O diretor do festival setubalense CLIT – Cinema em Locais Inusitados e Temporários, Luís Humberto Teixeira, foi convidado a integrar o júri do Marte Film Festival, que decorrerá entre 14 e 16 de março em Roma, Itália.
A iniciativa, que tem à frente o realizador italiano Guglielmo Brancato, apresenta-se como um “festival internacional de cinema e de inovação tecnológica” e subordina esta edição ao tema “A voz dos jovens”.
As 31 obras escolhidas pelo comité de seleção do Marte Film Festival (MFF) distribuem-se por cinco categorias – curta-metragem, curta-metragem documental, animação, longa-metragem e longa-metragem documental –, onde são submetidas à avaliação do júri.
Além do diretor do CLIT, são jurados Ezio Fratto (crítico cinematográfico, que preside ao júri), Beatrice Puccilli (atriz e argumentista), Beppe Manno (crítico de cinema e dinamizador de um projeto de cinema ambulante na Sicília) e Gaël Labanti (diretor artístico do Annonay Premier Film Festival, em França).
A par das projeções, o MFF, que decorrerá em dois espaços polivalentes nas margens do Tibre, vai também acolher palestras e debates sobre temas como as novas estratégias de distribuição cinematográfica ou a relação do cinema com a inteligência artificial e a exploração espacial.
Visando criar um território em que as novas gerações de cineastas “possam expressar as suas vozes, explorar novas linguagens e abrir o cinema a novas perspetivas”, o MFF pretende funcionar como “um laboratório criativo e inclusivo, que fomente o crescimento profissional dos jovens autores e promova o cinema como ferramenta de mudança cultural e social”, lê-se no site do festival.
Sublinhando o foco nos futuros cineastas, agora a dar os primeiros passos, Guglielmo Brancato declarou à organização do CLIT, a partir de Roma, que “o Luís é a prova viva de que, neste mundo, existem pessoas que acreditam no trabalho desenvolvido pelos jovens realizadores”, e assinalou que o programa do festival que dirige inclui uma sessão de apresentação de dez ideias para filmes, previamente selecionadas pela sua equipa, a um painel de produtores e distribuidores, “que irão escolher a que querem transpor para a tela”.
O convite a Luís Humberto Teixeira surgiu após a passagem de Guglielmo Brancato pela segunda edição do CLIT, na qual participou com a longa-metragem “Semáforo vermelho”, integrada na secção “Descobre-o”, e com a curta documental “A fronteira”, sobre os refugiados da Ucrânia, exibida extracompetição no festival, onde teve a sua estreia mundial.
“O Guglielmo gostou bastante da sua experiência como realizador convidado do CLIT em 2022, nomeadamente da sessão em que foi apresentado o seu filme, na praceta Francisco Finura, e do programa dessa edição, que contou com mais de 90 filmes de 30 países, e pareceu-lhe que fazia sentido a minha presença no júri do festival que dirige”, revelou o responsável.
Portugal está também representado no Marte Film Festival com o documentário “Carne: a pegada insustentável”, de Hugo de Almeida, residente em Alcochete. O filme será projetado, fora de competição, a 15 de março, a partir das 18h35, na sala de conferências do complexo cultural Industrie Fluviali.
A apresentação desta obra, que tem vindo a ser distinguida em festivais de todo o mundo e arrebatou o Prémio do Público para Melhor Longa-Metragem Documental na quarta edição do CLIT, em dezembro de 2024, será antecedida de uma intervenção do professor Luca Lo Sapio, que leciona Ética Alimentar na Universidade de Turim.

