O livro “Faça-se Luz” vai ser lançado no dia 24 de outubro, às 16h00, no salão nobre dos Paços do Concelho. A obra é um tributo aos 50 anos da criação da Diocese de Setúbal e ao centenário de D. Manuel Martins, primeiro bispo de Setúbal. O livro que será apresentado pelo presidente da Fundação, o padre Casimiro Simão Henriques, é a iniciativa que marca o arranque das comemorações do centenário que se prolongará ao longo de 2027.
Florindo Cardoso
Setúbal Mais – Como surgiu a ideia de lançar o livro “Faça-se Luz”?
António Melo – A ideia de lançar o livro Faça-se Luz surgiu no âmbito de uma reunião da Administração da Fundação D. Manuel Martins, na qual foi deliberado desenvolver um programa comemorativo do Centenário do Nascimento de D. Manuel Martins (1927–2027).
Dessa reflexão nasceu um conjunto diversificado de iniciativas que têm um propósito comum: preservar e transmitir às gerações futuras a memória, o pensamento e a ação de D. Manuel Martins, perpetuando os valores que orientaram a sua vida e o seu ministério, nomeadamente a defesa da dignidade da pessoa humana, a solidariedade, a justiça social e a atenção aos mais vulneráveis.
São valores que permanecem absolutamente atuais e que consideramos fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.
O livro “Faça-se Luz” é uma das primeiras iniciativas deste programa e assume um significado muito especial, uma vez que marca o início público das comemorações do Centenário.
A sua apresentação terá lugar no dia 24 de outubro de 2026, pelas 16h00, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal, numa sessão em que a obra será apresentada pelo Presidente da Fundação, Padre Casimiro Simão Henriques.
Queremos que este livro contribua para manter viva a memória de D. Manuel Martins e para dar a conhecer o seu pensamento e os valores que marcaram a sua intervenção na Igreja e na sociedade.
A obra será posteriormente apresentada em vários concelhos do distrito de Setúbal, durante o último trimestre de 2026 e ao longo de 2027, procurando levar esta memória e esta mensagem a um público cada vez mais alargado.
Setúbal Mais – Este lançamento representa o arranque das comemorações do Centenário do Nascimento do primeiro Bispo de Setúbal?
António Melo – Sim. O lançamento do livro “Faça-se Luz” constitui o primeiro grande momento público de um programa comemorativo que a Fundação D. Manuel Martins está a preparar e que se prolongará ao longo de 2027.
A nossa intenção é assinalar esta data de forma abrangente, envolvendo os diferentes concelhos do distrito, as instituições, as comunidades e a população em geral.
Para além do livro, o programa integra várias iniciativas destinadas a dar a conhecer as diferentes dimensões da vida e da obra de D. Manuel Martins.
Destaco, desde logo, a exposição itinerante “Voz que quebra o silêncio”, dedicada ao seu percurso, ao seu pensamento e à sua intervenção pastoral e social. A exposição terá início no dia 20 de janeiro de 2027, data do seu nascimento, na Galeria do Quartel do 11, em Setúbal, seguindo posteriormente para outros concelhos do distrito.
Estão igualmente previstos colóquios, jornadas de reflexão sobre o seu pensamento e legado, momentos de poesia, teatro e canto, celebrações religiosas e outras iniciativas culturais e evocativas.
O programa culminará, em outubro de 2027, com um concerto comemorativo no Cine-Teatro Luísa Todi, em Setúbal.
Gostaria, contudo, de sublinhar um aspeto que consideramos particularmente importante: a Fundação não pretende que estas comemorações sejam um programa fechado sobre si próprio. Pelo contrário, queremos que constituam uma oportunidade de participação e envolvimento de toda a comunidade.
Nos contactos que temos vindo a estabelecer com os municípios do distrito, temos lançado o desafio de promoverem iniciativas próprias em homenagem a D. Manuel Martins, reconhecendo a importância da sua intervenção e a marca que deixou na região.
