines, o Chega vence com 27,25 % e 1.796 votos e a AD Porto Covo com 25,56 % e 148 votos.