Presidente da República distingue Isabel Cristina Fernandes

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou Isabel Cristina Ferreira Fernandes, coordenadora científica do Gabinete de Estudos sobre a Ordem de Santiago da Câmara Municipal de Palmela, a 3 de novembro, com o Colar e Grau de Dama da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, que distingue o mérito literário, científico e artístico.

A Câmara Municipal de Palmela enaltece o trabalho de Isabel Cristina Fernandes na área do Património Cultural e Investigação Historiográfica, reconhecendo “a sua dedicação aos estudos científicos realizados e o contributo para a valorização e notoriedade do concelho”.

Isabel Cristina Ferreira Fernandes é coordenadora científica do Gabinete de Estudos sobre a Ordem se Santiago do Município de Palmela, membro do CIDEHUS – Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades – Universidade de Évora, colaboradora do Instituto de Estudos Medievais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e membro do Grupo de Investigação sobre a Cerâmica Islâmica do Gharb Al-Andalus (CIGA).

Licenciada em História pela Faculdade de Letras de Lisboa em 1980, obteve o grau de Mestre em Arte, Património e Restauro, na mesma faculdade, em 2001, com a dissertação “O Castelo de Palmela: do Islâmico ao Medieval Cristão”.

Dedicando-se à prática da Arqueologia desde o início dos anos 80 do século XX, é a partir de 1987 que se estabelece a sua ligação a Palmela, iniciando um vasto trabalho de investigação sobre as Ordens Militares, em particular, a Ordem de Santiago, logo no ano seguinte.

No concelho de Palmela, desenvolveu trabalhos de campo em diversos locais, contribuindo de forma significativa para o conhecimento que hoje se possui do nosso passado, em particular, dos períodos muçulmano e cristão medievais.

As escavações realizadas no Castelo Palmela, sob a sua orientação científica, deram origem a publicações e artigos científicos que são referência nacional e internacional, para além da coautoria do PRAC – Programa de Recuperação e de Animação do Castelo de Palmela.

Os seus estudos e investigações sobre Ordens Militares contribuíram para a realização do primeiro Curso de Introdução ao Estudo das Ordens Militares, em 1997, promovido pelo Município, sendo corresponsável pelos 20 cursos que se lhe seguiram e que são, atualmente, uma referência no seio da comunidade científica que se dedica ao estudo desta temática.

O seu interesse e dedicação ao tema das Ordens Militares permitiu a realização dos Encontros Internacionais sobre Ordens Militares de Palmela, cuja última edição, a nona, se realizou em 2023 e reuniu investigadores de todo o mundo, sob os auspícios do Presidente da República, colaboração que Isabel Cristina Fernandes tem promovido ao longo das diversas edições deste evento singular no nosso país.

No campo da Arqueologia, para além dos inúmeros trabalhos de campo e artigos científicos, destaca-se a coordenação das Jornadas Internacionais de Arqueologia que, no corrente ano, tiveram a sua terceira edição, bem como a cocoordenação das atas das referidas jornadas, para além da participação em diversas publicações nacionais e internacionais.

No estudo da Castelologia, a promoção e coordenação dos Cursos sobre Castelos, por ocasião do Dia dos Castelos, tem proporcionado a apresentação de investigações sobre este tipo de edificações, afirmando-se como uma iniciativa de grande relevância científica. Também nesta área de estudo, é resultado do seu empenho a realização em Palmela do I Simpósio Internacional sobre Castelos e a sua segunda edição em Óbidos.

O seu envolvimento com Palmela encontra-se também presente nos trabalhos expositivos, de caráter permanente ou temporário que, ao longo de várias décadas, tem sido possível apreciar nos espaços museológicos do Castelo de Palmela ou nas exposições que se realizam na Igreja de Santiago, entre outros locais.

Recorde-se que Isabel Cristina Ferreira Fernandes foi agraciada com Medalha de Mérito Municipal de Palmela – Grau Ouro, que o Município de Palmela em 2015, pelo seu trabalho no Património Cultural e Investigação Historiográfica.