A Fundação está disponível para acolher essas propostas, colaborar na sua concretização e contribuir para que o Centenário seja vivido de forma participada, plural e abrangente.
Setúbal Mais – Sabendo que a realização destas iniciativas era um desejo antigo do Professor Eugénio Fonseca, está também prevista uma homenagem a esta personalidade?
António Melo – A ligação entre D. Manuel Martins e o Professor Eugénio Fonseca foi particularmente marcante e merece ser recordada quando falamos do legado do primeiro bispo de Setúbal.
Como é amplamente reconhecido, o professor Eugénio Fonseca foi profundamente influenciado pela personalidade carismática de D. Manuel Martins, encontrando nele uma referência espiritual, um mentor e uma inspiração para o seu compromisso de serviço aos outros. O pensamento, a coragem e a capacidade de intervenção de D. Manuel Martins encontraram na ação de Eugénio Fonseca uma expressão concreta, particularmente no domínio da solidariedade e da intervenção social.
Sabemos, aliás, que a concretização de iniciativas dedicadas a D. Manuel Martins constituía um desejo antigo do professor Eugénio Fonseca. Dar continuidade a esse propósito representa, também, uma forma de reconhecer o seu contributo e honrar a sua memória.
A Fundação considera, por isso, natural que a memória de Eugénio Fonseca esteja presente nas iniciativas que promoverá, sempre que essa evocação se enquadre no seu percurso, na sua relação com D. Manuel Martins e no legado de ambos.
Setúbal Mais – Qual é a mensagem de D. Manuel Martins que a Fundação pretende transmitir com estas comemorações?
António Melo – Ao concebermos este programa, procurámos que as comemorações do Centenário fossem abertas, plurais e capazes de chegar a diferentes públicos, gerações e sensibilidades.
Queremos promover o diálogo com a sociedade, aproximar pessoas e instituições e criar oportunidades para refletir sobre questões que continuam a desafiar-nos enquanto comunidade.
A mensagem fundamental de D. Manuel Martins permanece atual: a dignidade da pessoa humana deve estar sempre no centro das nossas decisões e da nossa intervenção.
A solidariedade, a justiça social, a defesa dos mais vulneráveis e a coragem de denunciar situações de injustiça não podem ser valores meramente proclamados. Têm de traduzir-se em atitudes, escolhas e ações concretas.
É precisamente essa dimensão que pretendemos dar a conhecer: não apenas o bispo, mas também o homem, o cidadão e a personalidade que fez da defesa da dignidade humana uma prioridade da sua vida.
Queremos chegar àqueles que tiveram a oportunidade de o conhecer e de com ele partilhar o seu tempo, permitindo-lhes reencontrar a sua mensagem. Mas queremos igualmente chegar àqueles que não o conheceram, sobretudo às novas gerações, para que possam descobrir a importância do seu pensamento e compreender a atualidade do seu legado.
É esse, em nosso entender, o verdadeiro sentido destas comemorações: recordar D. Manuel Martins, dar a conhecer o seu legado e manter vivos os valores pelos quais lutou.
Não gostaria de terminar sem deixar uma palavra de profundo agradecimento a todos aqueles que têm contribuído para a concretização deste projeto: amigos, colaboradores, artistas, instituições, municípios e todas as pessoas que acreditam na importância de preservar a memória e perpetuar o legado de D. Manuel Martins.
A todos deixo o nosso sincero reconhecimento pela confiança, pelo apoio e pela vontade de se associarem a esta iniciativa.
Aproveito, igualmente, para dirigir um convite a todos os que nos acompanham: estejam presentes no dia 24 de outubro, pelas 16h00, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal, para a apresentação do livro Faça-se Luz.
Contamos com a vossa presença para, em conjunto, celebrarmos a vida e a obra de D. Manuel Martins e renovarmos o compromisso com os valores humanos.

