A necessidade de aumentar “fortemente” os apoios às micro, pequenas e médias empresas do Alentejo Litoral foi a principal conclusão da conferência “O Litoral Alentejano – Que Futuro para as Micro, Pequenas e Médias Empresas?” realizada, a 12 de julho em Grândola para debater o futuro do tecido empresarial da região e do seu papel na economia.
O presidente da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral (CIMAL), e também do município de Alcácer do Sal, Vítor Proença, frisou a importância de criar apoios para as mais de 13 mil estruturas de pequena dimensão que formam a quase totalidade do tecido empresarial da região.
A iniciativa, organizada pela Confederação Nacional das Micro, Pequenas e Médias Empresas (CPPME) e pela CIMAL, contou com a participação de responsáveis de instituições públicas como a CCDR (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional) do Alentejo, IAPMEI – Agência para a Competitividade e Inovação, Instituto Politécnico de Setúbal, Comissão de Acompanhamento do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) e Caixa de Crédito Agrícola da Costa Azul e foi encerrada pelo secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Hélder Reis.
Para Vítor Proença, “são elas que precisam ser apoiadas”, em aspetos concretos como a redução dos custos em áreas como “o arrendamento comercial, os combustíveis e a eletricidade”, facto que “agravam bastante a vida e impedem o desenvolvimento das micro, pequenas e médias empresas”.
O autarca quis ainda deixar bem claro que já lá vai tempo em que a principal preocupação dos municípios eram as infraestruturas. “Agora, há um grande enfoque nas questões da economia”, designadamente “para alavancar” o tecido empresarial, principalmente as empresas de menor dimensão.
Caraterizando o universo de empresas nos cinco concelhos que formam a CIMAL, Vítor Proença referiu que “há 18 grandes empresas” na região e as referidas 13.523 micro, pequenas e médias empresas, que travam uma “luta muito desigual”, nomeadamente pelas responsabilidades financeiras a que os pequenos empresários estão vinculados e a que não podem faltar, muitas vezes com sacríficos enormes e sem qualquer tipo de apoio.
“As MPME têm que ser fortemente apoiadas” e desafiou mesmo os empresários a apostarem na internacionalização, “sonhando” com a globalização dos seus negócios. Claro que têm que ser apoiados para o conseguirem, com recursos públicos nacionais ou comunitários, do mesmo modo que devem existir financiamentos para a investigação e para incrementar o recurso à Inteligência Artificial na promoção das suas atividades.
O anfitrião da conferência, o presidente do Município de Grândola, António Figueira Mendes, congratulou-se, no final, com a participação “acima das expetativas” de empresários e com a qualidade das intervenções realizadas.
No seu entender, estes dois fatores evidenciam que “há matéria prima” para continuar a debater “à volta do tema” e deixam clara a importância dos gabinetes municipais de apoio aos empresários. “Este é o princípio de um caminho que temos que percorrer rumo ao desenvolvimento integrado do Litoral Alentejano”.




