Câmara de Braga entrega medalha de ouro a casal de mecenas Hans-Peter Bühler e Marion Bühler-Brockhaus

A Câmara Municipal de Braga distinguiu com a medalha de mérito e de honra da cidade, de grau ouro, o casal de mecenas Hans-Peter Bühler e Marion Bühler-Brockhaus, residentes em Setúbal, pelo apoio dado ao Museu D. Diogo de Sousa, em cerimónia realizada, a 5 de dezembro, no Theatro Circo, perante várias dezenas de convidados, por ocasião das comemorações do Dia de São Geraldo, padroeiro do concelho.

Foram entregues 53 medalhas de mérito e de honra da cidade, reconhecendo feitos notáveis cívicos ou méritos pessoais nas áreas da educação, saúde, cultura e desporto. “São pessoas e instituições com perfis muito diversos, da educação, à saúde, passando pela cultura e pelo desporto”, salientou o presidente do município bracarense, Ricardo Rio.

Numa mensagem enviada ao município, o casal de mecenas alemão, agradece a distinção, lamentando a falta de comparência por “motivos de saúde”, mas “presentes em espírito na homenagem que a Câmara Municipal de Braga nos presta”.

“Braga com as suas colinas e vales verdejantes, as imponentes igrejas, os edifícios religiosos, a história antiga como escavações e legados dos romanos, os cidadãos simpáticos e prestáveis, sim, tudo isto ficou caro aos nossos corações”, adianta a mensagem.

O casal lembra que “a nossa coleção, uma doação de arte greco-romana de cerca de 800 a.C. a 800 d.C., ainda não se destinava a um museu específico em 2015. Já os nossos antepassados doaram arte clássica antiga ao Museu Arqueológico de Leipzig. Esse museu era uma opção possível para nós. Mas já vivíamos em Portugal, em Setúbal há 10 anos, e também podíamos imaginar um museu português como sede da nossa coleção. O atual Museu D. Diogo de Sousa em Braga, com salas espaçosas e excelente aptidão histórica, teve da nossa parte condições ideais. O futuro confirmou a interação entre a cidade e o museu”.

“Com este programa expositivo pretendemos também atingir objetivos educativos para os alunos do concelho de Braga e transmitir conhecimentos, sugestões e alegria aos interessados em cultura, arqueólogos e aos investigadores. Um muito obrigado à direção do museu e ao presidente da Câmara Municipal de Braga”, conclui Hans-Peter Bühler e Marion Bühler-Brockhaus.

Hans-Peter Bühler e Marion Bühler-Brockhaus

Os mecenas nascidos na década de 40, na Alemanha, radicados em Portugal, desde 2006, já com nacionalidade portuguesa e setubalenses do coração, continuam unidos no amor à arte e arqueologia.

Negociantes de arte e mecenas de vários museus e instituições europeias espalhados por Alemanha, França e Países Baixos, Hans-Peter Bühler e Marion Bühler-Brockhaus dedicaram-se a enriquecer culturalmente o património do nosso país, com doações feitas a Setúbal e Braga.

Hans-Peter Bühler e a sua esposa deram apoios a Setúbal nas áreas de arte, património e cultura, de que merece referência a oferta de esculturas de grandes dimensões de autores portugueses instaladas em rotundas da cidade de Setúbal. O conjunto de arte pública, onde se destaca uma enorme escultura de golfinhos, em mármore, à entrada da cidade, simboliza o amor por Setúbal, cidade onde vivem.

Em geral as doações em arte pública, património e apoios à cultura, ultrapassam um milhão de euros, incluindo um conjunto de peças oferecidas ao Museu da Cidade de Setúbal. Em 2021, o casal Bühler-Brockhaus fez um donativo de 500 mil euros ao Centro Hospitalar de Setúbal para a construção da Unidade de Internamento de Curta Duração (UICD), do Serviço de Urgência Geral do Hospital de São Bernardo.

O interesse pelo Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, em Braga, aconteceu após uma visita que os deixou encantados pela instituição.

No início de 2015, Hans-Peter e Marion, enquanto administradores da Fundação Buehler- Brockhaus (já extinta), decidiram reforçar a compra de objetos arqueológicos para depois doar a um museu português, pelo que visitaram vários museus com o objetivo de tornar a sua coleção constituída por recipientes de vidro e cerâmica, peças metálicas, esculturas de mármore e mosaicos, maioritariamente gregos, etruscos e romanos, com a condição de que a coleção não fosse dividida em salas diferentes, ou misturada com peças de outras coleções, e estivesse acessível ao público.

