Isaac Furtado, da prisão de Pinheiro da Cruz, vence concurso nacional de escrita criativa

Isaac Furtado, do Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz, sito no concelho de Grândola, com o texto “Meu Caro Luís”, ganhou o concurso de escrita criativa de 2025, promovido pela Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) em parceria com a Direção Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), no âmbito das comemorações do V Centenário do nascimento de Luís Vaz de Camões, que decorrem até 10 de junho de 2026.

O júri destacou a força expressiva do trabalho que revela que “a temática proposta foi compreendida, integrada e trabalhada com criatividade, originalidade e qualidade literária”.

Isaac Furtado (pseudónimo) é utilizador da Biblioteca Itinerante de Grândola e participa no projeto “Livros em Cadeia” que apresenta duas vertentes: Mediação de Leitura – contexto sala de formação dentro do Estabelecimento Prisional e Troca de Livros – com reclusos em regime aberto.

O concurso reuniu um total de 90 trabalhos, 78 provenientes de estabelecimentos prisionais e 12 de centros educativos.

A iniciativa que foi desenvolvida ao abrigo do protocolo celebrado entre os ministérios da Justiça e da Cultura, e inserida no programa “Leitura sem Fronteiras”, desafiou os participantes a inspirarem-se no mote “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”.

A Biblioteca e Arquivo do Município de Grândola integrou o conjunto de 41 bibliotecas municipais da área geográfica dos estabelecimentos prisionais e dos centros educacionais, convidadas pela DGLAB a participarem como representantes no júri local, na primeira fase de seleção dos trabalhos. Numa segunda etapa, os trabalhos finalistas foram submetidos à apreciação de um Júri Nacional, composto por profissionais da DGRSP e da DGLAB, que determinou a classificação final.

A DGRSP realça, por seu lado, a importância da iniciativa no processo de reintegração social e desenvolvimento pessoal de quem cumpre penas privativas de liberdade ou medidas educativas. Para os organizadores, o envolvimento de reclusos e jovens em iniciativas culturais representa uma ponte entre a liberdade interior que a literatura permite e a possibilidade de transformação individual, mesmo em contextos de privação da liberdade.

O programa “Leitura sem Fronteiras”, de que este concurso faz parte, tem vindo a fomentar práticas de leitura, escrita e criação em diversos contextos do sistema prisional e educativo, com o apoio de redes de bibliotecas e profissionais da área cultural e da justiça.

A escolha de Camões como figura inspiradora desta edição, segundo os promotores, relaciona-se com o papel central do autor de “Os Lusíadas” na identidade nacional, mas também a intemporalidade da sua obra e a atualidade do seu pensamento sobre a mudança e o destino.