O Centro de Apoio à Vida da Santa Casa da Misericórdia do Montijo participou num colóquio sobre o aborto, realizado, a 19 de outubro, na Assembleia da República, onde apelou a respostas concretas para proteger a maternidade e apoiar as famílias.
O centro que acompanha perto de 60 famílias, com um acordo para 40 agregados, aguarda há mais de dois anos autorização para abrir uma casa de acolhimento já equipada.
A Santa Casa da Misericórdia do Montijo defende o reforço do apoio às grávidas e às famílias em situação de vulnerabilidade e uma maior articulação entre os serviços de saúde, a Segurança Social e as instituições sociais, para garantir respostas atempadas e condições efetivas de proteção à maternidade. Esta posição foi expressa pela assistente social Carolina Alves e a psicóloga Mafalda Boultwood, do Centro de Apoio à Vida da instituição, neste colóquio.
Carolina Alves levou ao debate a realidade das mulheres e famílias acompanhadas pela instituição, alertando para as dificuldades de articulação com os serviços de saúde e para a necessidade de chegar mais cedo às situações que exigem apoio.
A técnica relatou que os contactos dirigidos a centros de saúde e hospitais têm ficado sem resposta, comprometendo a possibilidade de uma intervenção mais precoce junto das grávidas.
O Centro de Apoio à Vida abrange os concelhos do Montijo, Alcochete, Moita e Barreiro e acompanha perto de 60 famílias, através de uma equipa de duas profissionais, apesar de o acordo com a Segurança Social abranger 40 agregados familiares.
Entre os pedidos de ajuda encontram-se situações de adolescentes de 15 e 16 anos, famílias monoparentais e mulheres imigrantes sem rede de suporte familiar. O isolamento social, as dificuldades de acesso à habitação e os obstáculos ao acompanhamento médico durante a gravidez agravam a vulnerabilidade destas famílias.
A Santa Casa da Misericórdia do Montijo aguarda também, há mais de dois anos, autorização para colocar em funcionamento uma casa de acolhimento já equipada, destinada a mães e bebés que necessitam de proteção e acompanhamento.
Para o provedor, Ilídio Massacote, a defesa da vida exige um compromisso que se traduza em respostas concretas. “A defesa da vida, desde a conceção, faz parte da identidade cristã da nossa Misericórdia e exige-nos um compromisso concreto com cada mãe, cada criança e cada família. A inspiração do Evangelho chama-nos a acolher, a escutar e a cuidar, sobretudo quando o medo, a solidão e a falta de meios parecem fechar todos os caminhos”, refere o responsável.
“Nenhuma mulher que deseje prosseguir a sua gravidez deve sentir que não o pode fazer por não ter uma casa, apoio familiar ou condições económicas. Uma sociedade que protege a liberdade de decisão tem também de garantir condições reais para acolher uma nova vida”, sublinha Ilídio Massacote, adiantando que “esse trabalho que procuramos fazer todos os dias. Mas as instituições não podem responder sozinhas, nem a dedicação das suas equipas substitui a responsabilidade dos poderes públicos”. “Precisamos de articulação efetiva com os serviços de saúde, de apoios ajustados às famílias que acompanhamos e de uma resposta que permita abrir a casa de acolhimento que já temos equipada”, afirma.
Apelamos “a um compromisso que possa reunir diferentes sensibilidades: proteger a maternidade, combater o abandono e dar a cada criança a possibilidade de ser acolhida com dignidade. É com essa responsabilidade, e com total disponibilidade para cooperar, que a Santa Casa do Montijo participa neste debate”.
A instituição reafirma a sua disponibilidade para “trabalhar com as entidades competentes no reforço dos mecanismos de sinalização e acompanhamento, na adequação dos apoios às necessidades das famílias e na concretização da resposta de acolhimento para mães e bebés”.

