Litoral Alentejano

Clarisse Campos, candidata do PS à presidência da Câmara de Alcácer do Sal: “Alcácer precisa de um projeto que garanta futuro à nossa terra e às nossas gentes”

Clarisse Campos, de 61 anos, natural de Alcácer do Sal, licenciada em Relações Internacionais, é a aposta do PS para ganhar a presidência do município nas próximas eleições autárquicas. Deputada da Assembleia da República desde 2019, exerceu o cargo de diretora adjunta e diretora do Centro de Emprego e Formação Profissional do Alentejo Litoral e, desde 2017, que é vereadora sem pelouros nesta autarquia. “Estou de corpo e alma com a minha terra e com as minhas gentes, por convicção, por paixão, porque quero fazer a diferença no futuro deste território”, afirma a candidata que faz um balanco negativo da gestão da CDU, considerando que foi “um tempo perdido e oportunidades desperdiçadas”. Clarisse Campo defende “um projeto que seja gerador de qualidade de vida e capaz de atrair atividades económicas criadoras de emprego digno e de qualidade”, e a “criação de habitação a preços acessíveis”. Apela à mudança política para “melhor é possível e que a vamos conseguir concretizar”.

Florindo Cardoso

Setúbal Mais – Quais as razões que a levaram a aceitar ser novamente a candidata do PS à presidência da Câmara de Alcácer?

Clarisse Campos – Aceitei ser novamente candidata à presidência da Câmara Municipal de Alcácer do Sal porque acredito profundamente que o nosso concelho merece e pode ser muito mais. Alcácer do Sal precisa de um projeto que garanta futuro à nossa terra e às nossas gentes, que assegure um desenvolvimento mais amigo das pessoas, mais solidário e sustentado do ponto de vista ambiental, com respeito pelo território e pela herança histórica. Um projeto que seja gerador de qualidade de vida e capaz de atrair atividades económicas criadoras de emprego digno e de qualidade, de modo a travarmos a desertificação e a fuga de talento do concelho, dando esperança e futuro às famílias e aos jovens da nossa terra.

Eu tenho a capacidade, a competência e a força necessárias para liderar este projeto, fruto da experiência que adquiri ao longo de uma carreira profissional reconhecida, iniciada há 40 anos, de mais de duas décadas a liderar equipas, a criar e a pôr em prática estratégias de desenvolvimento, ao que acresce o facto de estar como deputada na Assembleia da República nos últimos seis anos e de ali defender a nossa região.

Ter sido escolhida por unanimidade pelos órgãos locais do Partido Socialista é, para mim, uma grande responsabilidade e dá-me a confiança reforçada dos meus pares nestas minhas competências, nas equipas que estou a formar e no projeto que quero pôr em prática.

O Partido Socialista é a única força política capaz de gerar a mudança de que Alcácer do Sal precisa é isso que sinto e é isso que me transmitem muitas pessoas com quem tenho falado no âmbito desta candidatura.

Setúbal Mais – Quais os principais projetos e ideias que defende para o concelho de Alcácer?

Clarisse Campos – Para nós, o futuro da nossa terra constrói-se pondo as pessoas em primeiro lugar. Sempre! O que nos move é simples, mas poderoso: queremos cuidar de quem cá está e atrair quem pode ajudar a fazer crescer esta terra. Alcácer vive uma crise demográfica profunda, das mais graves do país e esta realidade exige coragem, visão e ação.

Por isso, temos uma estratégia de criação de habitação a preços acessíveis, que garanta que as pessoas possam pagar para terem uma casa digna, como é seu direito elementar, seja pela venda de lotes de terreno para autoconstrução ou colocando no mercado imóveis com custos controlados, para venda ou arrendamento. Queremos que as nossas aldeias sejam locais atrativos para as famílias, com respostas ao nível da mobilidade, da economia, dos cuidados de saúde e do trabalho a partir de casa, por exemplo, mas também ao nível do apoio às famílias jovens, com soluções para a primeira infância e escolas de qualidade. Queremos que percebam que viver na nossa terra é um privilégio e que estamos empenhados em assegurar uma tranquilidade e uma qualidade de vida que as grandes cidades não podem oferecer.

