Ministro das Infraestruturas considera Lisnave “uma empresa de referência

O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, que visitou os estaleiros navais da Lisnave, na Mitrena, em Setúbal, a 5 de março, considera ser “uma empresa de referência no mundo na área da manutenção e da reparação naval, com especial valência para os navios de grande porte e que operam no Atlântico”.

“O nosso país tem condições climatéricas favoráveis à realização de trabalhos exteriores e tratamento de superfícies e o estaleiro da Mitrena recebe clientes do mundo inteiro: cerca de 80 a 100 navios por ano, com uma duração média de estadia dos navios de cerca de 2 semanas”, sublinhou Miguel Pinto Luz, numa altura em que a empresa aguarda a prorrogação da concessão pública para a atividade de reparação naval, que termina em 2027.

O ministro explica que os estaleiros “implantados na Reserva Natural do Estuário do Sado e certificados pelas normas ISO 14001, 9001 e 45001, possui uma ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais) e uma ETARi (industrial), um parque fotovoltaico, um parque termo solar, o Shore Power Supply (alimentação aos navios) e o processo por hidrodecapagem. No interior do Estaleiro Naval existe uma floresta Miyawaki (minifloresta urbana em ambiente industrial) que visa reduzir a pegada de carbono, melhorar a qualidade do ar e criar uma ilha de sombra para controlo de temperatura”.

“Uma infraestrutura com 1.500.000 m2, seis docas secas, oito cais acostáveis, meios de elevação adequados para manutenção, reparação ou conversão naval, 20 guindastes móveis com capacidades de elevação até 100 toneladas e um pórtico de 700 toneladas, e teve em 2023 um volume de faturação de 170 milhões de euros, maioritariamente para exportação (95%)”, afirma ainda Miguel Pinto Luz.

“A Lisnave foi o primeiro estaleiro europeu certificado com o Green Marine, observando-se a presença frequente de golfinhos e a criação de ostras de elevada qualidade nas suas águas vizinhas. No terreno, foi um gosto conhecer as pessoas que aqui trabalham, a manhã até ficou menos cinzenta”, conclui o governante, na sua página oficial, já que não fez declarações aos jornalistas, durante a visita, acompanhado por uma comitiva de administradores e técnicos da Lisnave e alguns convidados.

A administração da Lisnave, disse que desde o início da concessão, foram investidos cerca de 150 milhões de euros no estaleiro. “A recuperação do Cais 0, a recuperação de todo o parque de meios de elevação, guindastes, pórticos, pontes rolantes, a recuperação das linhas de fluídos, todos os encanamentos dentro do estaleiro, a recuperação de sistemas de electricidade, a construção de uma oficina de criogenia, enfim, são inúmeras as áreas em que estamos a investir”, sublinhou Nuno Santos, administrador-delegado da empresa.

“Com mais de 60 anos de experiência, a Lisnave está a passar por uma redefinição estratégica significativa, alinhando-se com os princípios da Economia Azul, Economia Verde e Economia Circular. O objetivo é assegurar a sustentabilidade nas próximas décadas através de projetos inovadores, incluindo reparação naval (manutenção e reparação de navios com novas tecnologias e equipamentos mais eficientes, mantendo os habituais padrões de excelência), construção de equipamentos para energias renováveis off-shore (desenvolvimento de soluções para vento flutuante que promovem uma energia limpa e sustentável) e a reciclagem naval responsável (implementação da reciclagem naval com práticas que garantem a saúde e segurança no trabalho e a gestão ambiental adequada dos resíduos gerados), explicou a empresa, em comunicado, quando anunciou a visita do ministro.