Bruno Gonçalves Pereira, 48 anos, é o candidato à presidência da Câmara Municipal de Santiago do Cacém pelo movimento “Somos Todos Cidadãos” nas próximas eleições autárquicas que deverão realizar-se em setembro ou outubro. O movimento que apresenta listas a todos os órgãos municipais, conta com o apoio oficial do PS e PSD de Santiago do Cacém, de cidadãos de outras sensibilidades políticas e de personalidades como Jorge Nunes (antigo presidente da Crédito Agrícola) e do histórico presidente da CDU da Junta de Freguesia de Santo André, Fonseca Santos, querem acabar com os 50 anos de domínio da CDU no concelho. Para Bruno Pereira, “sentimos é que nasceu uma onda de mudança, cada vez mais forte, independente mas aberta, sem restrições nas liberdades de pessoas e organizações políticas”. O candidato defende “habitação digna e acessível, retenção e atração de médicos no concelho com políticas ativas de incentivo, requalificação de infraestruturas, aposta no turismo sustentável e numa cultura com orgulho nos nossos artistas, apoio à educação, dinamização económica, valorização dos jovens e dos idosos, reforço dos meios de socorro e da segurança, e uma câmara municipal mais moderna, transparente e ao serviço das pessoas”.
Florindo Cardoso
Setúbal Mais – Quais as razões que o levaram a avançar para uma candidatura independente à presidência da Câmara de Santiago do Cacém?
Bruno Pereira – Esta candidatura surge da reflexão de um grupo de pessoas que, gostando muito do nosso concelho, considerou que estava na hora de colocar em prática as suas ideias e os seus propósitos, tendo como objetivo mudar Santiago. Como sabemos, há já muitos anos que são possíveis candidaturas de movimentos independentes aos órgãos autárquicos, mas em Santiago do Cacém tal nunca aconteceu. Tendo essa reflexão partido deste grupo de pessoas, fazia e faz todo o sentido que a candidatura fosse formalizada por um movimento independente. No entanto, como tenho dito por diversas vezes, este movimento esteve e está aberto, e pretende ser o mais abrangente possível, tendo sido feito o desafio aos partidos da oposição para se juntarem a nós na apresentação de uma candidatura alargada e forte. O PS e o PSD responderam afirmativamente.
Setúbal Mais – O facto de contar com apoio do PSD e do PS é uma mais-valia para a sua candidatura?
Bruno Pereira – É relevante. Embora sejamos um movimento independente, formado em grande parte por cidadãos sem ligação partidária ou experiências de candidaturas anteriores, não desconsideramos a participação de pessoas com ideias políticas alinhadas aos partidos da oposição democrática. O apoio tanto do PS como do PSD demonstra maturidade política, pois estes partidos reconhecem que este movimento representa as verdadeiras necessidades de Santiago do Cacém, com propostas e competências que podem fazer a diferença. Este é, no entanto, um movimento transversal: contamos também com o apoio de um antigo e histórico presidente da CDU da Junta de Freguesia de Santo André, Fonseca Santos, e até com a presença de pessoas associadas à Iniciativa Liberal, Livre e ao Bloco de Esquerda. Após diversas conversas construtivas, ficou claro que todos partilhamos a mesma vontade de mudança e de virar a página de quase 50 anos de gestão comunista.
Não obstante este envolvimento de partidos políticos, gostaria que ficasse muito claro o seguinte: o apoio do PS e do PSD – e eventualmente de outros partidos mais à frente – não retira a matriz independente deste movimento. O que sentimos é que nasceu uma onda de mudança, cada vez mais forte, independente mas aberta, sem restrições nas liberdades de pessoas e organizações políticas.
Setúbal Mais – Em termos gerais, quais as ideias e projetos que defende para o concelho?
Bruno Pereira – Defendemos um projeto assente em pilares claros: habitação digna e acessível, retenção e atração de médicos no concelho com políticas ativas de incentivo, requalificação de infraestruturas, aposta no turismo sustentável e numa cultura com orgulho nos nossos artistas, apoio à educação, dinamização económica, valorização dos jovens e dos idosos, reforço dos meios de socorro e da segurança, e uma câmara municipal mais moderna, transparente e ao serviço das pessoas. Queremos um concelho mais justo, equilibrado e com oportunidades para todos, do litoral ao interior.
Setúbal Mais – A habitação é um dos principais problemas. O que defende nesta área?
Bruno Pereira – A habitação é o maior e mais urgente desafio do concelho. Defendemos uma estratégia clara e executável: construir habitação municipal para arrendamento acessível; apostar em loteamentos municipais urbanizados, com critérios transparentes e condições especiais para jovens e residentes; reabilitar edifícios devolutos; lançar loteamentos com regras justas; construir habitação a custos controlados; criar soluções temporárias para profissionais deslocados; e investir, com fundos nacionais e europeus, em programas acessíveis. Queremos antecipar os impactos do crescimento económico da região e garantir que as famílias, os jovens e os trabalhadores possam viver com dignidade.
Setúbal Mais – Como avalia os últimos anos de gestão da CDU, que esteve sempre no poder?
Bruno Pereira – É justo reconhecer obra feita, mas a verdade é que o modelo se esgotou. Falta ambição, falta capacidade de atrair investimento, falta resposta aos grandes desafios da atualidade, como a habitação, a saúde ou a fixação de jovens. O concelho precisa de um novo impulso, mais dinâmico, mais dialogante e com maior ligação à realidade das freguesias. Com tantos anos no poder, a gestão da CDU foi-se acomodando e perdeu a capacidade de inovar e de mobilizar.
Setúbal Mais – Como encara a CDU apostar numa antiga presidente como candidata, a exemplo do que está a fazer noutros concelhos do distrito?
Bruno Pereira – Respeitamos todas as candidaturas, mas acreditamos que o futuro não se constrói a olhar apenas para o passado. A repetição de nomes e fórmulas é sinal de falta de renovação interna. Ao contrário de outros, nós não somos profissionais da política. O nosso projeto representa uma nova geração de participação, com visão de futuro, respeito pela história e coragem para fazer diferente. É tempo de abrir janelas, ouvir as pessoas e construir uma nova maioria, assente em soluções concretas e num espírito inclusivo.
Setúbal Mais – Qual a mensagem que deixa aos munícipes para votarem no seu projeto nas próximas eleições autárquicas?
Bruno Pereira – A nossa mensagem é simples: juntos conseguimos. Este projeto é de todos, sem exclusões. Queremos servir o concelho de Santiago do Cacém com trabalho sério, proximidade, competência e paixão. O concelho merece mais e melhor. Se acredita que é possível fazer diferente, com transparência, respeito e soluções, então junte-se a nós. O voto no nosso projeto é o voto na mudança que faz falta. Santiago primeiro. Sempre.
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