A presidente da Câmara de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, lamenta a burocracia nos processos para a obtenção de apoios do Estado por parte das pessoas que sofreram prejuízos com as cheias ocorridas na cidade.
“Temos verificado, nos últimos dias, com as candidaturas, que é muita burocracia e muitos documentos solicitados às pessoas para preencher”, disse Clarisse Campos, no final de uma visita, a 23 de fevereiro, do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, acompanhado de vários deputados eleitos pelo distrito de Setúbal, às zonas afetadas pelas cheias em Alcácer do Sal, na sequência das intempéries, integrada no roteiro “Parlamento Próximo” dedicado ao distrito.
A autarca deu como exemplo o apoio anunciado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, para a recuperação de casas, que para se usufruir de cinco mil ou 10 mil euros, “bastava juntar fotografias e dar entrada com o processo”, garantindo que isso “não está a acontecer”.
Clarisse Campos sugeriu aos jornalistas que ouvissem os habitantes da cidade que já tentaram candidatar-se a estes apoios para perceberem “o desânimo que se está a instalar no seio da comunidade”.
A edil assegurou o município está também empenhado em “salvar negócios e pequenos negócios” da cidade, insistindo que é necessário “apoios a fundo perdido” para os empresários e comerciantes. “De outra forma, a maior parte deles não vai conseguir abrir ou aqueles que reabrirem pouco tempo depois vão fechar porque não vão conseguir manter-se a funcionar sem um apoio financeiro a fundo perdido”, advertiu Clarisse Campos.
Lembrando que o ministro da Agricultura atribuiu esse tipo de apoio aos agricultores do concelho, Clarisse Campos questiona “porque é que os nossos comerciantes e os pequenos serviços não podem ter um tratamento igual?”.
“E é isto que nos está a preocupar e nos faz trazer a este local o presidente da Assembleia da República e os senhores deputados, para nos poderem ajudar a transmitir ao Governo a importância deste apoio a fundo perdido”, acrescentou.
O secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, o presidente da Turismo do Alentejo, José Santos, e respetivas equipas, estiveram, a 24 de fevereiro, em Alcácer, para transmitir uma palavra de esperança aos comerciantes. “Viemos ver pessoalmente os impactos das cheias e perceber se as medidas que estão em vigor são suficientes. Percebemos que precisamos de fazer mais, especificamente para o pequeno comércio e serviços. Dentro de dias anunciaremos novos apoios especialmente para estes negócios”, garantiu secretário de Estado.
A visita teve início com uma reunião durante a qual a nossa presidente, Clarisse Campos, reiterou as suas preocupações quanto aos apoios rápidos e simplificados que são necessários para reerguer os pequenos negócios de comércio e serviços do concelho. “Estas pessoas precisam de uma atenção especial e de auxílios económicos urgentes, para que possam retomar as suas vidas e as suas atividades”, disse.
O percurso seguiu por parte da área afetada na zona baixa da cidade, com a visita a estabelecimentos e a conversa direta com os proprietários, no sentido de perceber quais as suas reais necessidades e as estimativas de prejuízos já conhecidas.
O ministro da Agricultura e do Mar, José Manuel Fernandes, que visitou, a 16 de fevereiro, a cidade de Alcácer, garantiu que brevemente vai ser lançado um fundo de apoio aos pescadores, que poderá abranger os da Carrasqueira, privados de pescar devido às intempéries, com danos no cais e nas embarcações. O governante anunciou ainda “uma intervenção de urgência no canal de rega afetado, para permitir que se inicie a campanha do arroz”. Por parte da Associação de Agricultores de Alcácer do Sal, foram destacados “os prejuízos, as dificuldades de acesso às propriedades e o gado morto”.
O vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento regional (CCDR) do Alentejo responsável pela pasta da Agricultura, Roberto Grilo, indicou que, “até ao momento, foram declarados pelos agricultores 75,8 milhões de euros de prejuízos devido ao mau tempo”.
“Deram entrada nos serviços 499 submissões de declarações de prejuízos”, especificou, realçando que a maior parte destas declarações dizem respeito a agricultores dos concelhos de Alcácer do Sal, e de Odemira, no distrito de Beja.
De acordo com Roberto Grilo, estes foram os dois concelhos onde as consequências do mau tempo tiveram “o maior impacto” no território alentejano, no que respeita ao setor agrícola.
“Em Odemira, são prejuízos ligados a estufas, em explorações agrícolas de pequenos frutos e de produção de hortícolas e fruticultura”, disse.
Já em Alcácer do Sal, precisou, “os danos estão sobretudo ligados a infraestruturas de rega e em lavras, ou seja, em canteiros de arroz”.
“E em Alcácer do Sal ainda há uma vasta zona alagada, de campos de arroz”, pelo que a CCDR do Alentejo admite que “ainda poderão surgir mais agricultores a declarar prejuízos, tanto nesta, como noutras zonas” da região, frisou.




