A CDU aposta em Ana Teresa Vicente para manter a presidência da Câmara Municipal de Palmela. A candidata já foi presidente do município entre 2001 e 2013. Criar mais oferta de emprego no concelho, melhorar a mobilidade e as acessibilidades rodoviárias, continuar o investimento na educação, melhorar o cuidado com o espaço público, reforçar o investimento na recolha de lixo e higiene urbana são algumas das promessas de Ana Teresa Vicente. Licenciada em Sociologia pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e Empresa, Ana Teresa Vicente iniciou a atividade profissional como secretária do então coordenador da Associação de Municípios do Distrito de Setúbal, Carlos de Sousa, também ele antigo presidente da Câmara Municipal de Palmela. Ana Teresa Vicente foi eleita vereadora da CDU em 1997, mandato em que assumiu o pelouro do Planeamento, Gestão Urbanística e Desenvolvimento, para quatro anos depois, em 2001, se tornar na primeira mulher a presidir à Câmara Municipal de Palmela.
Florindo Cardoso
Setúbal Mais – Quais as razões que a levaram a aceitar esta candidatura à Câmara de Palmela?
Ana Teresa Vicente – Acredito, por uma espécie de imperativo de consciência, que em cada momento, cada um de nós deve fazer o que sabe e pode para defender e valorizar aquilo em que acredita. Acredito que a minha vontade de contribuir para o desenvolvimento socioeconómico e cultural, bem como para a coesão territorial do concelho de Palmela, nestes novos tempos que vivemos pode ser muito importante. Quero contribuir para valorizar a democracia. Por isso, aceitei o desafio do meu partido e da CDU, e de muitas outras pessoas, para voltar a exercer funções mais executivas na autarquia. O que muito me honrou.
Setúbal Mais – Tendo já sido presidente do município durante 12 anos, considera que os munícipes ainda se recordam da sua gestão, e isso favorece esta nova candidatura?
Ana Teresa Vicente – Muitas pessoas e instituições têm-me dado testemunho de que recordam o trabalho desenvolvido durante os três mandatos em que fui presidente da Câmara Municipal de Palmela. Muitos ainda falam desse trabalho e da dinâmica coletiva gerada como algo que ajudou a valorizar Palmela e todo o seu património. Houve também muitas obras marcantes realizadas e também a capacidade de mobilizar investimentos que, sendo da administração central, ajudei a concretizar. Gostava de recordar que, para além de viver há quase trinta anos em Palmela, fui presidente da Assembleia Municipal durante dois mandatos, mantendo-me ainda como membro daquele órgão, ao mesmo tempo que exerço, há doze anos, funções de gestão numa empresa financeira do setor da economia social, o que, considero, tem-me acrescentado novas competências. Claro que há um largo conjunto de novos residentes e, ainda, de jovens que passaram a ser cidadãos, eleitores, com os quais espero partilhar o que é o nosso projeto e qual o nosso compromisso futuro.
Setúbal Mais – Quais as principais ideias e projetos que defende para o concelho?
Ana Teresa Vicente – Estamos a construir o nosso programa com a participação dos cidadãos e instituições do concelho. Mas adianto desde já que a visão que defendo implica continuar a batalhar para que Palmela se mantenha este concelho que, no seio da área metropolitana de Lisboa, tem qualidades ambientais e áreas protegidas que funcionam como um verdeiro pulmão, ao mesmo tempo que consolida espaços urbanos de dimensão humana, o que todos precisamos para dar mais qualidade à nossa vida. Quero continuar a contribuir para criar mais oferta de emprego no concelho. Claro que precisamos de melhorar a mobilidade, o que significa que para além dos modos mais amigos do ambiente, como os transportes públicos e as ciclovias, temos ainda que melhorar as acessibilidades rodoviárias. Tenciono empenhar-me com todas as forças, para reivindicar as variantes há muitos anos previstas para o concelho. Em simultaneamente, continuar o investimento na educação, melhorar o cuidado com o espaço público, reforçar o investimento na recolha de lixo e higiene urbana, apenas para dar alguns exemplos. Quero, sobretudo, reforçar princípios de gestão próxima dos trabalhadores porque todas as mudanças só são positivas quando contam com o envolvimento das pessoas. Os meios digitais são muito importantes, os processos e métodos de trabalho são indispensáveis, mas são as pessoas que fazem toda a diferença.
Setúbal Mais – A habitação e segurança são duas das preocupações das pessoas e isso levou ao aumento dos votos no Chega das freguesias rurais nas últimas legislativas. O que pretende nestas áreas?
Ana Teresa Vicente – Na minha opinião, as principais necessidades das pessoas continuam a situar-se nas áreas sócio económicas. Há baixos salários para uma significativa parte da população, nomeadamente para os jovens, e por outro lado pensões de reforma muito baixas o que afeta a população mais idosa. Há também dificuldades nos acessos aos cuidados de saúde, inclusive em termos de cuidados de proximidade e, característica de toda a área metropolitana em que nos inserimos, os custos exorbitantes da habitação! Ora, não me parece que o partido que referiu tenha soluções para estes problemas, ao contrário da CDU, que tem apresentado propostas concretas no parlamento e desenvolvido trabalho no município. Claro que é essencial viver em segurança e desde logo há medidas em termos económicos, sociais, culturais e urbanísticas que contribuem para um desenvolvimento mais harmonioso das comunidades. (Costumo dar o exemplo que viver em edifícios de três ou quatro pisos gera uma maior possibilidade de conhecimento e interação do que edifícios de 10 pisos). Mas não podemos esquecer que a perceção ou a sensação de insegurança que existe é em muito provocada e manipulada pela forma como se trata o tema. Temos que separar o trigo do joio em torno deste tema. Por exemplo, e não posso deixar de referir, pela proximidade dos acontecimentos, o repúdio pelos atos de violência perpetrados recentemente contra cidadãos e grupos, que revelam intolerância, ódio e xenofobia. Esses sim têm que ser repudiados como intoleráveis, para que todos nos sintamos mais seguros! Nas zonas rurais, como em todo o nosso concelho, conto com a confiança e o bom senso da população.
Setúbal Mais – Qual a mensagem que quer deixar aos cidadãos do concelho para votarem na sua candidatura?
Ana Teresa Vicente – Quem me conhece sabe que sou uma pessoa que confia e que é confiável. A confiança é um dos valores mais importantes nas nossas vidas. Para além do trabalho que já fiz neste concelho, sei que tenho a convicção, os valores e a energia tão necessários para enfrentar os novos problemas que existem na sociedade e em Palmela também, com todas as competências e ferramentas de gestão que podem ser mobilizadas pelas autarquias, em diálogo com poder central, e com o envolvimento das empresas e de todas as instituições deste concelho, numa relação próxima, parceira e franca. Nunca prometendo o que não posso fazer, mas garantindo o maior envolvimento de todos.
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