O presidente da Associação das Festas de Palmela – Festa das Vindimas, André Ribeiro, explica como está a ser organizado o certame que tem como tema “A tradição que nos une”, nomeadamente ao nível das “condições para a produção do cortejo e também da sustentabilidade financeira da festa, numa altura em que os custos continuam a aumentar”. André Ribeiro salienta que a festa é o resultado “do trabalho conjunto das associações, dos voluntários, das instituições, dos parceiros e de toda uma comunidade que continua a reconhecer-se nas suas tradições”. Uma das principais novidades da 63.ª edição será a maior dinamização do Mercado do Vinho. O Responsável lança um convite à população para que “participem, que venham para a rua, que assistam aos Cortejos, que visitem o Mercado do Vinho, que apoiem as nossas associações e que vivam intensamente estes seis dias”.
Florindo Cardoso
Setúbal Mais – Como foi preparar a edição deste ano da Festa das Vindimas e a escolha do tema “A Tradição que nos Une”?
André Ribeiro – Preparar esta edição tem sido particularmente desafiante. Temos enfrentado algumas dificuldades, nomeadamente ao nível das condições para a produção do cortejo e também da sustentabilidade financeira da festa, numa altura em que os custos continuam a aumentar. Mas esses desafios acabam também por reforçar aquilo que nos move.
O lema “A Tradição que nos Une” traduz precisamente o caminho que queremos seguir neste mandato. A Festa das Vindimas é muito mais do que os seis dias de setembro. É o resultado do trabalho conjunto das associações, dos voluntários, das instituições, dos parceiros e de toda uma comunidade que continua a reconhecer-se nas suas tradições. Queremos que a Associação esteja presente durante todo o ano na vida cultural da nossa terra e que a festa continue a ser esse grande ponto de encontro entre gerações.
Setúbal Mais — O que destaca da programação deste ano da Festa das Vindimas?
André Ribeiro – Destacaria, acima de tudo, a diversidade da programação e a preocupação em manter aquilo que é verdadeiramente identitário na nossa Festa das Vindimas. O Cortejo dos Camponeses e o Cortejo Etnográfico, as nossas filarmónicas, o movimento associativo, o vinho, a gastronomia e as tradições continuam a ter um papel central.
Teremos novamente três palcos — o Palco Principal, o Palco do Associativismo e o Palco do Mercado do Vinho — com propostas diferentes e complementares. Quero também destacar o reforço do Mercado do Vinho, que pretendemos afirmar cada vez mais como um espaço de promoção dos nossos vinhos, do Moscatel de Palmela e dos produtores da região.
É uma programação pensada para que, ao longo dos seis dias, quem visita a festa encontre diferentes motivos para ficar, participar e descobrir Palmela.
Setúbal Mais — Apesar de manter a tradição, há alguma novidade que queira destacar desta edição?
André Ribeiro – Sim. Uma das principais novidades será a maior dinamização do Mercado do Vinho. Ao final das tardes teremos sunsets, mantendo naturalmente a ligação aos produtores e aos vinhos da região. No Clube dos Vinhos iremos reforçar as provas comentadas e introduzir showcookings com harmonização vínica, aproximando ainda mais os nossos vinhos da gastronomia local.
Teremos ainda uma reorganização de alguns espaços do recinto. A rua da sede da Associação deixa de ter restauração e passa a ser dedicada ao artesanato: “Ofícios da nossa terra”. São alterações que procuram melhorar a experiência de quem nos visita, sem descaracterizar aquilo que é a essência da Festa.
Setúbal Mais — A escolha do cartaz musical é para agradar a todos os públicos?
André Ribeiro – Procuramos sempre construir um cartaz diversificado, capaz de chegar a diferentes gerações e a diferentes gostos musicais. Naturalmente, é impossível criar um programa que agrade absolutamente a toda a gente, mas tentamos encontrar um equilíbrio.
Este ano tivemos também de ser especialmente responsáveis na gestão financeira da Festa. Os custos aumentaram e temos compromissos que queremos cumprir, pelo que foi necessário reduzir o investimento em algumas áreas, incluindo nos espetáculos. Ainda assim, acredito que conseguimos apresentar um cartaz interessante e diversificado.
E há algo de que não abdicamos: dar palco à nossa terra. As nossas duas bandas filarmónicas, da Sociedade Filarmónica Humanitária e da Sociedade Filarmónica Palmelense “Loureiros”, voltarão a ter o merecido destaque no Palco Principal, porque também elas fazem parte da identidade da Festa das Vindimas.
Setúbal Mais — Qual a mensagem que quer deixar às gentes de Palmela para viver esta festa?