Após visitas a alguns museus de Arqueologia em Portugal, consideraram o Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, o mais adequado para doar as suas peças de arqueologia clássica, por se tratar também de um museu de arqueologia já existente, que abrange os períodos desde o Paleolítico até à Idade Média, com especial relevo para o espólio proveniente da cidade romana de Bracara Augusta, e com um Laboratório de Conservação e Restauro. A então diretora do Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa de Braga, Isabel Silva, manifestou interesse em expor o acervo e aceitou ceder uma sala, pelo que, em 2018, foi assinado o auto de doação.

As peças deram entrada no Museu, inicialmente ao abrigo de um contrato de comodato, a partir de 12 de junho de 2017. Um dos momentos altos aconteceu em 23 de fevereiro de 2018, celebrando o Centenário do Museu D. Diogo de Sousa, com a entrada de peças como o retrato em mármore de Trajano, a estátua monumental de mármore de Mulher Sentada, um grande krater de volutas apúlio, um grande mosaico e o cálice com a raridade de uma inscrição etrusca original.

Num gesto de grande significado para o Museu e para a cidade de Braga, Hans-Peter e Marion quiseram encerrar esta doação com a oferta de um retrato romano em mármore do Imperador Augusto, fundador da cidade romana de Bracara Augusta, que deu entrada no Museu em 2 de maio de 2019.

Imperador Augusto

Hans-Peter Bühler e Marion Bühler-Brockhaus legaram uma doação de cerca de 300 obras da antiguidade clássica ao Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, a título particular e através da Fundação Buehler-Brockhaus.

Em fevereiro de 2020, o Museu iniciou a preparação da Exposição da Doação Bühler- Brockhaus. A sala reservada pelo Museu para a exposição exibe uma grande variedade de peças, que vão desde vasos gregos de cerca de 700 a.C., etruscos e romanos, unguentários em vidro recolhidos no sul da Itália, elementos figurativos em cerâmica ou bronze, ou adornos de matais preciosos. Algumas esculturas romanas dos séculos I e II também estão em exposição, incluindo três mosaicos romanos.

Foi no dia 21 de outubro de 2021, que foi inaugurada a sala da Exposição Permanente da Doação Bühler-Brockhaus. Esta diversificada coleção oferece uma visão fascinante das vidas e culturas antigas, permitindo aos visitantes embarcar numa viagem no tempo até as civilizações que moldaram a história da cultura ocidental. Esta doação enriqueceu o património nacional e proporciona uma oportunidade ímpar para a educação e apreciação das artes clássicas por públicos de todas as idades.

Em 2023, chegaram ao museu mais 16 peças, provenientes de galerias arqueológicas de renome, num valor superior a 1,1 milhões de euros e em 2024, mais 21, no valor superior a 1 milhão de euros. Parte delas, serão expostas numa exposição a inaugurar no próximo dia 18 de dezembro, no museu.

O Museu Regional de Arqueologia D. Diogo de Sousa foi ainda alvo de obras de beneficiação e requalificação graças a uma doação de 410 mil euros feita por este casal alemão, sendo a primeira empreitada de melhoria do edifício do Museu, após a sua abertura ao público em 2007. A doação permitiu a limpeza e pintura do edifício de todo o exterior bem como a melhoria das acessibilidades, sistemas de segurança e iluminação.

O espírito de mecenato do casal é herdado das suas famílias que, desde finais do século XVIII, apoiavam a cultura de variadíssimas formas, entre as quais a doação de peças arqueológicas e publicação de vários trabalhos ligados à área.

Hans-Peter Bühler fez os seus estudos no domínio da História de Arte e Arqueologia, na Universidade de Munique, tendo feito o seu Doutoramento em Arqueologia. Terminada a formação académica, desenvolveu a sua carreira profissional na galeria de arte da família, a Kunsthaus Bühler, fundada em 1904, em Estugarda, e como historiador de arte e colecionador, tendo-se especializado na obra de pintores franceses do século XIX.

Marion nasceu no seio da família que fundou a editora F. A. Brockhaus, tendo estudado também História da Arte e Arqueologia e participado em escavações arqueológicas no sul de Itália. Durante gerações, a família Brockhaus apoiou o museu de Arqueologia da Universidade de Leipzig, tendo fomentado a criação de museus e institutos de arte em vários pontos da Europa, doado obras de arte e patrocinado escavações arqueológicas.

Em termos globais, as doações, apoios financeiros e contrato de comodato ao Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, representam um valor superior a 6 milhões de euros.