Maria das Dores Meira decidiu candidatar-se como independente à presidência da Câmara de Setúbal nas eleições autárquicas de 2025 porque “Setúbal não pode ficar estagnada”. Para a candidata que já foi presidente do município sadino durante 15 anos (2006-2021) “quem ama Setúbal não pode ficar indiferente à perda de brio e cuidado com que os destinos do concelho têm sido geridos politicamente”. Maria das Dores Meira promete resolver o problema do estacionamento tarifado na cidade, defende projetos como a marina de Setúbal, a criação da polícia municipal, videovigilância na cidade, a demolição do viaduto das Fontaínhas para criar uma nova entrada na cidade e “um espaço público limpo e cuidado”. A sede da campanha “Dores Meira – Setúbal de Volta” será inaugurada no dia 9 de novembro, pelas 18h00, na praça de Bocage, n.º 71.
Florindo Cardoso
Setúbal Mais – Quais as principais razões que a levaram a apresentar uma candidatura independente à presidência da Câmara Municipal de Setúbal?
Maria das Dores Meira – Setúbal é um propósito de vida. Sonho que Setúbal seja uma referência europeia e mundial de desenvolvimento. Muito foi feito, mas ainda há caminho para fazer. Há muito que fazer e Setúbal não pode ficar estagnada. E quem ama Setúbal não pode ficar indiferente à perda de brio e cuidado com que os destinos do concelho têm sido geridos politicamente – esse foi um sentimento que foi crescendo em mim e, com a força e carinho com que as pessoas me abordam na rua para voltar, decidi recandidatar-me.
Estive sempre atenta ao que acontecia no concelho, às decisões políticas e à sua implementação. Sobre muitos assuntos (como o estacionamento tarifado) optei pelo silêncio, porque considerei que se deve dar a quem governa o tempo certo para implementar as políticas públicas, mas perante a inerte gestão camarária e o crescendo de vozes que me pediam na rua para voltar, senti que tinha a força, as condições e o conhecimento para trazer de volta a dinâmica de progresso a Setúbal.
Pouco antes do verão tomei a decisão de que seria mesmo para avançar e em julho tornei público esse desejo. Temos de trazer de volta a dinâmica de progresso. Este é o meu compromisso.
Setúbal Mais – Já apresentou os candidatos e mandatários. Como foi esse processo de escolha das pessoas e a aceitação das mesmas?
Maria das Dores Meira – Ao longo de 15 anos de presidência à frente da autarquia trabalhei com as pessoas sem olhar à sua cor política, o que importava era Setúbal. E, neste percurso, tenho-me cruzado com muitas pessoas que compõem o nosso movimento. Conheço a sua capacidade de trabalho e honestidade. A partir daqui foi um processo natural, com as pessoas a demonstrar vontade para se juntarem a este movimento de cidadania e colaborar na construção do nosso futuro coletivo.
Felizmente não temos imposições de estruturas, nem pessoas que são candidatas por dependência profissional da política. São todos cidadãos livres, com o seu percurso reconhecido e com vontade de trabalhar para o concelho. Temos nomes incontornáveis da vida de Setúbal, como os médicos Henrique Jones e David Martins. Jovens com um enorme potencial como Bruno Vigário. Candidatos para as freguesias que são referências nas suas áreas, com vida na comunidade e uma capacidade incrível de trabalhar em prol da mesma. Estes são alguns dos rostos que já foram tornados públicos, mas o nosso coletivo é muito maior.
Setúbal Mais – Na apresentação da sua candidatura lançou ideias programáticas como a marina de Setúbal, a criação da polícia municipal, videovigilância na cidade e a demolição do viaduto das Fontaínhas. Como pretende concretizar estes projetos?
Maria das Dores Meira – São projetos estruturais para o futuro do concelho. Pergunta-me como pretendo concretizar? Com muito trabalho. Com a mesma dinâmica de progresso que caracterizou Setúbal durante as minhas presidências. E as pessoas sabem que quando têm uma presidência com capacidade de trabalho e conhecimento de governação da câmara, este tipo de projetos acontece com qualidade.
Sabe, é que os projetos são feitos de quatro etapas: visão e viabilidade política, estruturação técnica de projeto, discussão pública e implementação exímia. A visão é clara e a viabilidade das propostas também; as restantes etapas exigem trabalho na câmara, como é óbvio. E sobre esse assunto, seria interessante perguntar a alguns agentes políticos o que os impediu de implementar estes projetos, se incapacidade política, inação ou se não concordam com eles. E já agora, também perguntar a outros porque colocam cartazes com promessas que sabem que não podem cumprir.
Mas falando sobre os projetos, tenho de referir que a maior prioridade é que Setúbal tenha um espaço público limpo e cuidado, porque sem um espaço público de excelência tudo o resto fica limitado – nem damos dignidade a quem aqui vive, nem a quem nos visita, nem nos tornamos atrativos. E além das propostas estruturais que mencionou, quero destacar também a candidatura a Setúbal Cidade Verde e a Capital Europeia da Cultura, pois são estruturais e que trazem uma melhoria substancial da qualidade de vida ao município.