A aposta nos jovens, na sua qualificação e motivação para que possam trazer massa crítica e competências que contribuam para o desenvolvimento da nossa terra, é decisiva para que Alcácer do Sal tenha futuro. Porque queremos que tenham vontade de ficar, ou de voltar depois de fazerem a sua formação, para que sejam o motor do desenvolvimento económico, social e humano do nosso concelho.

Mas, não podemos esquecer-nos que temos uma população envelhecida e esses têm que ser também uma prioridade. Queremos ir ao encontro destas pessoas, tantas vezes isoladas nas aldeias e nos montes, e proporcionar-lhes condições para um envelhecimento ativo, digno e apoiado.

Outra preocupação é o nosso património, até agora totalmente esquecido. Alcácer respira história e temos tanto para mostrar e potenciar como produto turístico e cultural. Um território que não defende a memória, a sua história e o seu passado, é um território sem futuro. Aquilo que queremos, não apenas porque gostamos de receber, mas porque é fundamental para a economia local, é que as pessoas tenham motivos para voltar e para ficar mais tempo, e que se sintam atraídas por propostas e programas de qualidade.

Queremos preservar e promover o nosso património histórico, mas também natural, apostando em soluções mais amigas do ambiente, mais equilibradas e sustentáveis, quer ao nível do ambiente urbano, quer rural, com a promoção da nossa paisagem única e dos nossos produtos tradicionais, que fazem também a nossa identidade.

Setúbal Mais – Como avalia estes três mandatos da CDU à frente do concelho?

Clarisse Campos – Os últimos 12 anos representam, sobretudo, tempo perdido e oportunidades desperdiçadas. Tempo que Alcácer não podia nem merecia perder.

Só assim se explica que, com a localização privilegiada de Alcácer do Sal, com acesso rápido a Lisboa e Setúbal e tão próximo da Comporta, uma das principais marcas atuais do turismo nacional, tenhamos perdido, entre 2011 e 2023, mais de 14 por cento da população, enquanto a região regista um aumento global do número de habitantes.

Esta realidade é tanto mais evidente e preocupante que, nas próximas eleições autárquicas, vamos perder representatividade de eleitos e verbas preciosas nas transferências da Administração Central. Isto resulta da total ausência de políticas e estratégias para reverter esta tendência.

Nada se fez para fixar população. Dou só dois exemplos: o atual executivo vendeu a privados um grande terreno que o município possuía em Brejos da Carregueira, quando deveria ter ali criado um loteamento que permitisse aos filhos da freguesia da Comporta comprar casa na sua terra. Em Santa Catarina só não fizeram igual, porque os eleitos do Partido Socialista, na Câmara e na Assembleia Municipal, combateram esse pecado de lesa-município.

O modelo de gestão dos últimos 12 anos está totalmente esgotado, já não corresponde às necessidades e exigências do presente, muito menos do futuro que almejamos.

Setúbal Mais – Anunciou que não seria candidata a deputada nas legislativas de 18 de maio. Para si, isso é importante para que os cidadãos de Alcácer tenham mais confiança na sua candidatura?

Clarisse Campos – Esse facto pode reforçar a confiança dos cidadãos em mim e na minha candidatura, mas não foi por isso que tomei essa decisão. A minha escolha já estava feita há muito.

Estou de corpo e alma com a minha terra e com as minhas gentes, por convicção, por paixão, porque quero fazer a diferença no futuro deste território, que é a minha casa, que é onde nasci, onde cresci e onde sempre vivi.

Nos últimos seis anos, em que estive como deputada à Assembleia da República, empenhei-me pessoalmente em muitos temas com importância para o meu concelho. Analisei, propus e debati muitos assuntos relevantes para o País e para o nosso distrito, mas a minha terra foi sempre a minha prioridade.

Setúbal Mais – Qual a mensagem que quer deixar aos cidadãos de Alcácer?

Clarisse Campos – Quero sobretudo deixar uma mensagem de esperança. Quero que acreditem que a mudança para melhor é possível e que a vamos conseguir concretizar. Quero deixar uma mensagem especial às mulheres que, como eu, têm sempre que demonstrar mais trabalho, mais competência, mais empenho para provarem perante os outros que têm valor. Quero que acreditem que a persistência e a resiliência nos tornam mais fortes e capazes para vencer. Quero dizer às gentes da nossa terra, de coração aberto, que é possível dar futuro a Alcácer do Sal e que o Partido Socialista é a força política com a seriedade, a visão e a capacidade para o fazer.

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