O distrito de Setúbal, inserido na região da Grande Lisboa, tem cinco patrimónios finalistas concorrentes às “Novas 7 Maravilhas de Portugal” que seguem para a próxima fase do concurso nacional dedicado à valorização e promoção do património português.
O Convento de Jesus, a Escola Superior de Educação de Setúbal, o Castelo de Palmela, o Cristo Rei e a Ponte 25 de Abril, integram as 147 candidaturas nacionais, distribuídas pelas sete regiões do país, que foram selecionadas pelo júri do concurso após avaliação às mais de 600 candidaturas de todo o território nacional.
O Convento de Jesus concorre na categoria “Religião” com o Mosteiro de São Vicente de Fora e a Sé de Lisboa e o edifício Escola Superior de Educação, da autoria de Siza Vieira, concorre na categoria “Século XXI” com o Campus Sede EDP, e com a Estação de Lisboa Oriente.
No coração de Setúbal ergue-se o Convento de Jesus, um dos grandes tesouros de Portugal e do Manuelino português. Hoje Museu de Setúbal, reabilitado pelo arquiteto Carrilho da Graça, preserva a memória conventual e a sua notável igreja. Destaca-se o retábulo quinhentista com 14 painéis, obra-prima da pintura renascentista portuguesa, atribuída à oficina de Jorge Afonso. Convento de clausura feminina da Ordem de Santa Clara, fundado em 1490 por vontade de D. Justa Rodrigues, no reinado de D. Manuel I, é obra do arquiteto régio Diogo Boitaca. O Claustro, a Igreja e a Sala do Capítulo são Monumento Nacional. Foi Hospital do Espírito Santo até 1959 e, desde 5 de fevereiro de 1961, acolhe o Museu da Cidade, renovado e de excecional valor patrimonial e artístico, constitui um pilar da identidade setubalense.
O edifício da Escola Superior de Educação do IPS, inaugurado em 1993, ano em foi também distinguido com o Grande Prémio Nacional de Arquitetura, é uma obra arquitetónica, que continua a atrair visitantes de todo o mundo, sobretudo estudantes e profissionais de arquitetura. Foi a primeira de natureza escolar na obra de Siza Vieira, distinguindo-se pelo desenho em forma de “U”, de forma a dialogar com a paisagem natural, um bosque de sobreiros centenários.
O Castelo de Palmela também é finalista na categoria dos “Castelos”. Concorre com os castelos de São Jorge, em Lisboa, e dos Mouros, em Sintra. O Castelo de Palmela, classificado como Monumento Nacional desde 1910, ergue-se num cerro visível do Sado-Arrábida e do Tejo, entre Lisboa e Setúbal, que lhe confere destaque estratégico desde a Idade Média e um perfil definidor da paisagem. No Castelo de Palmela, construído no período da presença islâmica (sécs. VIII-XII), fixaram-se comandos militares muçulmanos e portugueses. Conquistado três vezes, acolheu visitas régias e episódios notáveis da História lusa. A Ordem de Santiago instalou-se em 1186 e o Castelo de Palmela foi sua sede entre 1194-1217 e 1482-1834, tornando-o numa referência religiosa-militar, político-administrativa e económica de nível local, regional e nacional.
Na categoria “Grande Obras”, a Ponte 25 de Abril, que liga dos concelhos de Almada a Lisboa, as duas margens do Tejo, concorre com Fonte da Alameda e Viaduto Duarte Pacheco. Ligando as duas margens do Tejo, distingue-se pela imponência estrutural, engenharia inovadora e silhueta inconfundível. Inaugurada em 1966, tornou-se a infraestrutura essencial à mobilidade e ao desenvolvimento da região. Inaugurada em 1966, inicialmente designada Ponte Salazar, passou a chamar-se Ponte 25 de Abril após a Revolução de 1974, tornando-se símbolo da liberdade. Ponte suspensa de grande escala, integra tabuleiro rodoviário e ferroviário e, ao longo das décadas, adaptou-se às exigências da mobilidade urbana, afirmando-se como infraestrutura estruturante da Área Metropolitana de Lisboa e marco histórico do país. Inspirado pelo Cristo Redentor do Corcovado, o Cardeal Cerejeira idealizou o Cristo Rei após o episcopado prometer erguer o monumento caso Portugal fosse poupado da II Guerra Mundial. Após uma campanha nacional de angariação de fundos, foi inaugurado em 1959 como “sinal de Gratidão Nacional pelo dom da Paz”. Este Monumento Nacional prossegue a sua missão espiritual e institucional, recebendo anualmente milhares de fiéis e visitantes.
Na categoria “Século XX”, o Cristo Rei, em Almada, concorre com MU.SA Sintra e Museu Bordalo Pinheiro. O Monumento possui no seu conjunto 110m de altura. Esculpida à mão, a imagem de Cristo Rei é da autoria de Mestre Francisco Franco e tem 28m de altura. O pedestal de quatro pilares possui uma altura de 82m. O projeto é da autoria do Arqt.º António Lino e Eng.º Francisco de Mello e Castro. O Monumento inclui 2 capelas com pinturas de João de Sousa Araújo e um terraço superior de onde se pode apreciar uma vista panorâmica de 360º.
A edição de 2026 das “Novas 7 Maravilhas de Portugal” vai distinguir patrimónios construídos em sete categorias: Castelos – Arquitetura Militar, Religião – Arquitetura Religiosa, História – Interesse Histórico, Século XX – Arquitetura Moderna, Século XXI – Arquitetura Contemporânea, Grandes Obras – Infraestruturas e Turismo – Interesse Turístico.
O voto popular que já está a decorrer vai ditar a vitória em cada uma das 7 categorias a concurso e o programa vai ser transmitido a partir de 13 de junho pela TVI, a televisão oficial da competição nacional. Setúbal vai receber no dia 1 de agosto o programa da final regional da Grande Lisboa.
O projeto “Novas 7 Maravilhas de Portugal” é promovido pela organização 7 Maravilhas de Portugal e reconhecido pela New 7 Wonders Foundation. A iniciativa pretende valorizar o património nacional e mobilizar a população para a divulgação e promoção da identidade cultural portuguesa.

