Câmara de Setúbal anuncia apoio aos Bombeiros Voluntários de Setúbal para nova ambulância

O presidente da Câmara Municipal, André Martins, anunciou a atribuição de um apoio financeiro à Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Setúbal (AHBVS) para a aquisição de uma nova ambulância, a 19 de outubro, nas comemorações do 141.º aniversário da corporação.Nestas celebrações foram batizados uma nova ambulância um veículo de comando recondicionado.

André Martins disse que os Bombeiros Voluntários de Setúbal são “uma força fundamental de proteção e socorro” no concelho e “uma parte fundamental da proteção civil local e nacional”, porque, “sempre que seja necessário”, os seus meios, “com os seus voluntários e profissionais, são também acionados para outros teatros de operações”, fora do território municipal.

Após lembrar que, na sua presidência, a autarquia fez a atualização monetária dos protocolos para apoiar os serviços que a AHBVS presta às populações do concelho, o autarca frisou que anualmente o município transfere 450 mil euros “para que os voluntários possam manter a sua atividade e pagar também aos seus bombeiros que são profissionais”.

O edil assumiu o compromisso da câmara municipal de conceder “um apoio financeiro para a aquisição da nova ambulância”.

André Martins sublinhou que Setúbal “continua a ser uma das autarquias que mais investe” em Portugal em proteção civil e bombeiros, justificando a importância dada ao setor com o facto de os riscos tecnológicos e naturais serem “elevados” no concelho.

“Por isso, continuamos a considerar que faz todo o sentido manter as nossas forças de socorro com elevado nível de operacionalidade, isto num quadro em que todos os agentes de proteção civil do concelho contribuem para a composição de um dispositivo municipal com disponibilidade permanente e total capacidade de intervenção”, disse.

André Martins recordou o papel desempenhado pela autarquia em 2023, quando forçou o governo “a fazer alterações na legislação que regula a atividade dos bombeiros”, porque “quem trabalha tem direito a ser remunerado pelo tempo de serviço que presta”, e que o PCP apresentou recentemente projetos de lei sobre o estatuto social do bombeiro e a consagração da profissão como de risco e de desgaste rápido. “Os projetos de lei serão agora discutidos na especialidade e esperam-se resultados dentro dos próximos meses”, afirmou.

O presidente da AHBVS, Sérgio Varela, sublinhou os investimentos realizados em 2004, num valor superior a 50 mil euros, incluindo a reabilitação das camaratas masculina e feminina, uma zona coberta para viaturas e a reparação integral do telhado do quartel.

Sérgio Varela considerou que a Escola de Cadetes e Infantes da AHBVS, frequentada por jovens com idades entre os 8 e os 17 anos, é “uma aposta ganha”, porque há um ano foi apresentada com 30 alunos e agora continua a ter o mesmo número, depois de ter acolhido seis novos para o lugar de outros seis que passaram a recrutas, com a imposição de insígnias de estagiário na cerimónia de aniversário da associação.

Em representação da Liga dos Bombeiros Portugueses, o comandante Clemente Mitra, alertou que, “se não for alterado na especialidade”, o Orçamento de Estado de 2025 “vai ser uma catástrofe” para os bombeiros voluntários, porque haverá apenas mais um 1,4 milhões de euros a dividir por 464 associações humanitárias, o que dá “mais 300 a 350 euros por mês” a cada uma.

Clemente Mitra recordou que uma associação como a AHBVS tem 80 funcionários e o ordenado mínimo vai aumentar 50 euros – “é pena que não suba mais, os bombeiros merecem isso” –, o que resulta em mais quatro mil euros mensais de despesa fixa. O responsável considerou que os partidos “não sabem o que pretendem dos bombeiros”, lembrando que os voluntários “não têm uma carreira, nem os que são assalariados”.