Setúbal

Sismógrafo no Parque Ambiental do Alambre vigia zona sul da Área Metropolitana de Lisboa

O Parque Ambiental do Alambre, na Serra da Arrábida, recebeu um sismógrafo integrado numa rede de seis estações dedicada a detetar sismos de baixa magnitude na zona sul da Área Metropolitana de Lisboa (AML). A iniciativa conta com o apoio da Câmara Municipal de Setúbal.

Nuno Dias, professor do ISEL – Instituto Superior de Engenharia de Lisboa, sublinha que o objeto de estudo da rede, que tem como unidade de investigação o Instituto Dom Luís, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, está “muito centrado na zona do epicentro do recente sismo” de magnitude 4,6 na escala de Richter ocorrido ao início da tarde de 17 de fevereiro 14 km a sudoeste do Seixal.

Foram também instalados dois sismógrafos em recintos do município de Sesimbra, na Azoia e na Quinta do Conde, e outros dois em quintais de casas particulares, na Fonte da Telha e na Trafaria, enquanto uma sexta estação vai ser colocada numa casa particular em São João do Estoril.

Para o docente, a intenção é “vigiar a zona Sul da Área Metropolitana de Lisboa (AML)”, aumentando a monitorização naquela área e no mar a sul da Arrábida, ao largo de Setúbal, admitindo a esperança de que esta rede de sismógrafos detete “magnitudes a partir de 0,5”, embora tudo dependa do sensor e do tipo de rochas.

“É uma espécie de resposta rápida de monitorização para o sismo”, disse o responsável, destacando que a equipa científica, que envolve elementos da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e do ISEL, aproveitou equipamentos e baterias já existentes, porque “havia material para alimentar seis estações”.

“A ideia é ter a rede em operação durante cerca de quatro meses, que é o tempo de duração média das pilhas”, para depois se fazer a análise dos dados, disse ainda o docente, adiantando que “depois disso, temos todo o gosto em transmitir toda a informação de que as câmaras municipais necessitem”.

Nuno Dias recordou que os sismógrafos são equipamentos especialmente dedicados à deteção de sismos de magnitudes menores, enquanto os acelerómetros, como o IPMA – Instituto Português do Mar e da Atmosfera tem na AML, detetam sismos de magnitudes maiores. “A rede do IPMA está muito pensada para conseguir registar qualquer sismo em território nacional com grande magnitude, acima de 2,0”.

O professor adjunto no Departamento de Física do ISEL e membro integrado do Instituto Dom Luiz – IDL, que é licenciado e mestre em Ciências Geofísicas e doutorado em Física (especialidade Geofísica Interna) pela Universidade de Lisboa, adiantou que, além dos acelerómetros, o IPMA tem dois sismógrafos de alta sensibilidade na AML, um nas suas instalações e outro em Mafra.

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