André Ribeiro – Que sintam esta Festa das Vindimas como verdadeiramente sua. A Festa das Vindimas nasceu da nossa terra, das nossas gentes, das nossas tradições e de muitas gerações de pessoas que deram o seu tempo e o seu trabalho para a manter viva.
Por isso, o convite que faço é para que participem, que venham para a rua, que assistam aos Cortejos, que visitem o Mercado do Vinho, que apoiem as nossas associações e que vivam intensamente estes seis dias.
Mais do que fazermos uma festa para quem nos visita, queremos continuar a fazer a nossa Festa, feita por nós e para nós. É isso que significa “A Tradição que nos Une”. E enquanto Palmela continuar a sentir a Festa desta forma, tenho a certeza de que esta tradição continuará viva durante muitas gerações.
Herman José é cabeça de cartaz
Festa das Vindimas tem como lema “A tradição que nos une”
A Vila de Palmela recebe, de 3 a 8 de setembro a 63.ª edição da Festa das Vindimas, que apresenta como lema “A tradição que nos une”, mantendo-se fiel às suas raízes e preservando o que a torna única, tendo como cabeça de cartaz Herman José.
Este ano – além da Gala de Eleição da Rainha das Vindimas, no dia 2 de setembro, que marca o início dos festejos, e dos momentos mais tradicionais, como o Cortejo dos Camponeses, a Pisa da Uva e Bênção do 1.º Mosto, o Cortejo das Vindimas, Mercado de Vinhos, harmonizações, cursos e provas desportivas e uma programação de concertos e o Encontro Concelhio de Folclore.
O cartaz musical da festa começa no dia 3 de setembro com a atuação dos Sangre Ibérico, no palco principal. Segue-se no dia 4, o concerto o FF acompanhado pela Banda da Sociedade Filarmónica Humanitária. No dia seguinte, terá lugar um tributo a Phill Collins. A 6 de setembro sobre ao palco a Orquestra das Vindimas. No dia 7, Herman José, com a Banda da Sociedade da Filarmónica Palmelense Loureiros promete um grande espetáculo. A festa encerra com o concerto dos ABBA MIA.
Recorde-se que o Sunset de apresentação desta edição, organizada pela Associação das Festas de Palmela – Festa das Vindimas, decorreu a 18 de julho, no largo de S. João e a 22 de agosto, e as candidatas a Rainha das Vindimas na Sociedade Filarmónica Humanitária, no evento “Moscatel às Nove”, iniciativas que contaram com a presença de muitos amigos, representantes de instituições locais, movimento associativo, eleitos dos órgãos municipais, a Rainha da Festa Vindimas 2025, Carolina Sousa e a Embaixadora dos Territórios Vinhateiros de Portugal 2025, Inês Carvalho.
A 63ª edição da Festa das Vindimas conta com um apoio financeiro do município de Palmela no valor de 60 mil euros, além do apoio logístico, estimado em cerca de 90 mil euros e de 15 mil euros para utilização do Cine-Teatro S. João e outros equipamentos municipais, reforçando a parceria com a Associação das Festas de Palmela na organização de um evento de grande relevância cultural, turística e económica para o concelho.
Na apresentação do evento, André Ribeiro, presidente da Associação das Festas de Palmela – Festa das Vindima, partilhou os desafios que a associação tem enfrentado, relacionados com a sua sustentabilidade financeira, e outros referentes às condições necessárias para a preparação do Cortejo, um dos momentos altos da Festa.
Reconhecendo que estas dificuldades têm impacto na edição, o responsável considera, contudo, que “mais importante do que fazer uma festa maior é garantir que continuamos a fazer uma festa fiel às nossas raízes, preservando aquilo que a torna única”.
A vice-presidente da Câmara Municipal de Palmela, Fernanda Pésinho, sublinha que o certame “como um dos momentos mais marcantes da nossa identidade”, recordando que, desde 1963, a Festa das Vindimas acompanha a história do concelho “representando mais de seis décadas de dedicação, entusiasmo e afirmação do território, com valorização daquilo que é a Vinha e o Vinho, mas, acima de tudo, de afirmação e de reconhecimento das pessoas que lhe dedicam o seu trabalho”.
Já o presidente da Junta de Freguesia de Palmela, Jorge Mares, presta um reconhecimento à equipa que dá vida à associação, sendo o papel desta fundamental para que a Festa das Vindimas seja uma realidade, ano após ano, relembrando que a mesma “é um cartaz turístico nacional”, constando no seu programa momentos inéditos e pioneiros que lhe conferem prestígio.
Considerada um dos principais eventos culturais e identitários do concelho, a Festa das Vindimas presta homenagem à tradição vitivinícola de Palmela e promove o território enquanto referência nacional e internacional na produção de vinhos.
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