O arquiteto Paulo Pisco vai candidatar-se à presidência da Comissão Política do PSD de Setúbal, cujas eleições decorrerão a 28 de fevereiro. Com uma larga experiência política a nível autárquico, é militante desde 1984, Paulo Pisco considera que a sua candidatura reúne o consenso. O candidato que concorre com o slogan “Afirmar Setúbal” lamenta que o PSD não tenha representantes nos órgãos autárquicos locais devido ao apoio do partido a nível nacional ao movimento independente de Dores Meira, mas “temos a visão que mesmo nos cenários mais difíceis, e já vivemos alguns em Setúbal, existem sempre oportunidades”. Paulo Pisco considera ainda que “é urgente dar voz em Setúbal a todo o povo de centro direita, que não tem quem o represente na câmara e nas freguesias”.
Florindo Cardoso
Setúbal Mais – Quais as principais razões para avançar com a candidatura à presidência da Comissão Política do PSD de Setúbal?
Paulo Pisco – Avanço para esta candidatura convencido que a política tem de se adaptar ao mundo acelerado e em transformação que estamos a viver. Em Setúbal, no país e no mundo. Faço-o como um imperativo de consciência. Sempre entendi a atividade cívica e política dessa forma. Apesar, ou além disso, a minha já longa experiência política, permite enfrentar os novos desafios, com uma visão alargada sobre o essencial a ser feito nos próximos anos. As circunstâncias colocaram à Secção de Setúbal, onde milito desde 1984, desafios que nunca vivemos. Entenderam outros e eu próprio que era a pessoa melhor preparada para o fazer. Aqui estou.
Setúbal Mais – Quais os principais desafios que se colocam ao PSD de Setúbal?
Paulo Pisco – “Afirmar Setúbal” é o princípio e o fim desta candidatura. Afirmar no partido, na cidade, no concelho, na região e no mundo. O momento particular que vivemos exige cooperação entre todos os que querem construir um mundo melhor, uma cidade e um concelho mais desenvolvido e justo. Como sempre acreditamos, no PSD de Setúbal, na importância dos partidos para a resolução dos desafios colocados à democracia, neste caso, local, cá estamos para contribuir de forma decisiva na construção do nosso futuro comum.
Setúbal Mais – O facto do PSD não ter, neste momento, representantes nos órgãos municipais, em virtude do apoio do PSD nacional à candidatura independente de Dores Meira, é uma dificuldade para a afirmação do partido a nível local?
Paulo Pisco – O PSD de Setúbal é uma realidade presente desde o início da construção democrática no concelho. Somos um partido fundador da democracia. Lutámos desde 1974 contra todos aqueles que tiveram uma pulsão totalitária na região, participando na afirmação e construção do poder autárquico, em Setúbal desde a sua primeira eleição. Nesse sentido é, como calcula, muito estranho para os militantes da Secção do PSD de Setúbal e para os seus eleitores, não ter tido a sua sigla no boletim de voto, assim como não ter o nosso programa e os nossos candidatos a representarem aquilo em que acreditam. Passámos de 21 autarcas eleitos, em 2021, para nenhum autarca eleito, em 2025. Tínhamos tido um resultado autárquico em 2021, que nos orgulhávamos, com dois vereadores, seis deputados municipais e treze espalhados pelas cinco assembleias de freguesia. Mas não é só o número são as políticas que ajudámos a promover.
Apresentámos propostas muito relevantes para os setubalenses e azeitonenses, durante estes últimos anos. Da redução de impostos: IMI e IRS, onde fizemos de Setúbal o primeiro concelho do país a conseguir obter a Isenção do IMT Jovem; à comparticipação no passe Navegante e, na obtenção da dispensa de pagamento do primeiro dístico de estacionamento, imposto por uma concessão de 40 anos a que sempre nos opusemos, fizemos diferença relativamente aos mandatos anteriores da governação CDU.
Mas estas últimas eleições correram como se sabe. A Secção de Setúbal não esteve de acordo com a estratégia seguida. Mas agora a realidade é o que é. E como sabemos a realidade tem muita força. Ao PSD de Setúbal cabe agora fazer o que sempre fez. Lutar pela melhoria da qualidade de vida dos setubalenses e azeitonenses, mas agora sem autarcas eleitos. Mas temos a visão que mesmo nos cenários mais difíceis, e já vivemos alguns em Setúbal, existem sempre oportunidades de Afirmar Setúbal.
Setúbal Mais – O que poderá fazer para unir novamente o PSD local que ficou dividido com esta situação autárquica?
Paulo Pisco – Penso que existe um pressuposto errado na pergunta. O PSD local não está dividido, antes pelo contrário. O PSD Setúbal, no seu plenário, votou por unanimidade a estratégia que pretendia seguir e que foi decidida de forma diversa pelo nível distrital e nacional do partido. Atrevo-me a dizer que está mesmo muito unido e que será disso expressão esta candidatura. Pelo amplo consenso que tem reunido nos militantes de Setúbal e até no distrito. Acreditamos mesmo que será candidatura única. O que revela o seu sentido. Mas aguardemos por dia 28 de fevereiro com serenidade e humildade democrática. Os militantes são quem manda na Secção de Setúbal.
Setúbal Mais – Tendo sido autarca durante muitos anos, como vê o facto do partido não ter representação local neste momento?
Paulo Pisco – Com tristeza e apreensão. Como referi anteriormente, o PSD sempre teve amplo apoio sociológico em Setúbal. Existe uma base eleitoral forte que não se viu representada nestas eleições. Essas pessoas ficaram sem representação política. E não somos só nós que o sentimos dessa maneira. O Movimento Independente que ganhou apenas a câmara (por pouco mais de mil votos, tendo perdido em todas as freguesias) refere sistematicamente e bem, que apenas se representa a si próprio.
É urgente dar voz em Setúbal a todo o povo de centro direita, que não tem quem o represente na câmara e nas freguesias. Temos que dar voz ao PSD em Setúbal. Estamos convencidos que é por isso que os setubalenses olham com algum alento para esta candidatura que lhes dá esperança. Esperança para que se Setúbal se Afirme.
Estamos por isso determinados a apresentar uma lista que alia, tradição com inovação. Respeita o passado do PSD em Setúbal, construindo o seu presente e perspectivando o seu futuro, dando sempre relevo a quem tem mérito.
Assim conjuntamente com um conjunto de militantes desta Secção, que têm o mesmo entendimento sobre PSD que eu próprio, apresentamo-nos para Afirmar Setúbal, princípio e fim desta candidatura.

