A Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS) está em negociações com a empresa britânica Arrow Global que detém a Atlantic Ferries para reduzir o preço dos bilhetes das ligações fluviais entre Setúbal e Tróia. A revelação foi feita por Nuno Viterbo, da Administração do porto de Setúbal durante a sessão do Port Lab LxSeT, dedicada ao tema “Relação Porto–Cidade”, realizada, a 8 de abril, na Casa da Baía, adiantando que prevê-se a celebração de um acordo até junho deste ano.
“Já iniciámos negociações com o grupo Arrow e temos como principal objetivo até finais de junho ter o acordo assinado sobre o novo tarifário”, disse o administrador da APSS, sublinhando que “mais uma vez este assunto está relacionado com a cidade, os munícipes e com quem nos visita e com a ligação a Tróia, baixámos a prestação dos preços e com isso contribuir para o desenvolvimento da cidade”.
Nuno Viterbo que falava na sessão que contou com as intervenções de José Sanchez, diretor-Geral da AIVP (Associação Internacional de Cidades Portuárias) e de Maria do Carmo Tiago, vereadora do Urbanismo e vice-presidente da Câmara Municipal de Setúbal, anunciou ainda os investimentos relevantes com implicações positivas no desenvolvimento da cidade.
“Todo o investimento que fazemos neste momento tem impacto direto para a cidade, mais que não seja do ponto de vista visual”, disse o responsável, dando como exemplo a Doca dos Pescadores que está num “estado péssimo, foi votada ao abandono nos últimos sete, oito anos, levando que os passadiços não possam ser usados, e esta administração, assim como tomou posse, decidiu avançar com o concurso que está em fase de adjudicação e ainda este ano o investimento de 400 mil euros será realizado, num território sob gestão da Docapesca (lota)”. Ainda neste local, Nuno Viterbo anunciou a “melhoria das condições marítimo-turísticas com dois projetos que deverão avançar até ao Verão”, como a recuperação dos passadiços destruídos pelas tempestades e criar um cais de embarque de passageiros.
Outro projeto que deve estar concluído no terceiro trimestre, um investimento de 400 mil euros, é o terminal de cruzeiros de pequena dimensão. Na Marina das Fontaínhas, “estamos a criar condições para a náutica de recreio, num investimento de 2 milhões de euros”, cujo projeto está em fase de consignação e arrancará a seguir ao verão. “Era um projeto que também estava parado”, sublinhou.
Nuno Viterbo disse ainda que o projeto do novo ramal da rede de saneamento de águas residuais da área portuária está praticamente concluído (inclui a zona da sede da APSS, o Cais 3, o edifício dos Pilotos, a Reserva do Estuário do Sado, o Mercado de 2.ª venda), estando em fase de testes, ficando sob gestão dos Serviços Municipalizados de Setúbal (SMS). Essas águas residuais deixam de ir para o rio Sado e passam a entrar no sistema dos SMS, com um investimento de 320 mil euros.
A APSS pretende ainda deslocalizar o edifício dos cacifos, construindo outro mais perto da atividade portuária.
Em relação ao edifício do Cais 3, o porto de Setúbal pretende celebrar um protocolo de concessão com o município sadino, por um prazo de 10 anos, renovável, que poderá ter um grande potencial para a cidade.
Nuno Viterbo salientou que a APSS pretende ainda assinar protocolos de gestão partilhada com os municípios de Alcácer do Sal, na zona da Comporta, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Seixal e Alcochete.
A vice-presidente do município de Setúbal, Maria do Carmo Tiago, sublinhou a requalificação da frente ribeirinha, sustentada em protocolos com a APSS, orientados para a valorização do espaço público e para a aproximação da cidade ao rio.
“A Câmara Municipal tem-se preocupado nos últimos anos em requalificar a zona ribeirinha dentro das negociações. Sempre houve protocolos, acordos com a APSS e que sempre nortearam a cidade e as pessoas da cidade.”
Maria do Carmo Tiago destacou a criação de zonas verdes e espaços de lazer, a eliminação de barreiras físicas e visuais, o reforço da mobilidade ligada à água e a reutilização de espaços portuários associados à economia azul e à cultura marítima.
“Portanto, esta aproximação entre o porto e a cidade de Setúbal é um desafio para um ordenamento equilibrado e sustentável, e centrado principalmente nas pessoas.”
A vice-presidente salientou o papel da zona ribeirinha como elemento estruturante na ligação entre o porto e o tecido urbano, num território em que a atividade portuária assume forte relevância económica.
“Neste contexto, a zona ribeirinha assume um papel estratégico, funcionando como um elo de ligação entre o espaço portuário e o tecido urbano.”
A autarca referiu ainda instrumentos de planeamento como o plano de pormenor do programa Setúbal Polis, integrado no PDM – Plano Diretor Municipal em vigor desde janeiro de 2025.
Já o diretor da AIVP – Associação Internacional de Cidades Portuárias, José Sánchez, apresentou exemplos internacionais de boas práticas na relação entre porto e cidade.
Recorde-se que os portos de Lisboa e Setúbal, presididos por Vítor Caldeirinha, estão a organizar debates sobre a relação Porto–Cidade. Esta iniciativa visa promover um diálogo estratégico e construtivo entre a autoridade portuária, o município e os principais stakeholders, centrando-se na articulação territorial, na convivência funcional e na criação de valor partilhado entre o porto e a cidade.
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