A Casa Ermelinda Freitas e a artista Olga Noronha apresentaram a 7 de outubro o vinho “Destemido 2021 Reserva”, num encontro realizado no MUDE – Museu do Design e da Moda, em Lisboa, que presta homenagem a Manuel João de Freitas, figura incontornável da história da família e inspiração desta edição limitada de 2025 garrafas numeradas.
A cerimónia contou com a presença de Leonor Freitas, proprietária da Casa Ermelinda Freitas, Olga Noronha, artista plástica e investigadora responsável pelo conceito e imagem do projeto e de Jaime Quendera, enólogo da adega de Fernando Pó, concelho de Palmela e várias dezenas de convidados, desde personalidades ligadas ao setor, familiares e amigos da Casa Ermelinda Freitas.
Da autoria do enólogo Jaime Quendera, o “Destemido” tem na sua origem castas Castelão, Syrah, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon, com 12 meses de estágio em barricas de carvalho francês e americano e 24 meses em garrafa, revelando um tinto de carácter intenso, elegante e com final longo e equilibrado. “O resultado é um vinho intenso, com aromas complexos, textura aveludada e um final longo e sofisticado”, descreveu o enólogo, sublinhando que se trata de “um vinho capaz de durar 20 anos”.
A imagem do rótulo, concebida pela artista Olga Noronha, transformou cada garrafa numa verdadeira peça de arte, numa fusão entre a criatividade e a tradição vitivinícola da região de Setúbal.
Leonor Freitas explicou a criação deste vinho que presta homenagem ao seu pai, “um homem corajoso, com uma visão da vida e do mundo, muito além do seu tempo”, afirmando que ele era “um destemido” porque “nunca teve medo do controlo social e das críticas do mundo rural, acreditou sempre em mim e nas mulheres, era alguém à frente do seu tempo”. “Trata-se de um reconhecimento que se impunha já que a sua visão mudou a minha vida e é também responsável por aquilo que é hoje a Casa Ermelinda Freitas”, acrescentou a responsável, lembrando que “o vinho é uma arte”.
Olga Noronha explicou o projeto criativo e artístico deste projeto, desde a estética aos materiais utilizados em elementos como o rótulo, a caixa, o pousa-rolha e na peça de comunicação que acompanham o “Destemido”.
A artista disse ainda que ao longo do processo foi incorporado “o espírito de homenagem idealizado por Leonor Freitas bem como os valores familiares, com o objetivo e transmitir a imagem de um homem audaz, que na sua época, decidiu abandonar o conforto do seu lar para percorrer o país de bicicleta em busca de novos horizontes e com o propósito de divulgar o trabalho que então se realizava na sua casa”.
Para Jaime Quendera, o “Destemido” é “um vinho de excelência, verdadeiramente singular, concebido como tributo ao legado rural deixado pelos antepassados da família Freitas”. Manuel João Feitas “era um homem da terra e profundo conhecedor da região, procurou cuidadosamente a vinha ideal, selecionou as uvas com rigor e promoveu um encontro harmonioso entre castas, com o objetivo de potenciar a longevidade do vinho, que poderá envelhecer até 20 anos”.
Já Bárbara Coutinho, diretora do museu destacou que “o vinho é uma expressão da nossa cultura material, e o design pode ser um veículo extraordinário para contar as histórias, os gestos e as emoções que o acompanham”.
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