O presidente da Câmara Municipal de Setúbal, André Martins, sublinhou a importância da serra da Arrábida enquanto local que permite a autodescoberta individual, na apresentação do livro “A Espiritualidade da Arrábida”, que decorreu a 16 de novembro, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.
“Ali, como escreveu Frei Agostinho da Cruz, naquele alto mais perto do céu, é fácil estar a sós com Deus. Poderia também dizê-lo de outra forma: ali é mais fácil estarmos a sós connosco próprios para descobrirmos quem afinal somos”, disse o edil sadino, classificando esta obra literária como “verdadeiramente magnífico”, que apresenta testemunhos, fotografias e gravuras de 24 personalidades da região, convidados pelos Amigos da Paróquia de São Sebastião a refletir sobre a Arrábida.
“Nestas páginas, compreendemos que, afinal, a Espiritualidade da Arrábida está em todos nós que, dia após dia, acordamos em frente à majestosa serra, que lá no horizonte poente todos os dias nos dá alento para continuar a admirar a beleza do mundo”, disse André Martins, manifestando a crença de que “será a beleza do mundo, convertida em paz, em justiça, em solidariedade, que prevalecerá”.
O autarca salientou que, como recorda no livro o professor universitário Viriato Soromenho Marques, “foi também ali que nasceu o movimento ecologista português, muito em resultado do grito revoltado” do poeta azeitonense Sebastião da Gama, “que exigia que a Mata do Solitário sobrevivesse ao ímpeto destruidor de alguns homens”.
Com prefácio do bispo de Setúbal, Cardeal D. Américo Aguiar, e texto de encerramento de Viriato Soromenho Marques, o livro baseia-se na exposição, com o mesmo título, que esteve patente há um ano no MAEDS – Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal, por ocasião do 470.º aniversário da Paróquia de São Sebastião.
Coordenada pelo padre Casimiro Henriques, pároco de São Sebastião há sete anos, e pelo casal António e Isabel Melo, a obra apresenta perto de 40 de fotografias e cerca de 30 textos e gravuras, incluindo imagens do fotógrafo setubalense Américo Ribeiro e poemas dos dois grandes poetas arrábidos, Sebastião da Gama e Frei Agostinho da Cruz, frade franciscano que viveu na Serra os seus últimos 15 anos de vida, no século XVII.
O padre explicou que a ideia do livro era a de “subir a Arrábida para estar com Deus, para ver Deus”, porque “o esforço da subida implica abandonarmo-nos” e “quando nos abandonamos é que nos encontramos”. Casimiro Henriques citou o escritor e filósofo italiano Umberto Eco e o papa João Paulo II para afirmar que “é a beleza que salvará o mundo”, considerando que a subida da Arrábida permite “encontrar a beleza”.
António Melo disse que o livro é “uma obra inovadora que convida a percorrer o caminho dos poetas da Arrábida”, nomeadamente Frei Agostinho da Cruz e Sebastião da Gama, além do fotógrafo Américo Ribeiro.
Na apresentação da obra, João Reis Ribeiro, referiu que o livro “dignifica a todos”, porque nele “se canta” e “se glorifica” a serra, e citou Viriato Soromenho Marques para notar o “permanente convite da Arrábida para a meditação e a viagem interior”.
Num Salão Nobre cheio, a sessão contou ainda com um pequeno concerto pelo grupo E-Vox e com a leitura de algumas frases do livro por João Completo e Helena Almeida.
De referir que as receitas da venda do livro revertem a favor da Paróquia de São Sebastião para a recuperação de património desta igreja.