Podia mencionar a luta para que a travessia para Tróia tenha preços acessíveis, a habitação acessível, apoio associativo, entre tantas outras que já são públicas e anunciei no meu discurso de dia 2 de outubro. Haverão outras, mas serão anunciadas no seu devido tempo, não vão os meus adversários políticos apressarem-se a copiar o programa.
Candidata assume compromisso:
“O problema do estacionamento será resolvido”
O estacionamento tarifado na cidade de Setúbal, com uma concessão de 40 anos entregue à Datarede, tem sido um dos assuntos polémicos desta pré-campanha, com várias acusações por parte da CDU e do PS. A candidata considera ainda que há “um aproveitamento político sobre o estacionamento tarifado” por parte da CDU, a quem acusa de “inércia” e o PS de “falsas promessas” em cartazes espalhados pela cidade.
Setúbal Mais – Tem sido alvo de várias acusações políticas devido ao estacionamento tarifado. Pensa que é uma campanha orquestrada?
Maria das Dores Meira – Há um claro aproveitamento político sobre o estacionamento tarifado. Os mesmos que não apareceram na consulta pública, agora enchem a cidade com cartazes repletos de promessas falsas, que só podem ser entendidos como impreparação ou desonestidade intelectual (quero acreditar que seja a primeira). E os que têm a responsabilidade de resolver o problema lavam as mãos como Pilates, como se nada tivessem que ver com a questão, mas têm.
Durante muito tempo mantive-me em silêncio sobre este tema. Até porque penso que se deve dar o tempo aos políticos para resolver as questões. E qual é a grande questão? É que o que está a ser implementado não é o que foi acordado. As pessoas e o município estão a ser lesados por incumprimento – tanto da câmara como da empresa responsável. Onde está a construção faseada dos dois parques de estacionamento subterrâneo? Onde estão as bolsas de estacionamento? Porque temos parquímetros em zonas sem tarifa? O que tem sido feito para resolver o ineficaz sistema de transportes públicos? E, acima de tudo, se a câmara viu que havia problemas na solução implementada, porque nada fez para resolver? Não é aceitável.
O poder político tem de intervir. Não pode ser inerte. É por isso que assumo o compromisso de resolver esta situação. Já apresentei algumas ideias como os 30 minutos de estacionamento gratuito, melhorar as condições de acesso a dístico para famílias, vaivém gratuito entre bolsas de estacionamento e o centro da cidade, e claro, a exigência unilateral do cumprimento do contrato por parte da empresa (acionando os mecanismos legais se assim for necessário). Obviamente que tudo isto tem de ser acompanhado de uma nova discussão pública para esclarecimento, mas acima de tudo para melhoria do plano atual – se há melhorias a fazer, temos a obrigação política de as implementar. Uma coisa é certa, Setúbal tem o meu compromisso: o problema do estacionamento será resolvido.
Apresentação de cabeças de lista e mandatários
Maria das Dores Meira já tem equipa
Presidente da Câmara de Setúbal entre 2006 e 2021, primeiro em substituição de Carlos de Sousa (também eleito pela CDU), que renunciou ao mandato por ter perdido a confiança política do PCP, e depois como presidente eleita em 2009 (com 38,83% dos votos), 2013 (41,93%) e 2017 (49,95%), Maria das Dores Meira, que, entretanto, se desfilou do PCP para se apresentar às eleições autárquicas de 2025 como independente, terá como mandatário o antigo médico da seleção nacional de futebol Henrique Jones. O mandatário da Juventude é Bruno Vigário, presidente do Núcleo Recreativo e Desportivo Ídolos da Praça.
Como cabeça de lista à Assembleia Municipal, Maria das Dores Meira conta com outro médico oftalmologista, David Martins, um ex-socialista que foi diretor e presidente do conselho de administração do Hospital de São Bernardo.
A candidatura independente de Maria das Dores Meira apresentou ainda os candidatos à presidência das cinco juntas de freguesia do concelho.
Para a Junta de Freguesia de S. Sebastião, o candidato é o médico e presidente do União Futebol Comércio e Indústria, Vítor Augusto. Para a União das Freguesias de Setúbal, a candidata é Carla Tavares, antiga vice-presidente da Delegação de Setúbal da Cruz Vermelha Portuguesa e voluntária no Rotary Club de Setúbal e no programa “Nosso Bairro-Nossa Cidade”. Para a Junta de Freguesia Gâmbia-Pontes-Alto da Guerra, o candidato é Júlio Gamito, presidente da União Desportiva e Recreativa das Pontes. Para a Junta de Freguesia do Sado, a candidata é Ana Lúcia Furtado, presidente do Grupo de Danças e Cantares Regionais do Faralhão. Para a Junta de Freguesia de Azeitão, o candidato é Nelson Santos, bancário e sindicalista.
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