Henrique Soares, presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal (CVRPS), faz um balanço positivo de 2025, face à difícil conjuntura. Foi “um ano normal”, com um “ligeiro decréscimo das vendas”, mas “continuamos a conseguir exportar e a vender no mercado nacional, de forma muito sustentável”. Henrique Soares aborda ainda a diminuição do consumo de vinho nas gerações mais novas, uma tendência global. O Brasil é o mercado internacional mais importante para os vinhos de Setúbal e o acordo do Mercosul será muito vantajoso para a região. Henrique Soares sublinha que 80% dos vinhos de Setúbal são certificados, uma das maiores taxas do país.
Florindo Cardoso
Setúbal Mais – Como foi o ano de 2025 em termos globais para a região vitivinícola?
Henrique Soares – Foi um ano normal, face à conjuntura que não é a mais fácil. Não estamos num ciclo de crescimento como quase sempre estivemos na nossa região e nos vinhos portugueses em geral. Ainda assim, continuamos a conseguir exportar e a vender no mercado nacional, de forma muito sustentável para aquilo que é a realidade económica da região. Tivemos um ligeiro decréscimo em vendas, mas nada de especial, tendo em conta a conjuntura.
Setúbal Mais – Leonor Freitas, proprietária da Casa Ermelinda Freitas, disse numa entrevista recente que os hábitos de consumo dos mais jovens estão a mudar. Isso tem influência nas vendas?
Henrique Soares – Sim, é verdade. Há uma conjuntura global relativamente ao consumo de vinho, atualmente bebe-se vinho em países que há décadas atrás não seria expectável, mas é verdade que as novas gerações olham para o vinho de outra maneira. Chegam mais tarde ao consumo, têm mais ofertas de bebidas, alguma delas também alcoólicas, e acabam por contribuir para o decréscimo do consumo. O decréscimo de consumo é global e transversal, mas se segmentarmos por gerações, talvez seja nas duas mais recentes em particular, que se verifica esta situação. Nas gerações mais antigas, os jovens até aos 30 anos era normal que já começassem a consumir, mas isso atualmente tem acontecido menos. Há menos jovens a consumir vinhos e a procurar outros estilos de vinho, mais frescos, leves e menos alcoólicos.
Setúbal Mais – Em termos de mercados externos, o Brasil continua a ser o principal destino dos vinhos da região?
Henrique Soares – Para a nossa região e outras do país, o Brasil sempre foi um mercado muito relevante e nos últimos anos ainda mais, face a situações como no Oriente, com a China, que chegou a ser um mercado muito promissor, mas ultimamente tem caído no consumo de todos os vinhos. Estão a importar muito menos vinho e a nossa região também se ressentiu disso.
Setúbal Mais – Além do Brasil, quais são os outros mercados mais importantes para a região?
Henrique Soares – Nas Américas, apesar desta questão das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos, o Canadá passou a ser um mercado mais relevante para nós. Na União Europeia, os mercados também são importantes, com destaque para a Polónia e a Holanda, Alemanha e os países escandinavos, sobretudo a Suécia que é o que mais importa e consume vinho da península de Setúbal. O mercado do Reino Unido é também muito relevante para a nossa região.
Setúbal Mais – Em relação ao acordo da União Europeia com o Mercosul seria muito benéfico para os vinhos da península de Setúbal?
Henrique Soares – Seria benéfico para todos os vinhos europeus, mas em particular para Portugal em destaque, porque somos de longe o país da União Europeia com uma quota muito relevante no mercado do Brasil, onde os nossos vinhos são muito conhecidos e apreciados, por via da ligação que temos. É uma boa notícia e temos de celebrar, mas resta saber é quando se aplicará. Estes acordos, entre o momento do anúncio, a formalização das assinaturas e da entrada em vigor, para o decréscimo das tarifas, vão demorar vários anos.
Setúbal Mais – Uma das lutas de sempre da CVRPS é o valorizar o preço do vinho da região. Tem sido possível?
Henrique Soares – Foi conseguido. Teria mesmo que acontecer porque o aumento sucessivo dos custos de produção, pouco refletivo no preço dos vinhos, chegou nos últimos anos e no pós pandemia, a valores que tornariam insustentável o sector. É transversal e é significativo no caso da nossa região. Nós, bem como outras regiões do país, vamos continuar nos próximos anos com essa luta de valorização do vinho português e da península de Setúbal, no sentido de que a produção continue a existir, porque nunca podemos perder o foco de que o objetivo de uma região vitivinícola é sempre ter uma boa produção e uvas de boa qualidade e isso só é possível, vendendo vinhos a um preço remunerador para toda a fileira. Vender o vinho a um preço melhor é sempre o objetivo de qualquer produtor ou adega da região.
Setúbal Mais – Também tem lutado pelo aumento da certificação dos vinhos da região…
Henrique Soares – Felizmente, a região chegou a um patamar de relação entre o vinho que produz e o que certifica, muito bom, estamos muito bem, sendo um dos fatores que nos distingue de outras regiões. Mesmo com um decréscimo em 2025, estamos com uma média na ordem dos 80% de vinho certificado, e desta forma pode ser mais valorizado e isso tem acontecido.
Setúbal Mais – Em termos nacionais, a península de Setúbal continua a ser uma das regiões vitivinícolas mais importantes do país?
Henrique Soares – Sim, continuamos bem. Há muitos anos, que estamos entre a terceira e quarta região que mais vende em todos os canais e na moderna distribuição, super e hipermercados, restauração e hotelaria (HORECA), sendo nesta última, onde temos algumas dificuldades. Embora, tenhamos perdido alguma quota, continuamos nesse patamar, conforme se considere a globalidade dos canais de venda.
Setúbal Mais – Também tem lutado para que a restauração da região apresente os vinhos de Setúbal…
Henrique Soares – Sim. Atendendo à importância da região, em termos demográficos do país, somos quase 10% da população no distrito de Setúbal, temos de melhorar ainda mais a nossa presença na restauração da nossa própria região. Há progressos significativos, mas é uma luta das principais empresas da região, mas não é fácil. O canal da restauração é muito difícil de trabalhar, é preciso força de vendas e andar sempre em cima, mas registo francos progressos quanto à presença e volume de vendas no designado canal Horeca (Hotéis, Restaurantes e Cafetarias).
A União das Freguesias de Setúbal homenageou, a 3 de outubro, Custódio Carvalho Pinto, antigo…
O vereadores eleitos pelo PS requereram, com carácter de urgência, a intervenção do Ministério Público…
A presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, vai pedir a prorrogação…
A 18.ª edição da Gala do Desporto, entregou 164 Medalhas de Mérito Desportivo, em cerimónia…
O Barreiro foi reconhecido, pelo segundo ano consecutivo, como o município mais transparente do distrito…
A 35.ª Rampa da Arrábida recebe os melhores pilotos das competições automobilísticas de montanha em…