O secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Rodrigues Regalado, que inaugurou esta tarde, 18 de julho, a 33.ª edição da FACECO – Feira das Atividades Culturais e Económicas do Concelho de Odemira que decorre na São Teotónio, até domingo, prometeu que o dossier entregue pelo presidente do município sobre “alguns problemas do território”, nomeadamente o encerramento das conservatórias do registo civil, predial e automóvel e assumiu “o compromisso de verificar com os meus colegas do governo” essa situação porque “não conheço o assunto”.
Silvério Rodrigues Regalado, acompanhado do presidente da Câmara de Odemira, Hélder Guerreiro e do presidente da Junta de Freguesia de São Teotónio, Dário Guerreiro, respondia assim à pergunta sobre o encerramento destas conservatórias em abril.
O governante disse que é “perfeitamente justo” os autarcas apresentaram “um rol de reivindicações para os seus territórios”, adiantando que “o que não acharia normal era que não acontecesse isso” porque “não havia futuro para Odemira, Alentejo e Portugal”. “Nunca desistam dos vossos concelhos e o meu compromisso é levar todos os vossos problemas aos meus colegas de governo e já tivemos a oportunidade de ver muitos”, concluiu.
O presidente do município lembrou que Odemira “é o maior concelho do país, tem mais 1.700 km quadrados, sendo demograficamente muito diverso, com habitantes de 80 nacionalidades, com muitos jovens que traz desafios para o futuro”. “Este território tem uma economia diversa desde a agricultura, turismo aos serviços, como componente central”, destacou o edil alentejano.
Hélder Guerreiro tem “uma escola de gestão transparente e com rigor e fazemos tudo com confiança e estabilidade”, manifestando “disposição para trabalhar com o governo nas soluções que interessam a Odemira”.
“O concelho só em exportações na área da agricultura, são mais de 300 milhões por ano, 100 milhões por ano no turismo, e só em IRC das empresas locais estamos a falar 130 milhões por ano”, sublinhou o autarca, desafiando o governo a “investir 10% desses valores para criar melhores condições para o território”. “Estamos a falar de 13 milhões por ano de investimento do Estado no concelho de Odemira porque é justo e interessante”, disse ainda o autarca, revelando que “temos 10 milhões de planos de investimento só precisamos da autorização do governo para aprovar o empréstimo ao Banco Europeu de Investimento, no valor de 40 a 50 milhões”.
O autarca exigiu ainda obras no edifício do destacamento da GNR e Odemira, e a reabertura das conservatórias civil, predial e automóvel porque “neste momento é preciso ir a Ourique e Sines”, “precisamos de mais médicos, enfermeiros e do funcionamento pleno da Segurança Social, quando é o serviço que tem mais trabalho no distrito de Beja”.
Para Dário Guerreiro, é “necessário desburocratizar” porque “a burocracia é tremenda e gigante”, considerando que é preciso “aumentar os orçamentos das juntas de freguesia, que tem um território de 350 km2, e o investimento disponível é pouco mais de 200 mil euros”. “É necessário dar mais verbas às juntas de freguesia, porque são as promotoras de desenvolvimento”, acrescentou o autarca, defendendo que “temos planos e projetos para o território, mas é preciso haver maior proximidade de quem dita as leis a nível central” e o governo tem “de ouvir os autarcas locais que conhecem as necessidades das pessoas”.
O autarca disse ainda que a freguesia juntamente está a reabilitar património habitacional.
O certame é promovido pelo município em parceria com a ACL – Associação Portuguesa de Criadores de Bovinos da Raça Limousine, CAPRIMIRA – Associação de Criadores da Raça Charnequeira, EABL – Associação para o Desenvolvimento da Estação de Apoio à Bovinicultura Leiteira, FARRUSCA – Cooperativa de Criadores da Raça Bovina Garvonesa ou Chamusca, Associação dos Apicultores do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, ARBUTUS – Associação para a Promoção do Medronho e Junta de Freguesia de São Teotónio.
As duas grandes novidades de edição e 2025 são o Pavilhão dos Produtos de Odemira, para dar maior visibilidade aos produtos e às iniciativas locais, e o Espaço Performativo, onde decorrem vários espetáculos e a exposição “Odemira Território Cultural e Criativo”, para promoção das iniciativas culturais do concelho.
O artesanato local volta a ter grande destaque com uma ampla área de exposição e demonstração ao vivo do trabalho de dezenas de artesãos, onde os visitantes terão a oportunidade de contactar com vários saberes artesanais, com curadoria da CACO – Associação de Artesãos do Concelho de Odemira.
A pecuária continua a ser um dos fortes pilares da FACECO, com várias exposições e concursos de diferentes raças. O programa conta com o 36.º Concurso Nacional da Raça Limousine, o 28.º Concurso Regional da Cabra Charnequeira, o 20.º Concurso Regional da Raça Bovina Holstein Frísia, bem como uma mostra dedicada à Raça Bovina Garvonesa. O certame conta ainda com o 24.º Concurso Regional de Mel e o 4.º Concurso de Medronho da FACECO.
Vários showcookings, espaços de atividades desportivas e para crianças, animação do recinto e vários espetáculos nos três palcos prometem dias de festa para todos os visitantes. Os artistas de destaque da FACECO 2025 são os D.A.M.A (18 de julho), Bárbara Bandeira (19 de julho) e Clã (20 de julho).
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