José Rosa Rosado Motrena vai lançar o primeiro livro de poesia “O Miúdo da Rua”, no dia 13 de novembro, pelas 17h30, na Biblioteca Municipal de Setúbal. O livro será apresento por Ângela Marques, com alocução especial da poetisa Alexandrina Pereira. Com um vasto currículo nas marchas populares, o autor nunca deixou de escrever poesia, a sua grande paixão, conquistando diversos prémios em concursos. Participou em várias antologias poéticas e os seus poemas foram editados em várias coletâneas. Este é o seu primeiro livro de poesia, estando em estudo outros projetos já para o próximo ano. “Que este livro encontre em cada poeta e em cada um de vós, um pedaço desse menino esquecido lá atrás e o transporte para dentro de cada poema. Ele merece a vossa atenção”, refere José Motrena, no preâmbulo do livro. A sua história de vida, é um exemplo de superação em que a poesia foi a alma que o conduziu em transformar-se de um “miúdo de rua”, nascido no seio duma família com grandes dificuldades financeiras, criado na Casa do Gaiato, num homem de sucesso, dedicando-se ao amor pela literatura. Este livro é um encontro consigo próprio, um menino que encontrou na poesia a sua forma de felicidade. É um tributo à resiliência.
Florindo Cardoso
Setúbal Mais – Como surgiu a ideia de lançar este livro?
José Motrena – O livro “O Miúdo da Rua” vem na sequência dum trabalho que está a ser preparado há alguns anos e que “me obriguei” a dar a conhecer aos leitores. Entendi ser esta a melhor altura para que tal acontecesse, um pouco por razões “sentimentais” e, também, pelo incentivo que muitos amigos, alguns deles poetas, “me obrigaram” a editar este livro.
Setúbal Mais – Qual o tema que aborda e a mensagem que pretende transmitir ao leitor?
José Motrena – Entre outros temas, o tema base deste livro, aborda as dificuldades que “O Miúdo da Rua” e muitas outras milhares ou mesmo milhões de crianças viveram no seu tempo (sobretudo nas décadas de 1950/1960). Este miúdo nasceu no seio duma família que vivia abaixo dos limiares da pobreza, como muitas famílias da época, e não teve o acesso aos mais elementares direitos consagrados na Convenção sobre os Direitos da Criança; carinho, habitação condigna, acesso regular à educação, à saúde e a uma alimentação saudável. Para complicar ainda mais a vida familiar deste miúdo, a mãe faleceu com 29 anos e deixou 5 filhos para criar, tendo o mais novo cerca de 2 anos.
A mensagem que pretendo fazer passar é que o “Eu” seja substituído pelo “Nós” e que as pessoas sejam mais solidárias. As pessoas estão-se a tornar cada vez mais individualistas e com as novas tecnologias as coisas pioraram ainda mais. Cada indivíduo só pensa em si, quer o seu bem estar sem olhar o próximo. Com a crueldade que as palavras me permitem, lanço por este meio um alerta para que não se brinque à solidariedade. Há tantas crianças desnutridas, tantas crianças a morrer com falta de cuidados básicos. De acordo com dados divulgados pela UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS), morrem por dia mais de 13 mil com menos de 5 anos. Isto é alarmante. Há que agir.
Setúbal Mais – Tem um trabalho reconhecido e premiado nas marchas populares. Este é o seu primeiro livro de poesia?
José Motrena – Este é o meu primeiro livro de poemas com uma estrutura já profissional. Publiquei em 2020 um livro infantil “A Quinta do Simão”, uma história que veio na sequência de um projeto desenvolvido para participar no Concurso Lusófono da Trofa – Prémio Matilde Rosa Araújo, em 2019. Este livro foi editado só com dois exemplares; um ficou em meu poder e o outro ofereci ao protagonista da história, o Simão, quando completou 5 anos de idade. Mas o meu processo literário tem outros desafios com projetos já em embrião para o próximo ano (que a seu tempo será divulgado) e para os anos seguintes. Material não falta.

Vencedor de vários prémios nas marchas populares
Uma vida dedicada à poesia
José Rosa Rosado Motrena, nasceu em Setúbal a 3 de janeiro de 1950, cidade onde sempre viveu.
Ainda bastante novo, finais da década de 60, iniciou o seu percurso literário na área da poesia, notabilizando-se, mais tarde, como letrista de canções infantis, tendo vencido diversos prémios de melhor letra nos festivais da canção infantil e infanto/juvenil.
Na década de 80 escreveu duas operetas para o Coral Infantil de Setúbal. Na década de 90 dá-se a sua afirmação como escritor em diversos domínios.
Em 1995 e 1996 vence o prémio da Grande Marcha de Setúbal e aventura-se na participação em concursos de quadras populares, arrecadando variadíssimos prémios.
Também neste período, a convite de Ricardo Cardoso participou, conjuntamente com Ângela Marques (uma jovem multifacetada e em ascensão), no programa Arestas de Vento, da Rádio PAL, numa rubrica dedicada à criança, com histórias e acontecimentos, nunca descurando o objetivo da temática do programa. Ainda no ano de 1996 fez parte da equipa que organizou o 1º. Festival da Canção Infanto-Juvenil de Palmela.
Durante 8 anos, pertenceu à Direção do Coral Infantil de Setúbal e há Comissão Organizadora do Festival da Canção Infantil de Setúbal – Costa Azul, um dos melhores festivais infantis, organizados a nível nacional.
Nunca deixou de escrever poesia, a sua grande paixão, conquistando diversos prémios em concursos. Participou em várias antologias poéticas e os seus poemas foram editados em diversas coletâneas.
Em 2020 editou o livro infantil “A Quinta do Simão”, que veio na sequência de um projeto desenvolvido para participação no Concurso Lusófono da Trofa de conto infantil.
Mais recentemente, retomou a escrita de histórias e contos infantis.
Em 2023 volta a vencer o concurso da Grande Marcha de Setúbal, repetindo a façanha em 2026.
Este é o seu primeiro livro de poesia, estando em estudo outros projetos já para o próximo ano, havendo algumas surpresas em equação.

